Comunidade Zen Budista de Goiás

Comunidade Zen Budista de Goiás Grupo de Estudos Zen de Goiás http://zenbudismo.com.br

O Grupo de Estudos Zen de Goiás, foi fundado em 2008 com o objetivo de disseminar os conhecimentos e práticas do Zen Budismo sob a orientação direta de Monge Genshô, aluno de Dosho Saikawa Sôkan Roshi, abade do Templo Hosenji em Yamagata-ken, Japão e o atual abade do Templo Busshinji em São Paulo. Superior Geral da Escola Soto Zen para a América do Sul desde maio de 2005. GRUPO DE ESTUDOS ZEN DE G

OIÁS
Site:
http://zenbudismo.com.br
Blog:
http://www.zengoias.blogspot.com/
Canal Youtube:
http://www.youtube.com/budismozengoias

Prezados amigos do Grupo de Estudos Zen de Goiás,Em função do FERIADO do Aniversário de Goiânia, NÃO TEREMOS ATIVIDADES ...
23/10/2013

Prezados amigos do Grupo de Estudos Zen de Goiás,

Em função do FERIADO do Aniversário de Goiânia,
NÃO TEREMOS ATIVIDADES NESTA QUARTA-FEIRA.
Voltaremos às nossas atividades normais na próxima quarta-feira, 30 de Outubro .
Obrigado a todos.
Gasshô
_/\_

22/10/2013

Excelente texto de Rev. Dosho Saikawa publicado no Soto Zen Journal (Japan) Dharma Eye - Edição 32 Agosto de 2013, uma aula sobre o Zen no Brasil e na América do Sul.

110th Anniversary of Soto Zen Teaching Activities in South America
Rev. Dosho Saikawa
Director of the Soto Zen Buddhism
South America Office

Soto Zen teaching activities in South America began in 1903 when Rev. Taian Ueno was appointed by the Head Priest of Sotoshu to come to Peru. Immigration to Peru started in 1899. A Sotoshu priest with a passion to spread the teaching crossed the ocean together with immigrants of the early date.
In South America among the countries which has accepted the immigrants from Japan,
except Peru, Brazil is the biggest. It has the greatest number of Japanese immigrants but immigration from Japan to Brazil started in 1908, a little bit later than Peru (continua emhttp://global.sotozen-net.or.jp/eng/dharma/pdf/32e.pdf )

Entrevista com Monge Genshô a respeito do Budismo Zen para o programa Mosaico da TVBV.https://www.youtube.com/watch?v=S_...
27/09/2013

Entrevista com Monge Genshô a respeito do Budismo Zen para o programa Mosaico da TVBV.
https://www.youtube.com/watch?v=S_wyzdEQpDQ

Entrevista com Monge Genshô a respeito do Budismo Zen para o programa Mosaico da TVBV. Todos os direitos reservados aos produtores originais deste conteúdo. ...

25/09/2013

C A R M A

Como o carma pode funcionar para cada indivíduo, se a individualidade é apenas ilusão? A parte que me causa problema é imaginar que a individualidade é totalmente ilusória. Se o que o que o senhor diz é a verdade, parece que se anularia a noção de progresso: o universo daria sempre no mesmo. Para que ter consciência se, na cena final, na vitória final,vai-se compreender que o ego e a individualidade são sustentados pela desejo ardente de defender o ''eu''? O ser consciente chega a essa realização e a consciência, com esse valioso conhecimento e com vidas de experiência, se apaga?

Muito interessante a pergunta. Até porque é exatamente assim que o universo parece se comportar. Ele não parece ser infinito. Se o fosse, quando você saísse ao relento, à noite ,o céu seria branco, reluzente como o sol, porque para qualquer ponto que você olhasse, veria uma estrela e, na infinitude, não haveria pontos sem luz.

Para o Budismo, os universos são cíclicos e múltiplos. Não se destinam ao surgimento de seres, simplesmente acontecem ''big bangs'' e colapsos finais em que tudo desaparece, ou em entropia, ou em implosões. Mesmo assim, tais explicações não importam ao Budismo, que não tem como objetivo dar explicações científicas, mas visa à libertação. Obtida esta, o próprio Budismo deve ser abandonado, como um barco que serviu para atravessar um rio.

O carma tem repercussões nas ondas de manifestação individuais, que não são o mesmo ''eu'', tal como a chama que acende uma vela não é a mesma chama. Mas, de outro ponto de vista é a mesma chama... Assim são as vidas, chamas que são passadas, sem individualidade, mas guardando suas características.

Os tempos universais têm progresso, mas ele não é contínuo e há retrocessos. Não tenho dificuldade em imaginar a onda de um criminoso nazista se manifestando em um cachorro sarnento em um país miserável por milênios, até que seu carma se esgote... Também basta colocar o pé na Alemanha para ver que os jovens alemães de hoje sofrem o carma que herdaram do passado de seu país. Temos o carma de nosso país, de nossa família, de nossa onda individual, de nosso planeta...

O Vazio a que pertencemos tem tudo. Nós é que nos perdemos nesta pequenas e limitadas manifestações individuais. Nada há para ser perdido. Nem para ser obtido. A iluminação é libertação desse eu aprisionado, limitado, sem conhecimento. Um universo cessa quando seus carmas se esgotam, quando a energia se equilibra sem distinções. Querer guardar algo, obter algo para um eu individual é a cegueira básica que impede a iluminação.

A iluminação já está aqui, agora, só não a vemos porque a ilusão do eu deseja obter sabedoria, poder, vitórias, conhecimentos, mergulhando-nos em um sonho sem fim. É por isso que despertar desse pesadelo é que faz de um homem um Buda. Buda, afinal, quer dizer, Desperto, O que acordou.

PERGUNTA Nº 251 - publicada no portal Daissen http://www.daissen.org.br/

Portal zen-budista do Templo Daissen Ji, sob orientação do Reverendo Monge Meihô Genshô, de Florianópolis - SC

O TRABALHO DOS MONGESNa foto à esquerda, Thomas Merton, escritor, conferencista, monge trapista católico. À direita o Da...
23/09/2013

O TRABALHO DOS MONGES

Na foto à esquerda, Thomas Merton, escritor, conferencista, monge trapista católico. À direita o Dalai Lama, líder político e governante do Tibete,grande conferencista também, atualmente no exílio.

Ao tempo de Buddha, a primeira regra estabelecia que o monge viveria de mendicância, não trabalharia, nem guardaria nada para o dia seguinte. No zen budismo, quando este chegou à China, já havia se transformado em um movimento Mahayana, a grande tendência que levou o budismo a relativizar a distância entre leigos e monges, dissolvendo muitas diferenças. Os monges passaram a cultivar a terra dos mosteiros e ficaram menos dependentes da comunidade, um isolamento a ser considerado, desde que a mendicãncia criava laços fortes de interdependência.
O Sutra de Vimalakirti enfatiza que todas as profissões dignas são trabalhos do bodisatva, e seu principal personagem é um rico comerciante reverenciado pelos discípulos de Buddha a quem vence em debate do Dharma.
Hoje, no Brasil, e no ocidente em geral, é muito difícil que um monge seja plenamente sustentado pelas comunidades, em geral os monges são obrigados a ter seu trabalho pessoal, mais ainda se considerarmos que a maioria dos monges zen é casada em todo o mundo (um ponto relevante, em várias escolas japonesas de igual conduta a palavra usada tem sido trocada, da tradução "monge" para "reverendo") aumentando as necessidades financeiras.
Assim os monges tem preservado a profissão pessoal, uns são massagistas, outros, tem empregos públicos, médicos, consultores empresariais, tudo dependendo de sua formação e talentos pessoais.
A habilidade de conferencista é especialmente conveniente, permite falar a diferentes públicos entremeando as necessidades destes com os ensinamentos do Dharma, percebendo que o palestrante é um monge muitas pessoas entendem a possibilidade de uma vida espiritual dentro da atividade profissional, justamente o caminho disponível para o leigo. A maioria dos praticantes de nossas comunidades conheceram o zen através destas palestras para o público em geral.


Originalmente Postado por Monge Genshô em: sábado, 28 de novembro de 2009

http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2009/11/o-trabalho-dos-monges.html

19/09/2013

O T R I K A Y A

Perguntas:

Nesse sentido então, o Zen como conhecemos hoje, tão direto e não tão místico, mais cético, mais pé no chão, assumiu essa forma na China? Pois o Hinduísmo é mais místico, com deidades, é mais esotérico.


Monge Genshô – Sim, é verdade, o Zen sofreu uma grande influência chinesa. Ele chegou à China perto do ano 600 d.C. com Bodhidharma, muito provavelmente vindo de uma das escolas primitivas do Budismo.

Na época do segundo concílio, 300 anos após a morte de Buda, já se contavam dezoito escolas, a maioria desapareceu. Uma escola que ainda permanece descendente de uma daquela época é a Escola Theravada, mas que também é uma escola com incorporações de vários tipos. O Zen, não por acaso, se parece bastante com a Escola Theravada, mas se caracteriza por ter um grande numero de incorporações culturais dos vários lugres por onde passou. Da Índia para a China, depois para o Japão e agora para o ocidente. Nós já temos incorporações culturais ocidentais. Isso que fazemos aqui já é uma incorporação. Pessoas sentadas ouvindo palestra do Dharma já é uma incorporação cultural. Batizados Budistas e casamentos Budistas também são incorporações, pois no Budismo original não existiam. Havia festas de casamento no oriente onde os monges eram convidados, mas iam para comer. Já o batizado de crianças é um fenômeno dos últimos cem anos, totalmente ocidental. Como as famílias querem que haja uma cerimonia para o bebê, criou-se uma “cerimônia do nome” que funciona como se fosse um batizado. Não tem a função de limpar os pecados originais, salvar de uma possível condenação ou evitar que a criança seja pagã, mas satisfaz a todos e deixa todos felizes, que é o que o Budismo deve fazer.

Continua: http://www.daissen.org.br/hp/index.php?id=0&s=textos&txt_id=161

Portal zen-budista do Templo Daissen Ji, sob orientação do Reverendo Monge Meihô Genshô, de Florianópolis - SC

BodhisattvasP: O senhor falou que todos podemos nos tornar Budas. Entre os votos do Bodhisattva há aquele em que ele se ...
19/09/2013

Bodhisattvas

P: O senhor falou que todos podemos nos tornar Budas. Entre os votos do Bodhisattva há aquele em que ele se compromete a salvar todos os seres, mesmo que sejam incontáveis. Isso não é contraditório partindo do pressuposto que os seres são inumeráveis?

Monge Genshô – É uma bela contradição. É um paradoxo. Como o Bodhisattva fez esse voto, ele não torna-se Buda. Mas isso não significa que ele não tenha um grande grau de iluminação, que não consiga despertar e realizar-se. No último degrau, na extinção completa, o Bodhisattva abdica para retornar por compaixão. É um voto muito bonito. “Bodhi” significa “mente iluminada”. “Satva” é ser. Então Bodhisattvas são aqueles seres que alcançaram um grau de iluminação e se dedicam a salvar os outros seres. “Maha” significa “grande”, então “Mahasatvas” são grandes seres.


P: Foi Buda quem disse que em vidas anteriores ele era um Bodhisattva?

Monge Genshô – Sim.


Postado por Monge Genshô na terça-feira, 11 de junho de 2013 em: http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2013/06/bodhisattvas.html

Reencarnação????Ola amigos do Dharma,Vamos iniciar nosso blog já com um comentário sobre a chamada do folhetim da Rede G...
13/09/2013

Reencarnação????

Ola amigos do Dharma,

Vamos iniciar nosso blog já com um comentário sobre a chamada do folhetim da Rede Globo. Nas propagandas vemos que há uma mensagem que explicita a crença do budismo na "reencarnação". Nada mais equivocado! Já vemos a partir disso que provavelmente conceitos importantes e básicos de nossa religião já foram distorcidos e contaminados por outras doutrinas alheias, deixando de transmitir a verdade e a consistência dos ensinamentos de Sidarta Gautama aos telespectadores.

O budismo não prega a reencarnação da alma ou de um espírito, ele delineia o renascimento, o fluxo contínuo de nossa consciência. Não estamos aqui falando de um corpo etéreo e sem forma, ou de uma manifestação paranormal, falamos na continuidade dos resultados de nossas ações, de nosso karma. E por isso não há uma identidade definida, nem uma caracterização daqueles que renasce. Mesmo porque Buda nos apresentou vários reinos possíveis nos quais podemos renascer e, assim sendo, não teria como nos caracterizarmos como tal.

Reproduzo aqui um extrato do texto do Venerável Dr. K. Sri Dhammanan, traduzido pelo Dhammacarya Dhanapala (Prof. Ricardo Sasaki) no blog NO QUE OS BUDDHISTAS ACREDITAM :

"Os buddhistas consideram a doutrina do renascimento não como uma mera teoria, mas como um fato verificável. A aceitação da verdade a respeito do renascimento forma um princípio fundamental do Buddhismo. Entretanto, a crença no renascimento não está confinada aos buddhistas; é também encontrada em outros países, em outras religiões e mesmo entre pensadores livres. Pitágoras podia se lembrar de seu nascimento anterior. Platão podia se lembrar de várias de suas vidas anteriores. De acordo com Platão, os seres humanos podem renascer somente até dez vezes. Platão também acreditava na possibilidade de renascimento no reino animal. Entre os povos antigos no Egito e na China, uma crença comum era de que somente as personalidades bem conhecidas, como imperadores e reis, tinham renascimentos. Uma autoridade cristã, Orígenes, que viveu entre 185 e 254 d.C., acreditava no renascimento. De acordo com ele, não há sofrimento eterno no inferno. Giordano Bruno, que viveu no século XVI, acreditava que a alma de todo homem e animal transmigrava de um ser para outro. Em 1788, o filósofo Kant criticou o ensinamento sobre a punição eterna. Kant também acreditava na possibilidade de renascimento em outros corpos celestiais. Schopenhauer (1788-1860), outro grande filósofo, disse que onde a vontade de viver existisse haveria a necessidade de continuidade da vida. A vontade de viver se manifesta sucessivamente sempre em novas formas. O Buddha explicou esta ‘vontade de existir’ como o desejo sedento pela existência. E, claro, os antigos sábios da Índia ensinavam sobre a transmigração de uma alma desde tempos remotos." (para ler o artigo na íntegra clique aqui).

e Venerável Dhammanan continua:

"A doutrina buddhista do renascimento deve ser diferenciada dos ensinamentos de transmigração e reencarnação de outras religiões. Ao contrário do Hinduísmo, o Buddhismo não confirma a existência de uma alma permanente, criada por deus, ou de uma entidade imutável que transmigra de uma vida para outra.
Assim como uma identidade relativa é tornada possível pela continuidade causal sem um Self ou Alma, da mesma forma a morte pode resultar em renascimento sem uma Alma transmigrante. Em uma única vida, cada momento-de-pensamento brilha e se apaga em termos de existência, dando surgimento ao seu sucessor e ao seu perecimento. Estritamente falando, esse momentâneo surgimento e desaparecimento de cada pensamento é um nascimento e uma morte. Dessa forma, em uma única vida passamos por incontáveis nascimentos e mortes a cada segundo. Mas porque o processo mental continua com o apoio de um único corpo físico, consideramos o contínuo mente-corpo como constituíndo uma única vida." (para ler o artigo na íntegra clique aqui).

Sendo assim, não há uma continuidade do corpo ou dos agregados ("skandhas") depois da morte, há somente a continuidade das nossas ações. Uma diferença sutil, mas importante.


Rev. Mauricio Hondaku ()
Soryo da Ordem Shinshu Otani-ha
www.amida.org.br

http://rarajoia.blogspot.com.br/2013/09/ola-amigos-do-dharma-vamos-iniciar.html

Este blog é administrado por professores budistas de escolas tradicionais, qualificados e com autorização para ensinar. O objetivo é ser uma fonte de informação sobre budismo tendo como base a novela "Jóia Rara" da TV GLOBO, corrigindo imperfeições mostradas e explicando eventuais "desvios".

Testemunho sobre os 7 dias de RohatsuA importância de um sesshin(Postagem original, domingo, 23 de dezembro de 2007 em h...
12/09/2013

Testemunho sobre os 7 dias de Rohatsu

A importância de um sesshin

(Postagem original, domingo, 23 de dezembro de 2007 em http://opicodamontanha.blogspot.com.br)


Perguntar-se sobre a importância de um sesshin, para aqueles que o fazem, fizeram ou farão, é uma das questões que soa desnecessária, até mesmo retórica. Um sesshin é importante; por que, de outra forma, as pessoas deslocariam-se de longe para passar dias e dias sentados no zafu? Eu, contudo, peguei-me fazendo esta pergunta, inspirado pela lembrança das minhas dores, dramas e desistências.

Há várias coisas das quais sentimos a diferença somente depois que elas acabam. Engana-se quem acha que, findo um evento, findas as suas repercussões. Durante um sesshin podemos sentir e vivenciar várias coisas, todos nós o sabemos. É somente, porém, quando voltamos para casa, quando voltamos para a nossa rotina, que vemos coisas novas desenrolarem-se – algo que talvez estava lá antes mesmo da viagem.

Uma das importâncias óbvias de um sesshin é o simples fato de que os praticantes reunidos ajudam a manter a prática uns dos outros. Podemos passar a admirar a coragem de Sidarta em sentar-se em zazen sozinho, sem professor, preceptor ou colegas, depois que vemos o quão fracos somos se não praticamos com outros. Não precisamos evocar forças ou energias: a simples pressão social de não abandonar uma sessão de zazen faz maravilhas – eu teria escapado muito, muito antes do terceiro dia.

Importante, também, praticar, neste caso, do lado de um roshi , e de pessoas que praticam o zazen por anos e décadas.

Importante ter a oportunidade – devido a um tempo planejado de prática intensiva – de aprofundar-se no zazen, de poder descobrir estados ainda não conhecidos, de poder ir um pouco mais longe que a prática cotidiana nos permite.

Tudo isto, enfim, importante. Valioso.

Mas há outra coisa importante que desejo deixar para falar aqui: importante é fazer um sesshin, com todas as suas importâncias – e desimportâncias – para ter esta experiência e voltar para as nossas vidas.

Como dizia antes, há coisas das quais o peso delas cai depois: seja fazer sentido depois, seja cair a ficha depois, seja simplesmente revestir-se de outras vivências, depois. Para ser sincero, não tinha muita certeza de porque eu fazia o tal sesshin – ah, por causa do rakussu, uma península de orgulho (o lado bom do orgulho, nos faz fazer coisas que não faríamos com pretensa humildade), para não decepcionar a mim mesmo e aos outros, por uma sede de saber, por um desejo inominável, para pura e simplesmente praticar. Ah, miríades de razões. Mas não tinha certeza e, acima de tudo, nos momentos mais desesperados, para a pergunta "por que você não vai embora?", eu só sabia dizer, depois de um certo tempo: "eu não sei". Prometia a mim mesmo que iria até o final do dia e então, somente de noite, iria ver se ia embora ou não. Cada dia acabava em si mesmo: cada dia um novo dia, nova prática. Cada novo momento. Apesar das várias coisas, apesar das dores e delícias, apesar do rakussu para terminar, apesar dos transeuntes noturnos de São Paulo, apesar do delicioso nabo amarelo, íamos somente indo, fazendo zazen na hora do zazen. Apesar dos diversos pensamentos e distrações.

É agora que, então, olhando para lá, para a semana passada, me pergunto: como foi possível? E não é que aconteceu? Aconteceu. Ao mesmo tempo que pode parecer um sonho, ter um toque de irreal, tem a realidade das coisas não-sonhadas.

O valioso de um sesshin é ter a experiência da prática viva, presente, como um marco. Esta prática constante, este breve período em que nos permitimos e permitimos aos outros que praticassem com mais afinco, ecoará dias e semanas e meses depois, nos lembrando da nossa prática. Mesmo que sentemos muito pouco, mesmo que esqueçamos temporariamente do zazen, mesmo que o ritmo de nossas vidas exija outras prioridades, a experiência está "lá", podemos (tentar) voltar a qualquer momento e nos servir dela.

Qual experiência?

Dogen usava uma expressão interessante para referir-se à prática: prática-esclarecimento, ou prática-iluminação. A prática é iluminação, iluminação é prática; uma não difere da outra. Dizer, porém, que elas são "uma mesma coisa", só que "duas faces de uma mesma moeda" é perder a experiência com palavras: mesmo dizer do Um é perdê-lo irremediavelmente como Um. As palavras vêm, necessariamente, depois, e têm o seu gosto peculiar, muitas vezes saboroso; mas a prática, porém, está além das palavras, não no sentido que as negue.

Zazen é negar nada e afirmar nada. Se tivesse eu feito um esforço para "livrar-me" de todos os impedimentos, de todas as distrações, de todos os "venenos" durante o sesshin, isto não seria zazen: isto seria eu fazendo esforço para livrar-me de impedimentos, distrações e "venenos". Na maior parte do tempo, era isto que fazia: lutando com a dor ou tentando agüenta-la, pensando em desistir e depois arrependendo-me de pensar em desistir. Mas, embora isto não seja o zazen, isto é zazen: eis a nossa vida, eis a nossa prática. Nada de especial, de excepcional, no sentido de que antes mesmo que pudéssemos falar enquanto praticamos ela está lá. É simples, não é? Todos nós o sabemos. Simples mesmo em sua tremenda dificuldade.

"Nadem quanto queiram, os peixes não encontram um fim no mar; voem quanto queiram, os pássaros não encontram um fim no céu." Dogen Zenji.

Afinal, quando falamos de prática, sobre quem estamos falando?

Agora mesmo eu falo de importante e não-importante, de valioso, de prática e iluminação e vida, como se fossem coisas ou separadas ou excepcionais. É uma maneira de falar, uma maneira de passar algo – que eu espero que agrade a uns e sirva a todos.

(Lucas Brandão, após os sete dias de retiro em zazen no Templo Busshinji em SP)

http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2007/12/testemunho-sobre-os-7-dias-de-rohatsu.html

Perguntar-se sobre a importância de um sesshin, para aqueles que o fazem, fizeram ou farão, é uma das questões que soa desnecessária, até mesmo retórica. Um sesshin é importante; por que, de outra forma, as pessoas deslocariam-se de longe para passar dias e dias sentados no zafu? Eu, contudo, peguei...

17/04/2013

Hoje é dia de meditarmos juntos em Sangha e estudarmos um pouco mais sobre o Zen.
Aguardamos todos vocês às 20h, até lá!
Gas

AS PRINCIPAIS CARATERÍSTICAS DO ZENPodemos dizer que o Budismo é a religião-filosofia formada em torno dos ensinamentos ...
04/04/2013

AS PRINCIPAIS CARATERÍSTICAS DO ZEN
Podemos dizer que o Budismo é a religião-filosofia formada em torno dos ensinamentos de Buda. Apresenta-se ele dividido em um grande número de correntes, englobadas em duas grandes escolas: o Mahayana ou Escola do Sul e o Hinayana ou Escola do Norte. O Zen Budismo pertence ao Mahayana. "Zen", uma corruptela do chinês "Ch'an", que é por sua vez uma corruptela do sânscrito "Dhyana", é uma palavra japonesa para expressar aquela - Sabedoria - Compaixão - Força que esta alem de todas as palavras e não pode ser confinada no mais amplo "ismos". É a luz nas trevas da ignorância, a Vida que esta dentro de todas as formas cambiantes e perecíveis. É, ao mesmo tempo, a Vida, a Verdade e o Caminho.
Continue lendo aqui: http://zengoias.blogspot.com.br/2008/07/as-principais-caratersticas-do-zen.html

26/03/2013

PRÁTICA E REALIZAÇÃO SÃO UM

É ensinada no Zen, a unidade da prática e realização (satori). Em outras palavras, não atingimos o objetivo por meio da prática; a prática em si é o objetivo da realização, e o objetivo, realização, é ao mesmo tempo prática.

A visão comum é de que a prática e realização são coisas distintas; que a prática vem antes e a realização depois; que a realização é resultado de se ter praticado. Contudo, a prática Zen é uma disciplina chamada zazen (contemplação sentando-se com as pernas cruzadas), uma realização; e o que queremos dizer com realização é a de atingir um objetivo. Conseqüentemente, pensa-se geralmente que contanto que zazen seja prática e a realização precise ter um objetivo, e aquela realização é este objetivo. Assim, zazen, que tem realização como um objetivo, torna-se um meio de realização deste objetivo. Se viermos a pensar que por um lado temos os meios e, por outro lado, temos um objetivo, então é somente natural que devamos desejar alcançar realização pelo zazen. Do ponto de vista diário isto é bastante correto. Contudo, não se torna um ladrão treinando para roubar; torna-se ladrão àquele que rouba algo de alguém, e da mesma maneira podemos dizer que assumir a postura de zazen é em si o Buda e é realização.

No Zen, a coisa mais condenável é separar prática e realização e interpor entre eles pensamentos e discriminações. Isto é chamado impureza. Mas o zazen precisa ser uma prática pura. Quando praticamos zazen precisamos somente sentar. Somos ensinados a não separar meio e fim e não, esperançosamente, aguardar realização enquanto praticamos zazen.

Fonte: global.sotozen-net.or.jp

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Goiânia, GO

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