28/05/2021
Tempos Difíceis
Ouvindo Zé Ramalho
Sempre que os tempos f**am assim bicudos, lembro das lições. De tudo o que já transpus e reúno na cena velhos conhecidos, sejam eles camaradas, conhecidos, convivas ou não. Observar é velho truque, aprendido, no olhar calmo de meus antepassados. Gente de fibra, que rosnado ou sibilo algum tirava do sério. Pessoal que passou por tantas, que daria pra esboçar livro, destes do Verne, o Júlio.
Ouvindo e comparando o soar dos sinos, alguns enrolados como os velhos tratados e, outros tão modernos que só de imaginar a traquitana meu olhar matuto desconfia. Na geografia ainda hoje há quem não creia, mas se pensar um tanto, essa coisa de duvidar, de não crer de prima, se deve aos revezes , aos contos do vigário, que coitado leva a fama, mas naturalmente se lembrar do Pinóquio, do Collodi, o Carlo, que já naqueles idos nos mostrou o tal João honesto, que tratou de desviar o filho do Gepeto da escola, talvez podemos perceber que a escola nos traz limites e realidades, por vezes duras, lembro bem dos perrengues havidos e vividos.
Continua sempre a encrenca, já vi gente amiga tendo síncopes para fazer filhos entender por bem, ou por vezes a sombra da varinha de marmelo que a caneta pesa menos que a pá e também a marreta.
Neste tempo todo vi muita coisa ocorrer, tem um casal, os Toffler, Heidi e o Alvin, ele falecido em 2016, que lançaram há muitas luas o estudo do mundo dividido em ondas, primeira, segunda, terceira e ultimamente a quarta. Nesses estudos os Toffler nos mostraram que a coisa vai mudando no decorrer do tempo. A Sociedade se transforma e suas atividades também. Há alguns anos, meu Professor do Mestrado, o Ruben R. Rico, um argentino, doutor e torcedor do Racing, me disse: Só sairemos dessa se aprendermos as coisas de novas formas, aprender a desaprender, para conseguir aprender novamente. Isso dito em outra época, certamente meu Tutor de tese, sairia na camisa de força.
Mas vejamos, os costumes, a tecnologia, as relações, tudo está mudado, ou por forma, ou por conteúdo. Os carros serão num momento do tempo no mundo todo movidos por eletricidade. Isso irá alterar muito a forma como valorizaremos de outra maneira o petróleo. Se vocês perceberem o que Dubai, nos emirados árabes, está construindo, poderão entender. O Ouro negro lá, trará outro tipo de riqueza, talvez seja movida em grande parte pelo turismo. E num movimento lembro que meu Velho Pai dizia, Filho, as últimas coisas que o ser humano fará, será vestir e alimentar-se. Duas áreas comerciais valiosas.
Desde então temos visto pontos geográficos desconhecidos nos mapas da época do primário, crescendo em importância e riqueza.
Aliás, desconfio que os mananciais de águas serenas da terra brasilis irão aumentar e muito sua importância nesse caldo todo.
E, bem próximo da gente, os “Patinhos Feios” poderão se tornar belos cisnes.
Pensar fora da caixa, ainda é um excelente negócio.
Criative-se, mas nunca esqueça de que sonhar é preciso, mas botar a mão na massa fundamental.
Marco Girardello
Coluna publicada na Edição de 28052021 do Jornal Folha do Noroeste , impressa e on line.