18/04/2026
Aconteceu em 1960... Chico decidiu levar a mensagem do Espiritismo para além das fronteiras do Brasil. Acompanhado de Waldo Vieira, ele viajou para os Estados Unidos e, em seguida, para a Inglaterra. Chico fazia com o mesmo ímpeto dos antigos discípulos cristãos, como Paulo de Tarso e Barnabé, que saíram pelo mundo para espalhar a semente do Evangelho.
Durante essa jornada internacional, o médium, que mal havia concluído o ensino primário, produziu uma série impressionante de mensagens psicografadas perfeitamente em inglês. Esses textos acabaram compondo o livro *Entre Irmãos de Outras Terras*, publicado pela Federação Espírita Brasileira.
Nos Estados Unidos, Chico passou por Nova York e depois seguiu para a Carolina do Norte, onde ficou hospedado por cerca de quatro meses na casa do casal Salim Haddad. Nessa mesma época, um jovem médico brasileiro, o Dr. Eurípedes Tahan Vieira — que anos mais tarde se tornaria o médico pessoal de Chico em Uberaba —, estava morando no país, revalidando seu diploma e exercendo a medicina.
Certo dia, os dois caminhavam juntos por uma movimentada rua no centro de Nova York. Chico ainda não era a figura mundialmente conhecida que se tornaria nas décadas seguintes, mas algo extraordinário aconteceu. Um homem desconhecido, que falava espanhol, parou de repente na calçada, olhou para Chico e, tocando o ombro do médium com profunda aflição, fez um apelo desesperado:
— Eu preciso muito do senhor. Minha mulher está passando mal.
O homem era porto-riquenho e, de alguma forma inexplicável, sentiu que aquele brasileiro caminhando pela rua era a única pessoa capaz de ajudá-lo. O Dr. Eurípedes ficou bastante receoso com a abordagem daquele estranho no meio de Nova York, mas Chico, sereno como sempre, pediu ao médico que anotasse o endereço do rapaz.
No dia seguinte, cumprindo a promessa, os dois foram até a casa do porto-riquenho. Ao entrarem no quarto, depararam-se com uma cena de grande sofrimento: a esposa do homem estava em um estado de obsessão severa, contorcendo-se de dor e angústia sobre a cama.
Chico, mantendo a calma, pediu ao marido que colocasse uma vasilha com água sobre um móvel do quarto. Em seguida, ele se aproximou da mulher e começou a aplicar-lhe um passe espiritual. Imediatamente, um fenômeno físico lindíssimo, que Oswaldo de Castro testemunhou várias vezes na presença de Chico, aconteceu: a água transparente da vasilha tornou-se subitamente leitosa e o quarto inteiro ficou impregnado com um perfume maravilhoso de flores.
O alívio foi instantâneo. A mulher parou de se debater e ficou completamente restabelecida. Chico então sentou-se ao lado dela e começou a conversar, amparando-a e orientando-a. O detalhe que deixou o Dr. Eurípedes boquiaberto foi o idioma: o diálogo inteiro fluiu em um castelhano absolutamente perfeito.
Quando os dois saíram da casa e voltaram para a rua, o médico, ainda atônito com o que acabara de presenciar, virou-se para o amigo e exclamou:
— Que negócio é esse, Chico? Desde quando você fala espanhol fluente?
Com a humildade que era a sua marca registrada, Chico sorriu e revelou o segredo por trás do fenômeno da xenoglossia:
— Não fui eu quem falou, Eurípedes. Foi a avó dela que falou por mim...
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Essa história foi contada na obra Notáveis Casos de Chico Xavier, por Oswaldo de Castro