12/03/2024
O AGIR DO AMIGO.
Penso eu que uma pessoa realmente possui, na realidade, poucos amigos. É plausível ter, vários conhecidos e colegas mas, poucos amigos. Não sei o porquê disso mas, isso parece ser um fato. Independente do número, todos precisamos ter um amigo.
A amizade, envolve um relacionamento pessoal e íntimo. O amigo é mais achegado que muitos parentes.
"Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais apegado que um irmão."
(Provérbios 18:24; NVI-br).
Uma pergunta que, não cessa de falar dentro da minha cabeça é: "como agir em tempos de dor com um amigo?"
Em ocasiões tenho me deparado em diversas situações nas quais, eu senti o dever de estar presente em momentos de dor e angústia, e, ainda mais em funerais.
Todavia, um nunca sabe ao certo, o que fazer nessas horas.
Pois bem, nessas horas, quando a alma do nosso amigo sente-se dilacerada devemos expressar a nossa solidariedade. Contudo, como?
"Quando três amigos de Jó, Elifaz, de Temã, Bildade, de Suá, e Zofar, de Naamate,
souberam de todos os males que o haviam atingido, saíram, cada um da sua região. [...]."
(Jó 2:11a).
Três amigos de Jó foram visitá-lo; Elifaz, Bildade e Zofar. Eram eles seus únicos amigos? Acredito que não, pois, Eliú, é mencionado mais na frente no capítulo 32 de Jó.
Jó era rico mas, não sabemos se os três amigos dele eram também ricos. Talvez sim, pois, eles deixaram seus lares e negócios por vários dias.
O ponto é que, um amigo se "importa" por seu amigo. Um amigo se "preocupa" por seu amigo.
Elifaz, Bildade e Zofar não se aquietaram e nem permitiram que, o conforto dos seus lares ou, o compromisso das suas profissões, o impedissem de sair para visitar Jó.
"[...] Combinaram encontrar-se para, juntos, irem mostrar solidariedade a Jó e consolá-lo."
(Jó 2:11b).
Jó não pediu para eles irem vê-lo, porém, seus amigos voluntária e deliberadamente, tomaram a decisão de se encontrarem para combinar o que eles deviam fazer a respeito da situação, atual do amigo deles.
Eles combinaram em mostrar "solidariedade" e "co***lo".
A solidariedade indica a ideia de ser solícito, isto é, estar presente, para dar apoio e ajuda. E, por outro lado, o co***lo é o alívio de uma dor e de um sofrimento.
Note que, o nosso dever nessas horas não é apontar o dedo, não é criticar, não é indagar. Tampouco é questionar e nem explicar nada.
É simplesmente dar solidariedade e, co***lo.
"Quando o viram a distância, mal puderam reconhecê-lo e começaram a chorar em
alta voz. Cada um deles rasgou seu manto e colocou terra sobre a cabeça."
(Jó 2:12).
Quando você tem um amigo, com quem tem um relacionamento pessoal, íntimo, com quem você se importa e se preocupa, em certa forma, você chora quando o outro chora e se alegra quando o outro se alegra.
Você não necessariamente sente a mesma dor e sofrimento mas, sente dor quando vê seu amigo atingido e permeado pelo sofrimento.
É bom nesses casos, expressar ou exteriorizar a dor e a empatia pelo seu amigo.
"Depois os três se assentaram no chão com ele, durante sete dias e sete noites. Ninguém lhe disse uma palavra, pois viam como era grande
o seu sofrimento."
(Jó 2:13).
Ser um verdadeiro amigo, às vezes, implicará estar em lugares e situações nada agradáveis com o intuito de ser solícito e de lhe dar co***lo.
Eles não se importaram em se assentarem no chão.
E o mais importante, muitas vezes pensamos o que devemos dizer nessas horas sombrias mas, na realidade, estamos gastando a nossa energia à toa, pois, a melhor comunicação é o "silêncio".
Pelo fato de estar presente, pelo fato de sermos testemunhas oculares da dor e sofrimento e, pelo fato de expressar a nossa sincera dor e tristeza, já conforta o nosso amigo.
É claro que, "materialmente" falando, caso for necessário, devemos ajudá-lo. Mas, meu foco neste tópico, está na ajuda interna do amigo.
Há muito anos, na época da escola, um amigo meu, tinha sofrido a ruptura de um namoro, e, ele tinha me telefonado para me contar o fato.
Quando ele me ligou, a primeira coisa que eu ouvi foram os soluços e o choro dele.
Eu não conseguia entender o que ele tentava me dizer e, de fato, eu cheguei a achar que a mãe dele tinha falecido!
Depois, de um tempo, ele conseguiu me explicar a situação.
O que eu fiz? Nada. Fiquei ouvindo ele enquanto ele desabafava comigo. Em pequenas brechas eu dei algumas palavras de conforto e isso fez dele se sentir aliviado.
Somente mais na frente, quando ele já estava melhor e recomposto, é que eu dialoguei com ele para lhe dar algum norte.
Nesse trecho da história de Jó, aprendemos como lidar com a tristeza e dor de um amigo.
É bem simples mas, útil, e transcende o tempo.
Cedo ou tarde, provavelmente você terá que visitar alguém.
Lembre-se, então, a maneira em como Elifaz, Bildade e Zofar fizeram, acredito que esta informação será de utilidade para você.
Que Deus continue nos abençoando!
Escrito por Sebastián A. García C.
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