29/12/2021
A CRUCIFIXÃO - Na época do nascimento de Cristo, a crucifixão havia sido adotada pelos romanos e era usada por todo o império para executar os escravos fugitivos, os criminosos estrangeiros, os piratas e os rebeldes políticos das nações subjugadas. Os cidadãos romanos estavam por lei isentos de sofrer esse suplício, que em todo o mundo antigo era considerado o modo mais atroz, horrível e vergonhoso de execução.
*Publicado por Júlio César Prado
As pessoas condenadas à crucifixão eram primeiro cruelmente açoitadas. O açoite era um instrumento de castigo sumamente desumano. Consistia em quatro ou cinco bolas de chumbo penduradas em correntes que estavam ligadas a um cabo de madeira. De cada bola, com cerca de dois centímetros de diâmetro, saíam pequenas pontas de ferro em todas as direções. Esse cruel instrumento, com o qual se dilaceravam as costas nuas do condenado, não só rasgava a pele, mas também esmagava os músculos e os tecidos. Se usado em excesso podia facilmente matar a pessoa. Logo após o flagelo do açoite, o réu, sangrando profundamente, era conduzido ao lugar da execução.
As crucificações se faziam sempre em ruas movimentadas ou em praças públicas, de modo que a maior quantidade possível de pessoas presenciasse a execução, ou pelo menos visse, ao passar, os réus pendurados em agonia e vergonha. Isso era feito para que o suplício servisse de lição. Os condenados eram despidos completamente de suas roupas, e pendiam nus entre o céu e a terra, expostos ao ridículo e à zombaria do público. É, portanto, evidente que os antigos consideravam essa classe de execução não somente como a mais horrível, mas também como a forma mais vil e vergonhoso de morrer.
O famoso estadista romano Sêneca relata que os desapiedados e sádicos soldados, às vezes, cravavam até os órgãos se***is dos homens crucificados. Cristo não foi poupado da vergonha de ficar despido antes da crucifixão, como bem o indicam os quatro evangelhos (São Mateus 27:35). Compassivamente, os artistas cobrem a Jesus com um pano, ao representarem a crucifixão em suas pinturas. Os evangelhos também informam que, através das trevas, Deus o Pai escondeu misericordiosamente a vergonhosa cena do Gólgota, afastando Cristo dos olhos imorais de inimigos e observadores, nas Suas últimas três horas de vida (Mateus 27:45) (Foto: Ilustração/Divulgação).
*Júlio César Prado é jornalista