17/12/2022
As Sete Lágrimas de um Preto-velho
Esta história é muito conhecida no meio umbandista, mas acredito caber bem, pois ela nos ensina como devemos nos portar, não só nos terreiros de Umbanda, mas no dia a dia, na vida, para aprendermos e tentarmos mudar nossas atitudes diante de tudo, buscando sempre o bem comum e o nosso próprio bem.
Num cantinho de um terreiro sentado num banquinho, fumando o seu ca****bo, um triste Preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pela face formando um total de sete.
A Primeira Lágrima: era destinada às pessoas que vêm a um terreiro apenas por distração e para poderem ironizar aquilo que suas mentes atrofiadas não podem conceber.
A Segunda: para aqueles eternos duvidosos, que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.
A Terceira: aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar seu semelhante.
A Quarta: aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, mas não conhecem a palavra gratidão.
A Quinta: aqueles que chegam suaves, com sorriso nos lábios, mas se olharem bem a fundo verá que acreditam na Umbanda, nos caboclos e em Deus, mas somente se resolverem seus problemas ou os curarem.
A Sexta: aos fúteis, que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchego, conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
E a Sétima: como foi grande, e como deslizou pesada! Foi à última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Aos médiuns vaidosos que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam às doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual.