10/12/2025
Existem dois perigos quando um pregador fala de política. Um caminha com os olhos bem abertos, o outro, com os olhos fechados. Mas ambos desviam o púlpito do seu chamado.
O primeiro acontece quando o pregador se aproxima do texto bíblico já decidido sobre o que deve dizer. Ele lê o texto com os olhos bem abertos para o cenário social, mas não com os olhos abertos para ser corrigido pela Palavra.
Em vez de deixar a Bíblia moldar sua visão, ele a manipula para confirmar aquilo que já acredita. O resultado é uma hermenêutica pecaminosa, onde as perguntas já estão respondidas antes mesmo do texto ser lido.
O segundo erro, ao contrário do primeiro, não é cometido com os olhos abertos, mas com os olhos fechados. Trata-se de um equívoco de interpretação, não de intenção. O pregador, convencido de que está apenas expondo fielmente o texto, lê as Escrituras sem perceber os filtros que traz consigo. Ele não deseja distorcer a Palavra, mas acaba fazendo isso ao interpretar a mensagem bíblica pelas lentes do seu contexto social, político ou emocional.
Lê Moisés como um libertador de sistemas modernos. Enxerga Paulo como um defensor de sua economia preferida. Usa palavras como “justiça” e “reino” com sentidos herdados do noticiário, não do evangelho. E assim, sem querer, transforma o púlpito em um espelho, que reflete mais sua formação política do que a Palavra eterna.
Pregar sobre política, portanto, não é o problema. O problema é não saber de onde se está falando, nem a quem se está servindo.
O púlpito não existe para preservar o conforto dos seus líderes. Ele existe para anunciar o Reino que confronta todos os reinos. O pregador não sobe para reafirmar sua visão de mundo, mas para ser, junto com a igreja, corrigido, sacudido e enviado por algo muito maior.
O risco, portanto, não está em falar de política. Está em esquecer que toda vez que o púlpito se curva, ele deve se curvar à cruz, e a mais nada.
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