08/10/2021
Nossa Senhora do Rosário
Instituída em 7 de outubro de 1571 pelo Papa São Pio V, por ocasião do aniversário da vitória naval em Lepanto. Vitória atribuída ao auxílio da Santa Mãe de Deus invocada como Nossa Senhora do Rosário. Esta memória tornou-se obrigatória na diocese de Roma e nas confrarias do Santo Rosário em 1573 pelo Papa Gregório XIII, com o título de “Santíssimo Rosário da Bem-aventurada Virgem Maria”. Já em 1716 foi inscrita como festa no calendário romano pelo Papa Clemente XI, era celebrada no primeiro domingo de outubro, como forma de agradecimento pela vitória do príncipe Eugênio contra os turcos em Peterwardein (Áustria), com a libertação de Chipre. Nota-se ainda que esta memória obrigatória se deriva da festa de Santa Maria da Vitória.
O costume de fazer as orações através de uma série de contas interligadas – uso antigo entre muçulmanos e hindus – no catolicismo remonta ao século XII, nesta época a piedade cristã se comprazia em entrelaçar coroas de ave-maria em honra da “Rosa Mística”. Em 1328 um “Rosarius” (coletânea de milagres de Nossa Senhora), foi atribuído a São Domingos de Gusmão, pelo fato de os fiéis atribuírem ao santo a salvação de muitos por causa de suas pregações sobre as ave-marias. Porém, em 1475 o Beato Alano de La Roche (dominicano), será o grande propagador do “Saltério de Nossa Senhora”, termo utilizado invés de rosário. A mudança do título: “festa do Santo Rosário” para “Festa de Nossa Senhora do Rosário” deu-se um 1960.
A espiritualidade deste dia – Festa de Nossa Senhora do Rosário – é um verdadeiro convite a todos os fiéis a rezarem e meditarem os mistérios da vida de Cristo, tendo por companhia a Virgem Maria que está intimamente associada a Encarnação, Paixão e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Nas orações da Missa da festa de Nossa Senhora do Rosário, especialmente na oração depois da comunhão, a Igreja recorda a essência do rosário: é o memorial da eucaristia, ou seja, o rosário faz uma espécie de lembrança ou recordação (anamnese), dos mistérios de Cristo. Quando no rosário anunciamos a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, devemos sempre nos unir à sua paixão para ser participantes da alegria do Reino de Deus. É por esta lógica que São Bernardo – no ofício das leituras - intitula Maria como aqueduto (De aquaeductu), que nos põe em ligação com a fonte: Jesus Cristo. Assim, o rosário é uma forma de meditação ativa, ou seja, um exercício devocional que nos conduz a verdadeira fonte: aprender com Maria a reviver os mistérios que nos salvaram.