10/05/2026
Segundo domingo de maio
Dia das Mães
// amor que gera, sustenta e se doa //
“Pode uma mulher esquecer-se tanto do filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.” — Isaías 49:15
O amor materno é um dos sinais mais profundos da graça de Deus entre nós. Ele se manifesta no cuidado silencioso, na presença constante, na coragem que enfrenta dores sem fazer alarde. Mãe é quem gera, quem cuida, quem permanece. E onde houver um corpo amparando outro, um coração protegendo outro, ali está a encarnação deste amor que é também divino.
Neste Dia das Mães, lembramos das mães biológicas, mas também das mães sociais, espirituais, comunitárias. Lembramos das avós, tias, madrinhas, cuidadoras, irmãs mais velhas, mulheres que assumem o cuidado como vocação. Honramos a ternura que sustenta o mundo.
Maria, mãe de Jesus, é para nós exemplo de maternidade que abraça a missão com coragem e fé. Ela gerou o Salvador, o acompanhou até a cruz e permaneceu firme com os discípulos após a ressurreição. Maria viu seu filho ser perseguido, torturado e executado por forças do Estado, sob pressão religiosa. Sua dor é a dor de tantas mães que perdem filhos para sistemas injustos e violentos. Maria nos ensina que amar é também sofrer, esperar, confiar e recomeçar.
A dor de Maria se reflete na dor das mães palestinas e libanesas, que enterram filhos em meio aos escombros da ocupação sionista, vítimas de um conflito injusto que transforma lares em alvos. Reflete-se também na dor das mães periféricas brasileiras, que veem seus filhos tombarem sob a bala que deveria proteger, em um sistema que marginaliza, criminaliza e abandona. Todas essas mães compartilham a mesma esperança teimosa, o mesmo amor resiliente, a mesma coragem silenciosa que Maria carregou aos pés da cruz.
Vivemos em um tempo que exige das mães jornadas exaustivas, muitas vezes solitárias. Mães que criam sozinhas, que trabalham em dobro, que enfrentam o preconceito, a falta de apoio, a pressão social. Mães que também são filhas, irmãs, cidadãs e lutadoras.
Por isso, neste Dia das Mães, proclamamos:
Amor sem condição não é desculpa para a sobrecarga.
Toda mãe merece apoio, tempo e cuidado.
Maternidade não é obrigação nem destino. É escolha, compromisso e responsabilidade coletiva.
Respeito às mães negras, pobres, periféricas, originárias.
Saúde mental, física e espiritual para quem cuida.
Direito a criar com dignidade, sem violência e sem medo.
Políticas de apoio à maternidade real, e não apenas idealizada.
Gratidão a todas as mulheres que nos trouxeram até aqui.
Que sejamos comunidade viva que acolhe, protege e caminha com as mães do mundo. Que nossa fé não reproduza culpas, mas liberte afetos. Que ao redor da mesa, lembremos: toda vida que nasce carrega uma história de cuidado. Que cuidemos, então, das que cuidaram de nós.
// Oração pelo Amor que Cuida
Deus, pai materno, de ternura e justiça, que se revelou entre nós no ventre de Maria,
ouve a oração da tua Igreja, reunida em gratidão e cuidado.
Tu que conheces a beleza e os desafios da maternidade,
acolhe em teu amor todas as mulheres que geram, cuidam, protegem e educam.
Fortalece as mães que seguem firmes na fé em meio ao cansaço,
ampara as que foram esquecidas e consola as que vivem luto e saudade.
Faz de nossas comunidades sinais do teu Reino,
lugares de acolhida, escuta e dignidade para todas as mães.
Sopra sobre nós teu Santo Espírito, a Ruah,
para que sejamos fiéis no compromisso com a vida,
e aprendamos contigo o amor que liberta e sustenta.
Em nome de Jesus, por Maria, serva do Senhor e mãe do Salvador,
te oramos com confiança. Amém.
Texto e arte: Claudio Siqueira, Missão Santo Agostinho de Cantuária – DAPAR