SER PARÁCLITOS
No Evangelho Jesus fala aos discípulos sobre o Espírito usando o termo “Paráclito”, que signif**a consolador, ou defensor, ou as duas coisas. No Antigo Testamento, Deus é o grande consolador de seu povo. Este “Deus da consolação” (Rm 15, 4) se “encarnou” em Jesus Cristo, que se define de fato como o primeiro consolador ou Paráclito (Jo 14, 15). O Espírito Santo, sendo aquele que co
ntinua a obra de Cristo e que leva a cumprimento as obras comuns da Trindade, não podia deixar de definir-se, também Ele, Consolador, “o Consolador que estará convosco para sempre”, como Jesus o define. A Igreja inteira, depois da Páscoa, teve uma experiência viva e forte do Espírito como consolador, defensor, aliado, nas dificuldades externas e internas, nas perseguições, na vida de cada dia. Nos Atos dos Apóstolos lemos: “A Igreja se edif**ava e progredia no temor do Senhor e estava cheia da consolação (paráclesis!) do Espírito Santo” (9, 31). Devemos agora tirar disso uma consequência prática para a vida. Ainda que é certo que o cristão deve ser “outro Cristo”, é igualmente certo que deve ser “outro Paráclito”. A frase do Apóstolo aos cristãos de Tessalônica: “Confortai-vos mutuamente” (1Ts 5, 11), literalmente se deveria traduzir: “sede paráclitos uns dos outros”. Se a consolação que recebemos do Espírito não passa de nós aos demais, se queremos retê-la de forma egoísta para nós, logo se corrompe. Daí o porquê de uma bela oração atribuída a São Francisco de Assis, que diz: “Que não busque tanto ser consolado como consolar, ser compreendido como compreender, ser amado como amar…”.