A Igreja das Dores, com 80 anos, apresenta uma rica e bela história, à semelhança de outras que se construíram à força da fé e da devoção particular e coletiva.As gerações mais novas que passam, ou residem no bairro de Otávio Bonfim e adjacências, e olham a igreja com a habitualidade com que os olhos se acostumaram, ignoram a história do templo e de como ele nasceu para servir de guia àquele antes
atrasado e inexpressivo meio. Pretendemos contar um pouco desses fatos para os jovens que amam a sua cidade, mas desconhecem, à falta de maiores dados, o início das coisas que vêem e admiram. Vamos assistir ao lançamento da pedra fundamental da Igreja de Nossa Senhora das Dores, que sucedia à antiga capela de São Sebastião levantada na praça a que deu seu nome, depois soerguida na antiga Estrada do Gado, hoje rua Dr. Justiniano de Serpa.
É uma primeira sexta-feira de 1º de março de 1929. o local está apinhado de curiosos, de gente humilde das redondezas, que aguarda a chegada das autoridades. Bandeirinhas fincadas em postes dão um tom festivo ao ambiente. De um lado, pilhas de tijolos indicam que a obra terá início em breve. Para a cerimônia vão chegando, além do monsenhor Antônio Tabosa Braga, vigário da freguesia de Nossa Senhora do Carmo e vigário geral da Arquidiocese, representantes dos R. capuchinhos, lazaristas, jesuítas, irmãos maristas e do Seminário Maior, representantes do governador e do prefeito. Todos aguardando, ansiosos, a chegada do excelentíssimo reverendíssimo senhor arcebispo metropolitano do Ceará (assim se escrevia naquela época), Dom Manoel da Silva Gomes, a quem caberá benzer solenemente a primeira pedra da Igreja de Nossa Senhora das Dores e a do Convento de São Francisco de Assis, conhecido posteriormente e popularmente, por Convento de Santo Antônio. A banda da Polícia executa dobrados em honra dos festejos.
“Numa caixa-forte colocada ao lado do poente, debaixo da porta principal, um metro abaixo do nível do chão, ficaram depositados: o documento com as assinaturas, atestando a solenidade da colocação da primeira Pedra, os jornais do dia e diversas moedas. Da mesma forma está na esquina do sobrado do Convento, ao lado poente, a caixa-forte com os documentos que se relacionam ao ato da primeira bênção da Primeira Pedra do Convento”. (Livro de Tombo, nº 1).