02/12/2019
GÁLATAS E A LIBERDADE EM JESUS
A carta da Paulo a Gálatas é uma mensagem sobre a liberdade em Cristo Jesus manifestada pela sua Graça. Paulo buscava admoestar os irmãos da região da Galácia sobre os ensinamentos equivocados de alguns, que ele chama de “infiltrados”, que queriam levar as Igrejas a uma reversão ao judaísmo e a obediência severa a Lei.
Os historiadores acreditam que dentro as 13 cartas atribuídas a Paulo, o livro de Gálatas tenha sido a primeira carta escrita. Os gálatas eram povos das cidades e vilas na região conhecida como Galacia, uma província do império Romano localizada onde hoje conhecemos como Turquia. Entre algumas cidades bíblicas da região, se destacam Iconio, Listra, Derbe, Pisídia, Frígia e outras que Paulo pessoalmente estabeleceu Igrejas. Paulo deve ter escrito a carta no final da sua primeira viagem missionária
De alguma forma, no final da 4º década DC, os irmãos começaram a serem influenciados por “cristãos judaízantes”. Esses cristãos acreditavam que os gentios para serem realmente salvos, tinham que guardar todas as leis de Moisés, inclusive a circuncisão.
Paulo realmente acreditava que tais ensinamentos eram um retrocesso, pois levavam os irmãos gentios a serem “escravos” e não livres em Jesus. Tal ensinamento de Paulo não se restringia aos Gentios. Paulo pregava que o evangelho era libertador: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.” (Gálatas 5:1).
Hoje ao ler o texto de Gálatas, os irmãos que defendem a hipergraça (o que inicialmente achei se tratar de uma nova rede de hipermercados, e não uma nova linha teológica), interpretam que salvação não pode ser perdida - linha extrema da predestinação - e que somos livres para desfrutar de uma liberdade conquistada.
Mas não é bem assim. De fato Cristo Jesus nos libertou. Mas foi do império das trevas, como Paulo fala aos Colossenses. Ele também pagou todos os preços necessários para a nossa salvação, até porque por nossa capacidade pessoal, não teríamos a mínima condição de cumprir os estatutos e alcançar o nível de santidade. Por isso, como fala em Gálatas, somos justificados (justiça que nos salva da condenação) através da nossa Fé em Jesus.
Mas cristianismo também é devoção. Quem dizer o contrário não entende de liberdade em Cristo Jesus. Até porque a liberdade verdadeira é Nele. Apenas se o Deus Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
Veja, no início do texto, Paulo diz que se alguém, seja pastor, apóstolo, anjo vindo do céu e até mesmo ele, pregar um outro evangelho que não seja esse, tal pessoa deveria ser amaldiçoado. A palavra original é “anathema”.
“Anathema” na Septuaginta, é a expressão utilizada para qualquer coisa designada a morte e/ou destruição. Excluída do favor Divino. Paulo estava dizendo que se alguém pregar confusão no evangelho, será condenado.
Portanto se alguém fizer confusão no evangelho será condenado. Uma escolha. Se gero confusão intencionalmente sou condenado. Se aceita e recebo o evangelho verdadeiro, por escolha, sou abençoado.
Mas o texto revela mais. Recentemente ouvi um pastor famosos defendendo outros pastores ligados a ele que, segundo relato do próprio pregador, estavam bebendo, cantando e se divertindo de forma secularizante, em uma confraternização. E ele usou Gálatas para isso, já que Gálatas é a declaração de independência dos cristãos.
De fato, Gálatas prima para a liberdade. Mas uma liberdade que condena a liberalidade das obras da carne descritas nos versos 19 a 21 do capítulo 5. E tudo começa no versos 16 onde Paulo ensina ao cristão a fazer escolhas corretas: “Andai no Espírito e não satisfareis os desejos da carne”
No original, a palavra andai é “peripateō” aplicada a andar exclusivo, irrestrito, mas também a “comportar-se como”. Já satisfarei, mais voltada para cumprir, no original é “teleō” que significa executar, realizar. Ou seja, comportamento e realização são escolhas.
Paulo estava dizendo aos crentes da galacia não escolham o pecado. Escolham viver pelo Fruto do Espírito Santo que em suma trata-se da salvação e regeneração de Cristo Jesus.
A liberdade é uma escolha. E como toda escolha, ela pode ser renunciada e rejeitada.
A Graça de Cristo Jesus nos salva, liberta e regenera. Ela é a verdadeira liberdade. Por ela e através Dele somos livres.
Mas parte de uma decisão nossa.