04/03/2020
Caríssimos, nenhum outro dia exige e outorga esta fortaleza mais do que os dias atuais: dedicando-lhe uma observância especial, adquirem-se hábitos duráveis.
É do nosso conhecimento, pois, que este é o tempo em que, no mundo inteiro, com o diabo enraivecido, o exército cristão deve combater e, se a preguiça esfriou apenas ou se a dedicação encontrou outros ocupados, agora é preciso que sejam fortificados pelas armas espirituais, incendiando-se com o chamado da trombeta celeste para empreender o combate: porque aquele por cuja “inveja a morte entrou no mundo” (Sb 2,24), queimasse neste momento por enorme inveja, angustia-se neste momento por enorme dor, ele vê, com efeito, que novos povos provenientes de todo o gênero humano são introduzidos na adoção dos filhos de Deus, e vê multiplicar-se o parto da regeneração através da fecundidade virginal da Igreja.
Ele se vê privado do direito de seu domínio, expulso dos corações daqueles que antes possuía; vê afastados dele, de um e de outro s**o, milhares de velhos, de jovens, de crianças; vê que nem o pecado pessoal, nem o pecado original não são obstáculos para ninguém, porque a justificação não é atribuída aos méritos, mas concedida apenas pela liberalidade da graça; vê até mesmo os que caíram, enganados pela armadilha de suas mentiras, lavarem-se nas lágrimas da penitência e abertas as portas da reconciliação pela chave apostólica serem admitidos aos remédios da reconciliação. Ele sente, ainda, a aproximação do dia da paixão do Senhor: vai ser derrotado pelo poder desta cruz que, no Cristo, isento de todo débito em relação à morte foi a salvação do mundo e não a pena do pecado.