27/08/2026
PAPA SOBRE O COMBATE AOS VÍCIOS:
A IGREJA DEVE SER A FAMÍLIA DE TODAS AS PESSOAS
"Nossa contribuição", afirma Leão XIV a participantes de encontro internacional sobre enfrentamento à problemática dos vícios, "deve ser direcionada ao cuidado, à presença e à reconstrução do tecido comunitário", sem ficar indiferentes diante de famílias desestruturadas. Esse fenômeno complexo "revela o fracasso de um mundo desumanizado": que "a Igreja seja a família de todas as pessoas" que ficaram à margem do caminho, pois "não há melhor prevenção contra as dr**as do que boa família".
Andressa Collet - Vatican News
A audiência com o Papa Leão XIV nesta quinta-feira (27/08) marcou o encerramento de três dias de um encontro internacional em Roma direcionado ao enfrentamento do fenômeno dos vícios e do recrutamento de jovens ao crime. Desde terça-feira (25/08), o evento organizado pela Comissão Pontifícia para a América Latina (CAL), pela Pastoral Latino-Americana de Acompanhamento e Prevenção das Adições (PLAPA) do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho), além da Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Dr**as (CICAD) da OEA (Organização dos Estados Americanos), reúne representantes de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Denise Ferreira, coordenadora nacional da Pastoral da Sobriedade, enalteceu que o diálogo e o convívio familiar são ferramentas seguras de prevenção, e não só: "onde a Igreja consegue chegar, a prevenção também consegue chegar", afirmou ela sobre a relevância da integração dos esforços das organizações religiosas que conseguem alcançar as periferias e as comunidades vulneráveis.
O trabalho realizado de forma integral através de "centros de acompanhamento, prevenção, recuperação e integração para jovens, baseados na fé, que vêm da Ásia, África, Europa e América" ganhou reconhecimento do Pontífice que, em discurso, lembrou que "o sofrimento e a esperança não têm fronteiras", sobretudo dos jovens. Os vícios, continuou o Papa, "são um fenômeno complexo que revela o fracasso de um mundo desumanizado". A resposta ao problema das dependências precisa ser através da "prevenção comunitária, atenção científica, justiça com rosto humano e acompanhamento pastoral próximo. Nossa contribuição deve ser direcionada ao cuidado, à presença e à reconstrução do tecido comunitário", explicou o Papa.
As 4 pontes de colaboração da Igreja
Leão XIV, com satisfação, disse ter conhecimento de "quatro pontes" que também estão colaborando na questão dos vícios na América Latina: a primeira é entre a Igreja e os organismos internacionais, "já que ninguém pode enfrentar sozinho o problema das dr**as". A segunda ponte é entre a ciência e a fé, com a compreensão integral da pessoa humana através da Igreja, sem "a pretensão de competir ou ocupar o lugar das neurociências, da psiquiatria ou da saúde pública". A terceira ponte está dentro da Igreja "que peregrina nos diversos continentes" - a exemplo do encontro internacional que se realiza em Roma e dá espaço à partilha de "dores, esperanças e entusiasmos pastorais". Já a quarta ponte é ecumênica, quando a Igreja Católica encontra "uma linguagem comum a partir da fé" para acompanhar a necessidade dos jovens.
A Igreja é a família de quem precisa
Em seguida, no discurso pronunciado em espanhol, o Papa procurou explanar sobre outra instituição importante no enfrentamento à problemática dos vícios: a família, a "Igreja doméstica", como descreveu o Concílio Vaticano II, "lugar onde se cultiva a vida, onde é cuidada e planejada. Não há melhor prevenção contra as dr**as do que uma boa família", reforçou o Pontífice, ao citar inclusive seus predecessores: João Paulo II pediu para "fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão" e, Papa Francisco, a exemplo de Jesus, que "toquemos a miséria humana, a carne sofredora dos outros".
Essa é a missão da Igreja, acrescentou Leão XIV, que "seja uma família, incluindo especialmente as pessoas que sofrem", ajudando a dar uma resposta à dor vivida dentro de muitos lares, "seja pelo uso de dr**as, pela violência, pelo recrutamento de um filho para o crime, pela pobreza ou pela falta de oportunidades que empurram à margem da sociedade":
“Gostaria de expressar um desejo a vocês: que a Igreja seja a família de todas as pessoas que ficaram à beira da estrada. Assim como o samaritano que se fez próximo do homem caído; não passemos indiferentes. Vamos construir uma Igreja que se detém, se aproxima, se comove, unge as feridas, alimenta e se torna um lar.”
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