Ilê Àse Alaketu Odara Enìkejí

Ilê Àse Alaketu Odara Enìkejí Casa Linda de Amigos, Candomblé ketu Gantois, diretora espiritual Ìyálòòrísá Marli T’Sàngó

Casa Linda de Amigos, foi fundada em 05.09.2007(oficialmente) diretora espiritual Ìyálòrísá Marli T’Shàngó.

Bàbá ou Ìyá também erra!No universo das religiões de matriz africana, a figura do Bàbá ou Ìyá são envoltas em reverência...
28/08/2025

Bàbá ou Ìyá também erra!
No universo das religiões de matriz africana, a figura do Bàbá ou Ìyá são envoltas em reverência, àṣẹ e responsabilidade comunitária. Contudo, é preciso lembrar: nenhum ser humano é isento de falhas. Mesmo quem conduz ritos, guarda os segredos da tradição e aconselha filhos e filhas, permanece um aprendiz diante da vida e do sagrado.
Em yorubá, encontramos o provérbio “Àgbà kì í wà l’ójà, kí orí omo tuntun wo”, que nos ensina: “quando há mais velhos na praça, a cabeça dos mais novos não se perde”. Mas a presença dos mais velhos não elimina a possibilidade do erro – ao contrário, reforça a responsabilidade de reconhecer os limites e aprender sempre.
Outro ensinamento, “Ọmọlúàbí kì í tì í”, lembra-nos que a pessoa de caráter não se envergonha de aprender.
O verdadeiro ọmọlúàbí não se constrói na vaidade de quem julga saber tudo, mas na humildade de quem afirma “Mo ò mọ̀” – eu não sei.
O escritor africano Amadou Hampâté Bâ, em sua célebre frase, nos recorda que “cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima”. Mas nem mesmo os anciãos guardam o todo; a biblioteca é vasta demais para ser esgotada em uma só vida.
O que confere dignidade é justamente a busca permanente. Muniz Sodré também afirma que a ética de matriz africana não é uma moral rígida, mas uma “arte da convivência”, onde a sabedoria nasce do encontro, do erro e do acerto, do diálogo entre corpos e espíritos.
Reconhecer que não sabe, portanto, é dignidade humana.
Em yorùbá, iyì ènìyàn não se limita a títulos ou cargos, mas ao respeito por si e pelos outros.
A dignidade manifesta-se no ìwà pẹ̀lẹ́ – o caráter suave, equilibrado –, que se fortalece na humildade. Errar não retira o àṣẹ, mas desafia a reconstrução com verdade.
O filósofo Renato Noguera nos lembra que o pensamento africano se estrutura em uma “pedagogia da encruzilhada”, onde cada escolha é aprendizado. A encruzilhada exige reflexão, reconhecimento de limites e decisão responsável.
Assim também é o caminho dos líderes no santo: encruzilhadas constantes, que pedem não perfeição, mas sabedoria para voltar atrás, reaprender e caminhar de novo.
Por isso, cabe lembrar outro provérbio iorubá:
“Bí a bá dá’gbà, a kì í dá’ímọ̀” – envelhecer não é o mesmo que saber tudo.
Isso nos recorda que, dentro ou fora do terreiro, a humanidade de cada um permanece em construção.
A vida é processo, e a autoridade espiritual, longe de ser a negação da falha, é a capacidade de aprender com ela.
No terreiro, todos somos aprendizes diante do sagrado. Essa é a maior lição de dignidade que o Candomblé e as tradições africanas nos oferecem: a grandeza não está em nunca errar, mas em reconhecer-se humano e continuar aprendendo em comunidade.

Quem tem àṣẹ, tem postura.
Quem tem àṣẹ, tem propósito.

(•﹏•) ( ✿^‿^). (灬º‿º灬)♡

Ìyá Marli D’Sàngó
Ilé Àṣẹ Àlákètú Odara Enìkedjí
Candomblé Ketu
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No pensamento yorubano, destino não é álibi. Àyànmọ́ designa a estrutura profunda do destino escolhida por cada pessoa d...
15/08/2025

No pensamento yorubano, destino não é álibi.
Àyànmọ́ designa a estrutura profunda do destino escolhida por cada pessoa diante de Olódùmarè, mediada por Orí; kàdárà refere‑se ao conjunto de circunstâncias móveis — contextos sociais, históricos e materiais — em que esse destino é vivido.
O que chamarei aqui de adáyéba é a atualização concreta, “aquilo que toma forma no àiyé (mundo visível)”, resultante do entrelaçamento entre àyànmọ́, kàdárà e a ìwà (caráter) posta em prática.
Para iniciadas(os) no Candomblé Ketu, usar “meu destino é assim” como desculpa para não estudar, não cuidar dos deveres de casa de santo, nem agir com retidão, é trair o próprio Orí.
O caminho é outro: aprender a aprender (fazer do aprendizado um hábito ritual) e agir com ética, para que o destino escolhido possa florescer nas circunstâncias dadas.

Provérbio: “Orí la bá bò, ká tó bò òrìṣà.” — Antes de tudo cuida‑se de Orí, para então cultuar os Òrìṣàs.
Sentido: sem alinhamento com Orí (autogoverno, lucidez, disciplina), nenhum culto “funciona”.

Àṣẹ não se impõe.
Àṣẹ se vive.

Quem tem àṣẹ, tem postura.
Quem tem àṣẹ, tem propósito.

Mulheres de Axé do Brasil

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Ìyá Marli D'Sàngó
Ilé Àse Alaketu Odara Eníkejí
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A tradição do Candomblé Ketu, forjada na resistência e recriação dos saberes africanos em solo brasileiro, vive hoje uma...
15/08/2025

A tradição do Candomblé Ketu, forjada na resistência e recriação dos saberes africanos em solo brasileiro, vive hoje uma disputa de narrativas que precisa ser tratada com a seriedade que a ancestralidade exige.
Em nome de uma suposta “pureza original”, há tentativas contemporâneas de impor, sem o devido enraizamento comunitário e histórico, conceitos oriundos do culto de Ifá e das práticas do RTY (Religião Tradicional Yorùbá), como se o caminho da reconstrução da espiritualidade negra na diáspora devesse ser uma volta forçada à África — ignorando os atravessamentos históricos, os silenciamentos coloniais e a reinvenção feita aqui, no chão da senzala, nos terreiros da resistência.
A vivência religiosa no Brasil — e em toda a diáspora — é fruto de processos que envolveram ressignif**ações, perdas e recriações.
Não somos apenas repetidores de um passado interrompido; somos continuidade viva, ainda que marcada pela dor do sequestro e do desterro.
Como lembra o pensador africano Valentin Mudimbe, "toda tradição, para continuar sendo, precisa reinventar-se no tempo" (The Invention of Africa, 1988). Assim também é com o Candomblé Ketu: ele se alimenta das raízes africanas, mas floresce nas condições históricas e culturais da diáspora. Isso não é fragilidade. Isso é força.
Importar conceitos do culto de Ifá sem a devida tradução cultural, espiritual e comunitária para o contexto diaspórico é incorrer no erro do colonialismo invertido — onde agora é a própria África que passa a ser idealizada como um espaço sem contradições, sem história, sem transformação.
Há essa romantização essencialista enfraquece os fundamentos do Candomblé Ketu, que não é uma réplica exata do que existia na terra yorùbá, mas sim uma expressão legítima, viva e enraizada nos modos de ser, cuidar, educar e resistir do povo negro no Brasil.

Há ainda os que se 'arvoram donos dos saberes', pregando pureza em nome de uma ancestralidade que mal conhecem, e tropeçam não apenas na língua yorubá que pronunciam sem àṣẹ, mas também nos próprios pés, pois ignoram suas origens, seus aprendizados tortos, suas contradições pessoais.
A coerência espiritual não está na performance do saber, mas na ética do cuidado, no silêncio que ouve os mais velhos e na escuta ativa dos fundamentos vividos.
A teóloga nigeriana Teresa Okure alerta que toda teologia contextual deve partir da realidade concreta de seu povo, e não apenas de textos sagrados ou tradições importadas. Aplicando isso à nossa realidade, uma teologia de àṣẹ deve se construir desde os terreiros, desde os corpos pretos, desde a oralidade dos mais velhos e das mais velhas, e não da imposição conceitual de quem tenta dizer o que é ou não é válido a partir de traduções literais do Yorùbá, muitas vezes descoladas da vivência litúrgica, emocional e social de nossos terreiros.

Não se trata de desprezar Ifá ou os saberes da tradição yorùbá continental — que são, sim, sagrados — mas de reconhecer que na diáspora esses saberes caminham juntos com outras epistemologias negras, com a pedagogia do egbé, com os fundamentos de Ìyáwó, com o saber de quem aprende a partir do corpo, da comida, da folha e do toque do tambor.
Como já nos alertava Muniz Sodré, “a tradição negra não é apenas herança, é reinterpretação contínua de um código ancestral” (Terreiro e Democracia, 2019). Essa reinterpretação não pode ser sequestrada por quem deseja transformar nossos àṣẹs em centros de performance linguística, sem comunidade, sem roda, sem chão.
Por isso, toda tentativa de padronizar, higienizar ou reverter o tempo do Candomblé — como se a salvação estivesse em "voltar à África" e não em reatualizar seus princípios na diáspora — é uma forma de violência epistêmica. Nossa missão não é reconstituir o que se perdeu, mas cuidar com dignidade do que se tornou.

Àṣẹ não se impõe.
Àṣẹ se vive.

Quem tem àṣẹ, tem postura.
Quem tem àṣẹ, tem propósito.

Mulheres de Axé do Brasil

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Ìyá Marli D'Sàngó
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"Òtítọ́ ni ìwà, ọ̀rọ̀ kò ní í gbẹ́": A verdade é caráter, a palavra não seca.Este provérbio yorubá expressa uma sabedori...
15/07/2025

"Òtítọ́ ni ìwà, ọ̀rọ̀ kò ní í gbẹ́":
A verdade é caráter, a palavra não seca.
Este provérbio yorubá expressa uma sabedoria ancestral: a verdade não é apenas aquilo que se diz, mas aquilo que se é.
Òtítọ́ (verdade) está intimamente ligada a ìwà (caráter), valor central na ética yorubá, conforme ensina Sophie Oluwole, filósofa nigeriana que dedicou sua vida a demonstrar que a filosofia africana tem fundamentos próprios e profundos.
Na tradição yorubá, não há separação entre pensamento e conduta.
O ser humano ético é aquele que encarna a verdade com sua ìwà pẹ̀lẹ́ (caráter manso, equilibrado e íntegro). A palavra só tem força — ou "não seca", como diz o provérbio — quando nasce de um caráter verdadeiro.
Isso ecoa a visão de Muniz Sodré, para quem a ética afro-brasileira está ligada a um “saber-viver” que envolve corpo, àṣẹ e comunidade, e não apenas ideias abstratas.
A verdade, portanto, não é uma afirmação objetiva isolada, mas uma prática encarnada.
Cornel West, filósofo afro-americano, diz que “a verdade é uma forma de viver”: ela se manifesta na coerência entre palavra, ação e presença. Onde há ìwà rere (bom caráter), a palavra carrega àṣẹ, permanece viva, frutífera, como fonte que não seca.
Assim, em tempos de superficialidade e dissimulação, este provérbio nos chama de volta à integridade: não basta falar bem, é preciso ser verdade.

Quem tem àṣẹ, tem postura.
Quem tem àṣẹ, tem propósito.

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É com imensa dor pesar que comunicamos a triste notícia do falecimento de nosso Bàbálòrìṣà Mauro de Oṣùn.A despedida oco...
18/02/2025

É com imensa dor pesar que comunicamos a triste notícia do falecimento de nosso Bàbálòrìṣà Mauro de Oṣùn.

A despedida ocorrerá às 11h00 do dia 19/02
Velório ocorrerá a partir do final da tarde de hoje na Rua: Expedicionário Wilson Viana Barbosa, 321 - Colubandê, São Gonçalo - RJ -
Dando início ao Àṣẹsé de sete( 7 ) dias então.

Neste momento de dor, o Ilé Àṣẹ Àlákètú Odara Ẹnìkejì e nossa Olori Egbé Ìyáloriṣà Marli D' Ṣàngó se conecta à nossa família do Ilê Àlákètú Àse Iyámi Ipondá.

Amor, compromisso com o sagrado, sabedoria e gratidão definem a eternidade trajetória e presença de Bàbá Mauro em nossas vidas, seus ensinamentos e postura serão sempre reverenciados dentro da Egbé.

Ọlọrun kò sí pure ọ!
Ọlọrun aṣẹ nde
Ẹkú afeku
Ka sùn re ooooo

"Se Awo Kiku, Awo Kirun, Nse Awo Mawo Si Itunlá, Itunlá Ile Awo" - "Os iniciados no mistério não morrem, os iniciados no mistério não desaparecem, os iniciados no mistério vão para o Itunlá, a casa do renascimento."

O Ilé Àṣẹ Àlákètú Odara Enìkedjí comunica consternados o falecimento de nosso Bàbálòrìsà Mauro D'Ọ̀sún, José Mauro Guima...
18/02/2025

O Ilé Àṣẹ Àlákètú Odara Enìkedjí comunica consternados o falecimento de nosso Bàbálòrìsà Mauro D'Ọ̀sún, José Mauro Guimarães de Jesus, ocorrido na data de 17.2 p.p.. Dirigente espiritual do Ilẹ́ Àlákètú Àṣẹ Yamí Ypondà, SG, RJ.
Ikú é uma certeza, mas continua nos surpreendendo quando chega sem aviso e leva uma pessoa especial. Tudo o que podemos fazer é rezar nossas aduras para que o Sr. encontre a luz e nos proteja para sempre.
Ọlórun kosi purè.
Ọlọrun àse ndé
Kaadi súré ọ̀!

Sentiremos muitas saudades!

Em um kinara tradicional, que representa a ancestralidade africana ou o talo original de onde viemos, deve haver três ve...
25/12/2023

Em um kinara tradicional, que representa a ancestralidade africana ou o talo original de onde viemos, deve haver três velas vermelhas (simbolizando autodeterminação, economia cooperativa e criatividade), três velas verdes (simbolizando trabalho coletivo, propósito e fé) e uma vela preta (simbolizando a unidade).
Kinaras podem ser feitos de vários tipos de materiais, incluindo galhos caídos, madeira ou outros materiais naturais.
A vela preta, chamada Umoja, f**a no meio e é ladeada por três velas vermelhas à esquerda e as três verdes à direita.
O princípio que cada vela representa é discutido na noite em que é acesa.
Mishumaa saba, que signif**a as sete velas, são certas cores por uma razão. Especif**amente, o vermelho representa a luta pela autodeterminação e liberdade. O preto simboliza as pessoas, a terra, a fonte da vida, esperança, criatividade e fé. Verde representa a terra que sustenta nossas vidas e fornece esperança, adivinhação, emprego e os frutos da colheita.

O Kwanzaa!Ele celebra a união e valorização dos afrodescendentes, os valores de comunidade e união familiar depois da vi...
25/12/2023

O Kwanzaa!
Ele celebra a união e valorização dos afrodescendentes, os valores de comunidade e união familiar depois da violenta rebelião de Watts (causada por abuso policial contra um jovem negro em 1966) o professor Dr. Maulana Karenga, presidente de um centro de estudos negros na California State University e ativista dos direitos civis nos anos 60, criou para uma celebração para unir os afro-americanos com base em costumes do continente africano. Assim nasceu o Kwanzaa nome derivado da frase “matunda ya kwanza”, que signif**a “primeiros frutos” em suaíli (língua de origem queniana).
A festa dos “primeiros frutos” é típica dos povos ancestrais, “a festa da vitória da vida contra a morte, da luz contra as trevas, da colheita farta que garantia a continuidade da tribo contra a ameaça da fome e do extermínio.”
A celebração dura sete dias, iniciando no dia 26 de dezembro e encerrando no dia 1º de janeiro.
Em cada uma das sete noites, a família se reúne ao redor das luzes uma das velas no Kinara (castiçal) onde os princípios da Kwanzaa são discutidos.
Esses princípios, chamados de Saba Nguzo (sete princípios em suaíli) são valores da cultura africana que contribuem para a construção e reforço comunidade entre afrodescendentes.
A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas e uma espiga de milho correspondente ao número de crianças que houver na casa. Depois de acesa a vela ( a vela preta deve ser acesa na primeira noite) , todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto signif**a “reúnam todas as coisas” como “vamos fazer juntos”.
A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico de referência africana e um brinquedo.
Cada dia de Kwanzaa enfatiza um princípio diferente, herdado da cultura africana; uma estratégia de lembrança das nossas ricas memórias ancestrais, pois os princípios e valores que envolvem a celebração tornam-se uma riqueza imensurável do que de fato o que é viver em coletividades e potência sobretudo individuais
Para cada dia uma vela, três vermelhas, três verdes e uma preta, no meio.
Vamos começar preparando para o amanhã????
Acendemos a vela preta no centro do castiçal.
O primeiro princípio a ser cultivado é da Unidade:
Umoja (oo-MO-jah)

Esforçar-se para e manter a unidade na família, comunidade, nação e etnia.
Uma pessoa é uma pessoa por causa das outras pessoas”. Ditado sul africano = Ubuntu. Ubuntu signif**a: Sou quem sou, por quem somos todos nós.
Na ação de cada gesto ou na consideração que fazemos do “outro”, só conseguimos olhar para o próprio umbigo e frequentemente nos vermos como modelo e referencial. Olhamos as outras manifestações culturais, outros valores, outras práticas sociais pelo nosso prisma, com os valores da nossa cultura.
A isso a Sociologia e a Psicologia chamam de “etnocentrismo”.
Mas ainda falta um pouco mais de tempo para compreendermos que não existe tal coisa como uma hierarquia cultural, ou seja, expressões culturais boas e más, certas ou erradas.
Não pode faltar a nossa cozinha – para o ajeùn - sempre foi fonte de partilha, desde o início na cozinha não tem regra mas há partilha o tempo todo, nos mantemos o cuidado de cada ingrediente que utilizamos alimentando o ará (corpo) e o ori (cabeça) com conhecimento sobretudo mostrando para nossos clientes, admiradores e amigues que a culinária afro diaspórica não se faz apenas com dendê e acarajé, principais alimentos que nutriram e nutrem nossos irmãos e irmãs negras.
Hoje então, posso desejar aos meus amigos de fato: Inú mi dùn Kwanzaa!

O RS pelos meus parcos conhecimentos é o único Estado ou lugar do mundo, que comemora uma Revolução que perdeu.Bem, aqui...
07/06/2023

O RS pelos meus parcos conhecimentos é o único Estado ou lugar do mundo, que comemora uma Revolução que perdeu.
Bem, aqui no RS 'as coisas são exdruchulas' demais.
Está na ordem do dia, de forma bem resumida, na ALERS, PEC que torna o hino do RS - imutável -.
Para quem não sabe, o hino vêm sendo combatido por conter a seguinte estrofes:
[,.. 'Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo,
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.' ...]
Os versos integram a terceira versão do hino, composta no século 19 e adotada oficialmente na década de 1930.
Numa referência direta a Escravidão promovida pela branquitude eurocêntrica em seus conceitos da não humanidade do negro.
História que deveria ser amplamente conhecida na sua profundidade a fim de recompor a verdade sobre a barbárie promovida contra o povo negro livre.
Há anos nos colocamos sobre a mudança necessária, já que o hino foi concebido originalmente com outra letra.
Há estudos, trabalhos acadêmicos, históricos, já que também se comemora uma guerra perdida.
Das inúmeras contradições dessa Revolução Farroupilha, a maior foi o tratamento dado a chamada “questão servil”.
Pior e novamente negros são sacrif**ados, na referência histórica aos Lanceiros Negros e o Massacre dos Porongos que foram traídos.
Havia um acordo/promessa que negros escravos, no após guerra seriam livres.
Promessas não é ...
Entretanto, no tratado assinado pelos revolucionários, por heróis que nunca estiveram na frente de batalha, a tal 'promessa/compromisso', o tal 'fio do bigode', não foi honrado/ sustentado, então foram mortos.
Garantindo assim, a estabilidade da ordem imperial-escravocrata, face ao risco de um grande contingente de negros com experiência militar podia representar.
Simples!
Deixados desarmados, obrigando-os a lutar com paus e pedras, pereceram como era desejado.
Uma estrofe de quatro versos, que exaltava a democracia e desprezava os "tiranos", foi cortada do Hino Rio-Grandense em 1966.
Uma verdade que os deputados ignoram. Mas era período da ditadura.
Estamos diante de um 'debate ideológico' frontalmente contra os negros e afrodescendentes.
A bancada negra, no intuito de dar solução justa, legal e definitiva, com base na história, no conhecimento e na lei, já está a promover reuniões com o autor do PL, com a mesa da casa e com o governador do RS. Em paralelo estão fazendo conversas individuais com parlamentares e uma tentativa de conversa com as demais bancadas do PDT e do PSDB (com esses votos a PEC não seria aprovada) no sentido de esclarecer e restabelecer a verdade.
O hino riograndense exalta a escravidão e tornou-se ao meu ver, uma violação expressa as normas primárias de igualdade, fraternidade e liberdade que inclusive constam da bandeira Riograndense.
Há um sustentar claro do racismo, da manutenção do apagamentos da verdade e manifesto silenciamento histórico da importância da população negra à este Estado, ao país.

* Nada sobre nós, sem nós.*

Ìyálòrísá Marli D'Sàngó
Ilé Àse Alaketu Odara Eníkedjí
Candomblé Ketu
Guaíba - RS
Fone: (51) 981.840326

Da fusão da palavra bó, que em iorubá signif**a oferenda, com ori, que quer dizer cabeça, surge o termo bori, que litera...
04/06/2023

Da fusão da palavra bó, que em iorubá signif**a oferenda, com ori, que quer dizer cabeça, surge o termo bori, que literalmente traduzido signif**a “ Oferenda à Cabeça”, princípio da individuakidade.

Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode-se afirmar que o bori é uma introdução.
Nunca foi uma iniciação à religião, Candomblé.
Na realidade, nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, o bori precede aos atos iniciáticos, mas não se constituí na iniciação por si.
O bori pode perfeitamente ser realizado como ritual isolado, único, para abiãns e clientes, mas todo lésè Òòrísá obrigatoriamente passará por ele antes de qualquer etapa de sua jornada religiosa no Candomblé ketu.
Bori no Candomblé ketu não torna ninguém 'filho de ninguém', já que sua realização não se constitui em iniciação.
Não se assenta Òòrísá, exatamente pelo fato de não se tratar de ritual iniciático e, isso vale como regra sim para o Candomblé ketu, mesmo que se faça argumentações em contrário.
No bori não é o momento do Òòrísá mas do indivíduo, a manifestação daquele, nem deve acontecer, salvo quando for o Òòrísá individual for louvado ao final.
O bori é dado à pessoa e não ao Òòrísá.
Isso por quê ...
Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu ori, o seu princípio individual, a sua cabeça.
Bori é um ritual que harmoniza ori individual, sério, complexo e profundo.
Por exemplo, o recolhimento para a realização do bori se dá para evitar principalmente que a sombra do oficiado seja pisada.
Ori é o "Deus" portador da individualidade de cada ser humano.
Representa o mais íntimo de cada um, o inconsciente, o próprio sopro de vida em sua particularização para cada pessoa.
Ori mora dentro das cabeças humanas, tornando cada um aquilo que é.
Ori é um Òòrísá mas não o de carrego de cada indivíduo.
Este Òòrísá/Orí tem características estéticas pois não incorpora.
Apenas é cultuado juntamente com os Òòrísás, possuindo um número no jogo de búzios onde “fala”.
A quizila de Ori é a mentira.
Durante o processo iniciático a primeira entidade a ser equilibrada é justamente o Ori, a individualidade pessoal, para que a pessoa não se transforme num mero espelho do Òòrísá.
Um dos mitos sobre Ori diz que ele pode depois de enterrado, voltar ao Orun, levado por Nanã ou Ewá.
Diz este mito que um dia Ori percebeu que era o momento de nascer outra vez e foi falar com Olorum, o Universo, solicitando permissão para nascer na mesma família em que havia nascido antes.
Olorun permitiu, com a condição de que apenas ele, pudesse conhecer o dia de sua morte, sem que Ori pudesse opinar sobre esta questão e que o destino de Ori só pudesse ser mudado quando Ifá fosse consultado.
Orí revela que cada ser humano é único, tendo escolhido suas próprias potencialidades.
Odu é o caminho pelo qual se chega à plena realização de orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas do outro.
Cada um, como ensina Orunmilá – Ifá, deve ser grande em seu próprio caminho, pois, embora se escolha o ori antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.
Esú , por exemplo, nos mostra a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher.
Ponderar e escolher a trajetória mais adequada é tarefa que cabe a cada ori, por isso o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por meio do bori que tudo é adquirido.
Os mais antigos souberam que Ajalá é o Òòrísá funfun responsável pela criação de ori.
Dessa forma, ensinaram-nos que Òòsàálá sempre deve ser evocado na cerimônia de bori.
Yemonja é a mãe da individualidade e por essa razão está diretamente relacionada a orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.
A própria cabeça é síntese de caminhos entrecruzados.
A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabem, muitas vezes, se configurando como sinônimos) começam no ori, que ao mesmo tempo aponta para as seguintes direções:

OBI ORI - A TESTA
OBI OKAN - O CORAÇÃO
OPA OTUM - MÃO DIREITA
OPA OSSI - MÃO ESQUERDA
ESE OTUM - PÉ DIREITO
ESE OSSI - PÉ ESQUERDO

Da mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, leste e oeste; o centro é a referência , logo toda pessoa deve se colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os pontos cardeais: os caminhos a escolher e seguir.
A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.
Na África, ori é considerado um deus, aliás, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, junto com o sopro da vida (emi) e o organismo (ese), um conceito fundamental para compreender os ritos relacionados a vida, como axexê (asesé).
Mas será sempre abian aquele que não se submeter aos rituais de iniciação completo.
Nota-se a importância desses elementos, sobretudo o ori, pelos orikíns, com que são evocados:
O bori prepara a cabeça para que o Òòrísá possa manifestar-se oportunamente plenamente.
Há um provérbio nagô que diz: Orí buru kó si Òòrísá.
É o bori que torna a cabeça ruim não ter Òòrísá.
É o bori que torna a cabeça boa.
Entre as oferendas que são feitas ao ori algumas merecem menção especial.
É o caso da galinha d’angola, chamada nos candomblés de etú ou konkém, que é o maior símbolo de individuação e representa a própria iniciação.
A etu é adoxu (adosú), ou seja, é feita nos mistérios do Òòrísá.
A etu só é oferecida ao iniciado após este ter completado seus sete ajos (odu ijé) e arriado obrigação. Não se,pode dar adoxú à quem não o posssui.
Ela já nasce com adosú, por isso relaciona–se com começo e fim, com a vida e a morte, por isso está no bori( para aqueles que já tem e pagaram ou arriaram o Odú ijé) e no axexê.
O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho( observar as restrições desse sacrifício aos omo Òòrísá Yemonjá ).
As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura.
Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinação, simbolizam fartura e riqueza.
O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar( observar as restrições desse sacrifício aos omo Òòrísá de Òsún).
A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a ori; é a boa semente que se planta-se e espera–se que dê bons frutos.
Obí é o fruto da vida.
Nota para o orogbô que substitui o obi, aos interditos.
Entre outros elementos e comidas.
Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranqüilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao ori de cada um eleger prioridades e, uma vez cultuado como se deve, proporciona-las aos seus filhos.
🌱🌾🍀🌿


Nós do Ilé Àse Alaketu Odara Enìkedjí  parabenizamos a amada Ekedjí  Isabel D'Òsún - Sra. Isabel Oliveira Borges  - a ca...
10/05/2023

Nós do Ilé Àse Alaketu Odara Enìkedjí parabenizamos a amada Ekedjí Isabel D'Òsún - Sra. Isabel Oliveira Borges - a cada ano, no dia de hoje, completa mais um odù e agora são Mẹ́tàdínlọ́gbọ̀n ( 37 anos ) dedicados ao Candomblé Ketu e aos Òòrísás.
Amamos mais a Sra. sempre, que na sua simplicidade, lealdade e dedicação conquista a todos.
São trinta e sete anos de confirmada, não só como ekedjí, mas à Ìyá Òsún.
Que neste dia, do seu merecido Odù e todos os dias de sua vida, desfrute da abundância de Òòrísás ao máximo, pois a Sra merece muito mais que lhe oferecemos e, sobretudo, ser feliz sempre.
Uma dama do Candomblé!

Ìyálòrísá Marli D'Sàngó
Ilé Àse Alaketu Odara Eníkedjí
Candomblé Ketu
Guaíba - RS
Fone: (51) 981840326







Endereço

Rua Raul Pilla, Nº643
Guaíba, RS
92728/020

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 18:00
Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sábado 09:00 - 18:00

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