27/03/2026
Liberdade e autonomia espiritual.
Hoje, trazendo um recado inspirado em Osun yponda , essa deusa maravilhosa me inspirou a escrever o que vou escrever agora.
Autonomia e liberdade espiritual estão fora de cogitação nos tempos atuais.
Eu já fui escravo do mercado religioso.
Já fui escravo de expor fundamentos.
Já fui escravo de precisar provar que estou certo, que a minha tese está certa, que o meu axé está certo.
Mas quando você atinge essa liberdade, você não quer voltar a ser prisioneiro.
E como você atinge essa liberdade?
Você não precisa mais impressionar.
Você cultua seus orixás sem holofotes.
Você cuida da sua casa de forma privada.
Você só segue o que é feito no seu axé e nas suas raízes.
Você não contesta o axé do vizinho.
Você não contesta o axé do próximo.
Você não critica a casa alheia.
Nem me sobraria tempo estou dividido entre TV e rádio.
Você não precisa descredibilizar ou desmerecer nenhum outro culto, nenhuma outra religião ou denominação para se sentir forte, angariar seguidores e acumular visualizações.
Você está livre.
Amadureceu.
Você faz o que é bom para você e o que é bom para a sua comunidade.
Sem câmeras, sem filmagens, sem exposição.
Seguindo tranquilamente e distante desse debate religioso que se instaurou nas mídias sociais, de quem está certo e de quem está errado.
Sigo um arroz com feijão sólido, muito bem feito, que dá muito certo para mim e para a minha comunidade.
Se você segue e deu certo, ótimo.
Se você não segue e deu errado, é um problema exclusivamente seu.
E essa liberdade me dá o direcionamento de não precisar acumular cultos.
Não preciso me iniciar em 30 nações ou cultos para me sentir mais forte ou melhor que ninguém.
O Orixá cultuado aqui no Brasil me deu tudo.
O culto ao qual presto ao meu orixá já é suficiente.
E essa liberdade de autonomia religiosa também se dá muito pela estabilidade financeira, pela paz de espírito e por não precisar f**ar explorando nem usurpando ninguém.
Então hoje eu sigo livre, tranquilo, em paz, fluindo como todo espiritualista deveria ser.
E essa liberdade não nasce do dia para a noite.
Ela é construída.
Ela vem de erros, de excessos, de momentos em que você também quis provar, aparecer, convencer.
Até entender que quem precisa provar algo ainda não tem.
Quem precisa mostrar demais ainda não sustenta.
A verdadeira força é silenciosa.
Ela não precisa de plateia.
Ela não precisa de validação.
Ela não precisa disputar espaço.
Porque ela já está posicionada.
Quando você entende isso, você para de competir.
Para de se comparar.
Para de se desgastar.
E começa a viver.
A espiritualidade deixa de ser peso.
Deixa de ser obrigação.
E passa a ser caminho.
Caminho leve.
Caminho seguro.
Caminho verdadeiro.
E quem está nesse caminho reconhece.
Sem precisar falar.
Sem precisar provar.
Sem precisar convencer.
Pai Kleber de Ogum.