29/07/2026
https://www.facebook.com/share/p/1EFMegLxAU/
O fanatismo político não é convicção firme. É a entrega da própria razão a uma paixão que deixou de ser governada.
Nas últimas disputas eleitorais, vimos famílias divididas na mesma mesa, amizades de décadas rompidas e irmãos tratando irmãos como inimigos, tudo em nome de nomes distantes que jamais souberam da existência de quem os defendia.
A Doutrina Espírita não condena a participação do homem nos assuntos do seu tempo. Ela apenas nos adverte sobre o que acontece quando o sentimento de pertencer a um grupo se transforma em ódio ao grupo contrário.
Na questão 292 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se os Espíritos alimentam ódio entre si, e a resposta é direta: “Só entre os Espíritos impuros há ódio e são eles que insuflam nos homens as inimizades e as dissensões.”
Ou seja, a discórdia não nasce apenas do debate humano. Ela encontra combustível em influências espirituais inferiores, que se aproximam de quem já se dispôs interiormente a odiar.
Ninguém é obsidiado por defender uma ideia. A porta se abre quando a ideia deixa de ser defendida e passa a ser adorada, e o adversário deixa de ser um irmão que pensa diferente para se tornar alguém que merece ser destruído.
Kardec também nos deixou um critério simples para julgar qualquer doutrina, e ele serve igualmente para julgarmos a nós mesmos. Na questão 842 de O Livro dos Espíritos, lemos que “toda doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus não pode deixar de ser falsa e perniciosa.”
Se aquilo que você defende só produz separação, ruptura e desprezo pelo próximo, o problema talvez não esteja no outro lado. Talvez esteja no modo como você tem carregado a sua bandeira.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XII, os Espíritos resumem tudo em uma frase que deveria acompanhar cada discussão que travamos: “o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distancia dele.”
Nenhuma eleição vale o silêncio de um pai que deixou de falar com o filho. Nenhum discurso justifica o rancor que envenena quem o carrega muito antes de atingir quem foi alvo dele.
O único governo que transforma verdadeiramente a sua existência é aquele que você exerce sobre os seus próprios sentimentos.
Que relação você deixou esfriar por causa de uma discussão que, daqui a dez anos, você nem lembrará ter travado?
Por