12/12/2017
DE JOELHOS COM DANIEL
"Todos os presidentes do reino, os prefeitos e sátrapas, conselheiros e governadores concordaram em que o rei estabeleça um decreto e faça firme o interdito que todo homem que, por espaço de trinta dias, fizer petição a qualquer deus ou a qualquer homem e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões." (Dn 6.7)
"Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer." (Dn 6.10)
Daniel era um dos homens de confiança do rei. Seu trabalho e excelência eram marcas que o diferenciavam dos demais presidentes e lhe abriam portas para um futuro promissor (Dn 6.3). Além de ser uma pessoa sábia e excelente em suas ações, outra característica que tornava Daniel conhecido era sua idoneidade diante de todo o povo e de seus subordinados. Ele detinha os atributos necessários para ter o poder em suas mãos e governar sobre a nação. Contudo, mais do que sua sabedoria ou excelência, era visível a todos o seu temor ao Deus de Israel, e esse temor era o norte que guiava seus atos e moldava seu caráter. De fato, Daniel era fiel a Deus e honesto diante dos homens.
Contudo, sabe-se que aqueles que andam em trevas não procuram aliar-se à Luz, pelo contrário, fogem da menor centelha que possa iluminá-los, e como a Luz de Deus resplandecia em Daniel diante de todos, os homens de visão obscurecida e proceder torpe buscaram bloquear tal resplendor a fim de que este não mais fosse visto. Sem alternativas diante da fidelidade e reto proceder de Daniel, intentaram contra sua fé. Decidiram pôr em questão sua lealdade ao rei em detrimento à sua obediência a Deus. Daniel escolheu a obediência ao Rei eterno, não ao rei terreno. Sem hesitar, preteriu a carreira de grande potencial que estava trilhando, as incontáveis riquezas da corte do rei, a oportunidade de governar um povo e até mesmo a própria vida para continuar obediente ao Senhor que detém em suas mãos carreiras, riquezas, governos e poderes.
Hoje, há diante de nós situações trazem consigo um pedido de renúncia ética e moral, chantageando-nos a deixar de lado os desígnios de Deus para receber uma vida de glórias e alegrias efêmeras. Somos incessantemente convidados a negociar a nossa fé e a nossa obediência ao Senhor, mas vemos em Daniel que nada é mais importante a nós do que permanecermos fiéis àquele que tem todo o poder. Deus nos chama a resplandecer cada vez mais diante dos homens (Mt 5.16), ainda que estes tentem nos apagar nossa luz, e ainda que a nossa natureza se contente com a escuridão em troca de delícias mundanas.
Daniel teve sua vida preservada na cova dos leões, e o mesmo Deus que o preservou, fazendo-o sair ileso do local que deveria ser seu túmulo, hoje está ao nosso lado preservando as nossas vidas. Não há poder ou riqueza alguma nessa terra que nos garanta a segurança que recebemos do Altíssimo, e não há homem que possa nos separar da Sua vontade. Somos chamados a continuar firmes diante das perseguições, ainda que elas rujam contra a nossa vida.