05/10/2021
Desde o surgimento de nossa raça, nunca nos identificamos como seres isolados, pelo contrário, sempre nos juntamos em "comunidades", "grupos" com as finalidades mais diversas possíveis, creio que "no princípio" o que motivava essas aproximações era a sobrevivência, posto que com condições ainda não muito práticas para a vida, ajuntar-se seria a melhor opção pra garantir a permanência sobre a terra.
Esse senso de pertencimento de grupo, que julgamos fazer parte de nosso "extinto de sobrevivência", perdurou-se até os nossos dias e tomou formas diferentes dissolvendo-se sob a teia das relações humanas. Digo isso devido aos mais variados grupos que encontramos na sociedade, e com certeza a sensação de semelhança direciona as filiações dos indivíduos a esses grupos.
A fé em Cristo não deixa de passar por esse crivo, no entanto os ensinamentos de Jesus nos dão clareza suficientes pra entendermos que o "senso de pertencimento" não nós faz discípulos, posto que em certa ocasião Jesus disse : "Nem todos que dizem: Senhor! Senhor! Entrará no Reino dos céus.", a partir dessa reflexão, podemos entender que o Evangelho não se trata apenas de um conjunto de pessoas com as mesmas idéias, mesmos gostos musicais, mesmos costumes, mesmas maneiras de se vestir, e sim de um ato de transformação de vida e caráter, caso contrário estaríamos falando de um "clube" e não de "Igreja" enquanto organismo vivo e provocador de mudanças sociais. Esse "clubismo" é fruto do pensamento religioso que aplica o "princípio de uniformidade" pra que assim o controle seja mais facilmente aplicável.
Na fé entregue pelo evangelho experimentamos o "princípio da unidade", porém a pessoalidade de cada um é respeitada dentro dessa experiência, nós somos figurados pelo Apóstolo Paulo como "Corpo de Cristo" e "Cristo é a cabeça", e dentro do corpo cada "membro" tem sua característica única sua "funcionalidade" bem definida, e a máxima é que Cristo é a cabeça, o centro de distribuição, o guia, o responsável pela experiência de "sermos um nele".
No entanto, o que não é característico de fé que o evangelho nos apresenta, é o "individualismo", pois pessoalidade é diferente de individualismo, que por sua vez trata de uma caminhada sem compartilhamento, trancada dentro de si, ou alguma relação pautada no interesse próprio mas que por alguma motivação vinculada a esse interesse a necessidade de se "tornar grupo" passa a ser um meio de impulsor.
O que temos que lembrar é que somos "igreja" como organismo vivo, e não clube de interesses em comum, que somos um só cor.po nele e não caminhamos pela via da individualidade, posto que Nele, nossas personalidades são tratadas porém não são a prioridade da causa, que ele é o cabeça, nós o corpo e em unidade nos movemos para a justiça do Reino.
Nele, em quem somos um, sem sermos sozinhos, pois experimentamos a unidade enquanto parte Dele em Nós