13/02/2016
A CEGUEIRA NA BÍBLIA
Um dos milagres mais comoventes de Jesus foi a cura do cego de nascença (Jo. 9,1-41). Na Bíblia a cegueira se liga a endurecimento do coração, ao tema da luz e das trevas, à hipocrisia e, consequentemente, ao pecado.
A narrativa joanina é dinâmica e fascinadora. Os literatos são unânimes em ver nesta página evangélica um dinamismo admirável e o exemplo vibrante de uma descrição de múltiplas atitudes e reações humanas comovedoras.
Cristo se revela neste episódio como luz do mundo e realiza um prodígio que é uma iluminação corporal a encher de júbilo alguém que jazia nas sombras.
A investigação feita pelos fariseus, com o fito de descobrir violação do sábado, e a conversão daquele miraculado, que passa também para o reino da luz espiritual, professando abertamente a divindade de Jesus são lances marcantes deste texto maravilhoso. Adite-se a aplicação prática que o Mestre fez do ocorrido e se conclui que se trata, realmente, de cenas que oferecem notáveis lições.
Quando se desce a detalhes se percebe, inicialmente, uma indagação curiosa dos discípulos: "Mestre quem pecou para que nascesse cego, ele ou os seus pais?" Não se trata aqui de uma crença na metempsicose, mas de uma noção popular, sem base científica ou teológica, que atribuía a enfermidade o resultado de um castigo dos pecados paternos. O certo é que aquela cegueira iria ser ocasião de Jesus, luz do mundo, manifestar seu poder e a finalidade de sua missão nesta terra.
O gesto do Redentor misturando lama com saliva tem um duplo significado: lembrança de que o homem é pó e um dia retornará ao pó e também uma recordação do Verbo encarnado de Deus que se fez homem, assumindo um corpo mortal.
O cego foi à piscina de Siloé, cuja água simboliza claramente o batismo, pelo qual o ser humano é iluminado pela graça santificante. Por se tratar de um notável prodígio, o fato daquele homem que recuperou a vista afirmar sua identidade é de suma importância, dado que confirma um acontecimento verdadei