Paróquia Santo André - Dourados MS

Paróquia Santo André - Dourados MS Paróquia criada em 30/11/13 por Dom Redovino, sendo desmembrada da Catedral. O atual pároco é o Padre Ciro Ricardo da Silva Freitas, empossado em 13/02/2022.

“A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PRECISA SER DESARMADA", DISSE LEÃO XIV SOBRE SUA PRIMEIRA ENCÍCLICA "MAGNIFICA HUMANITAS"Após...
26/05/2026

“A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PRECISA SER DESARMADA",
DISSE LEÃO XIV SOBRE SUA PRIMEIRA ENCÍCLICA "MAGNIFICA HUMANITAS"

Após 135 anos da Encíclica Rerum Novarum, promulgada pelo Papa Leão XIII em 1891, carta que fundou a Doutrina Social da Igreja, o Papa Leão XIV lançou nesta segunda-feira, 25 de maio, na sala nova do Sínodo, a sua primeira Encíclica Magnif**a Humanitas.

A carta apostólica é focada na “salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial (IA)”. O documento propõe um forte alerta para que o progresso tecnológico não substitua a ética e destaca que a tecnologia deve servir ao bem comum e à dignidade humana.

Na introdução à publicação, o Papa pontua o que deseja para a sua primeira encíclica: “Cada geração recebe em herança a tarefa de dar forma ao seu tempo: de fazer amadurecer a história como um lugar onde a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a justiça promovida e a fraternidade possibilitada”.

O papa definiu como um grande sinal de esperança o fato de apesar das diferenças os participantes no lançamento poderem ouvir uns aos outros para discernir os caminhos da humanidade. “Em momentos decisivos da história, a Igreja é chamada a decifrar as coisas novas à luz do Evangelho e da dignidade do ser humano”, disse.

O Santo Padre recordou o olhar do seu predecessor Leão XIII que, há 135 anos, abordou sobre a situação dos trabalhadores no período da Revolução Industrial. “Em um momento de uma virada histórica que ameaçava a dignidade humana, a encíclica Rerum Novarum proferiu sua palavra evangélica e social sobre as coisas novas em curso”.

O Papa disse que a humanidade se encontra num período de transformação semelhante ao experimentado durante o período da Revolução Industrial mas, talvez, com consequências e impactos ainda maiores. “A IA já atinge muitas áreas da nossa vida e afeta decisões que moldam a convivência humana, incluindo a forma como as guerras são travadas”, afirmou.

“Assim como Leão XIII, sinto-me chamado a contemplar outra grande transformação com os olhos de fé, com a lucidez da razão e abertura ao mistério e com os clamores dos pobres da terra”, fal0u o Santo Padre sobre a sua postura frente ao fenômeno da IA.

Uma encíclica que nasceu da escuta
Leão XIV disse que sua primeira encíclica nasceu da escuta. “Ouvi cientistas e engenheiros capazes de produzir tecnologia para evitar imensos sofrimentos; ouvi líderes políticos e autoridades públicas que tem buscado perserverantemente regras justas; ouvi pais e professores profundamente preocupados com o futuro das gerações mais jovens; outras vozes muitas preocupadas também chegaram até a mim sobre a criação de sistemas de IA cada vez mais autônomos, praticamente fora do alcance humano, para controlá-lo de modo ef**az; ouço relatos muito preocupantes sobre os algoritmos que podem bloquear o acesso à saúde e ao emprego e à segurança com bases contaminados por preconceito e injustiça; ouvi o silêncio daqueles que não têm voz quando as decisões são tomadas”, disse.

O Santo Padre disse que dá escuta surgiu uma questão inquietante apresentada pela Magnif**a Humanitas: “a IA precisa ser desarmada”, libertada de formas de dominação que podem transformá-la em ferramenta de exclusão e morte. O papa disse considerar a palavra desarmada forte, mas necessária porque o momento precisa de palavras para chamar a atenção, despertar as consciências e indicar caminhos a seguir para a humanidade. O papa citou a posição da Igreja no desarmamento nuclear como exemplo de que o poder técnico pode afetar a vida e por isso deve ser acompanhado por um discernimento moral, adequado e por um controle público.

Em sentido semelhante à energia nuclear, a IA deve a serviço de todos e do bem comum. “As decisões sobre a tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade. “Não durmamos como os outros, como admoestou o Paulo aos apóstolos, mas vigiemos. Quando a tecnologia enfraquece nossa consciência crítica corremos os risco”, disse.

O Papa lembrou que recordou na Encíclica do profeta Neemias que diante da reconstrução das muralhas em Jerusalém reuniu pessoas desanimadas para dar início a um renascimento. “A imagem das muralhas não legitima fechamentos ou divisões mas convida a cada um fazer a sua parte: tijolo por tijolo até tomar forma uma convivência mais justa capaz de salvaguardar a dignidade de todos”, afirmou.

“A IA pode ser um canteiro de obras da história a partir de um horizonte de comunhão no qual o progresso técnico aprende a servir a vida humana. Não temamos a IA mas tenhamos constantemente em jogo o elemento humano. Nenhuma pessoa pode ser deixada à margem da transformação digital”, disse.

“Somente com a visão integral, a IA pode ser orientada para o bem comum, somente juntos, aqueles que projetam os sistemas e aqueles por eles afetados, os países mais ricos e os mais pobres, as instituições e indivíduos, os centros de poder e as periferias seremos capaz de construir um futuro não apenas para uns poucos privilegiados mas para toda a família humana: “a civilização do amor” proclamada por São Paulo VI e São João Paulo. “Não é um sonho ingênuo, mas uma direção, um caminho que Jesus Cristo abre à história”, disse.

Ao final, o Papa confiou a sua primeira encíclica à Maria e concedeu a bênção final.

Por Willian Bonfim

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COMISSÃO PARA O LAICATO DA CNBB ENCAMINHA A ATUALIZAÇÃO DOS "PARÂMETROS BÁSICOS PARA A FORMAÇÃO DO LAICATO"De 22 a 24 de...
26/05/2026

COMISSÃO PARA O LAICATO DA CNBB ENCAMINHA A ATUALIZAÇÃO DOS "PARÂMETROS BÁSICOS PARA A FORMAÇÃO DO LAICATO"

De 22 a 24 de maio, no Centro Cultural de Brasília, os bispos da Comissão Episcopal para o Laicato daConferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), bispos convidados, assessores, representantes de algumas expressões laicais se debruçaram na reflexão sobre a atualização dos “Parâmetros Básicos para a formação dos Cristãos Leigos e Leigas”, documento publicado em 2021 pelas Edições CNBB na coleção “Sal e Luz!”.

De acordo com bispo da diocese de Tocantinópolis (TO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB, dom Giovane Pereira de Melo, o objetivo dos parâmetros é oferecer os referenciais, a partir de eixos e critérios importantes para a formação do laicato no Brasil, traduzido em linguagem sucinta, direta e acessível.

Alcance e incidência na formação
Dom Giovane disse que o material foi divulgado mas a Comissão para o Laicato da CNBB avaliou que ele não teve alcance e incidência esperados na formação dos leigos e leigas nas dioceses, regionais, movimentos e pastorais que articulam o laicato.

Frente a isto, o bispo informou que sentiram a necessidade de atualizar o documento considerando as contribuições do Sínodo Sobre a Sinodalidade e a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil aprovadas na 62ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril.

O presidente da Comissão informou que outra atualização que será feita é sobre o perfil dos leigos. “Se o perfil dos presbíteros mudou, também o perfil do laicato mudou neste contexto eclesial. O fim de semana foi para conversar sobre isto”, disse dom Giovane.

Para a tarefa, foi montado um Grupo de Reflexão e Trabalho com quatro teólogos e realizada na reunião no fim de semana. A perspectiva e apresentar o novo texto para ser aprovado pelo Conselho Permanente de novembro deste ano.

Por Willian Bonfim

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26/05/2026

"L I T U R G I A DO D I A"
Terça-feira, 26 de Maio de 2026

8ª SEMANA DO TEMPO COMUM
São Filipe Néri, presbítero, Memória

LEITURAS:
1Pedro 1,10-16
Salmo 97(98),1.2-3ab.3cd-4 (R. 2a)
Marcos 10,28-31

+ + + + + + +

PRIMEIRA LEITURA
Eles profetizaram a respeito da graça
que vos estava destinada.
Por isso, sede sóbrios e tende perfeita esperança.

Leitura da Primeira Carta de São Pedro 1,10-16

Caríssimos,
10
Esta salvação tem sido objeto
das investigações e meditações dos profetas.
Eles profetizaram a respeito da graça
que vos estava destinada.
11
Procuraram saber a que época
e a que circunstâncias
se referia o Espírito de Cristo,
que estava neles,
ao anunciar com antecedência
os sofrimentos de Cristo
e a glória consequente.
12
Foi-lhes revelado que, não para si mesmos,
mas para vós, estavam ministrando estas coisas,
que agora são anunciadas a vós
por aqueles que vos pregam o evangelho
em virtude do Espírito Santo, enviado do céu;
revelações essas,
que até os anjos desejam contemplar!
13
Por isso, aprontai a vossa mente;
sede sóbrios e colocai toda a vossa esperança
na graça que vos será oferecida
na revelação de Jesus Cristo.
14
Como filhos obedientes,
não modeleis a vossa vida
de acordo com as paixões de antigamente,
do tempo da vossa ignorância.
15
Antes, como é santo aquele que vos chamou,
tornai-vos santos, também vós,
em todo o vosso proceder.
16
Pois está na Escritura:
"Sede santos, porque eu sou santo".
Palavra do Senhor.

+ + + + + + +

SALMO RESPONSORIAL

Salmo 97(98),1. 2-3ab.3c-4 (R. 2a)
R. O Senhor fez conhecer seu poder salvador,
perante as nações.

1
Cantai ao Senhor Deus um canto novo,*
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo*
alcançaram-lhe a vitória. R.

2
O Senhor fez conhecer a salvação,*
e às nações, sua justiça;
3a
recordou o seu amor sempre fiel*
b
pela casa de Israel R.

c
Os confins do universo contemplaram*
d
a salvação do nosso Deus.
4
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,*
alegrai-vos e exultai! R.

+ + + + + + +

Aclamação ao Evangelho Cf. Mt 11,25
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
pois, revelaste os mistérios do teu Reino
aos pequeninos, escondendo-os aos doutores!

EVANGELHO
Receberá cem vezes mais agora, durante esta vida
com perseguições e, no mundo futuro, a vida eterna.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 10,28-31

Naquele tempo,
28
começou Pedro a dizer a Jesus:
"Eis que nós deixamos tudo e te seguimos".
29
Respondeu Jesus:
"Em verdade vos digo,
quem tiver deixado casa,
irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos,
campos, por causa de mim e do Evangelho,
30
receberá cem vezes mais agora, durante esta vida
— casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos,
com perseguições —
e, no mundo futuro, a vida eterna.
31
Muitos que agora são os primeiros serão os últimos.
E muitos que agora são os últimos serão os primeiros".
Palavra da Salvação.

+ + + + + + +

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"S A N T O   DO   D I A"- 26 de maio -SÃO FILIPE NÉRI“Contanto que os meninos não pratiquem o mal, eu f**aria contente a...
26/05/2026

"S A N T O DO D I A"
- 26 de maio -

SÃO FILIPE NÉRI

“Contanto que os meninos não pratiquem o mal, eu f**aria contente até se eles me quebrassem paus na cabeça.” Há maior boa vontade em colocar no caminho correto as crianças abandonadas do que nessa disposição? A frase bem-humorada é de Filipe Néri, que assim respondia quando reclamavam do barulho que seus pequenos abandonados faziam, enquanto aprendiam com ele ensinamentos religiosos e sociais.

Nascido em Florença, Itália, em 21 de julho de 1515, Filipe Rômolo Néri pertencia a uma família rica: o pai, Francisco, era tabelião e a mãe, Lucrécia, morreu cedo. Junto com a irmã Elisabete, foi educado pela madrasta. Filipe, na infância, surpreendia pela alegria, bondade, lealdade e inteligência, virtudes que ele soube cultivar até o fim da vida. Cresceu na sua terra natal, estudando e trabalhando com o pai, sem demonstrar uma vocação maior, mesmo frequentando regularmente a igreja.

Aos dezoito anos foi para São Germano, trabalhar com um tio comerciante, mas não se adaptou. Em 1535, aceitou o convite para ser o tutor dos filhos de uma nobre e rica família, estabelecida em Roma. Nessa cidade foi estudar com os agostinianos, filosofia e teologia, diplomando-se em ambas com louvor. No tempo livre praticava a caridade junto aos pobres e necessitados, atividade que exercia com muito entusiasmo e alegria, principalmente com os pequenos órfãos de filiação ou de moral.

Filipe começou a chamar a atenção do seu confessor, que lhe pediu ajuda para fundar a Confraternidade da Santíssima Trindade, para assistir os pobres e peregrinos doentes. Três anos depois, aos trinta e seis anos de idade, ele se consagrou sacerdote, sendo designado para a igreja de São Jerônimo da Caridade.

Tão grande era a sua consciência dos problemas da comunidade que formou um grupo de religiosos e leigos para discutir os problemas, rezar, cantar e estudar o Evangelho. A iniciativa deu tão certo que depois o grupo, de tão numeroso, passou à Congregação de Padres do Oratório, uma ordem secular sem vínculos de votos.

Filipe se preocupou somente com a integração das minorias e a educação dos meninos de rua. Tudo o que fez no seu apostolado foi nessa direção, até mesmo utilizar sua vasta e sólida cultura para promover o estudo eclesiástico. Com seu exemplo e orientação, encaminhou e orientou vários sacerdotes que se destacaram na história da Igreja e depois foram inscritos no livro dos santos.

Mas somente quando completou setenta e cinco anos passou a dedicar-se totalmente ao ministério do confessionário e à direção espiritual. Viveu assim até morrer, no dia 26 de maio de 1595. São Filipe Néri é chamado, até hoje, de “santo da alegria e da caridade”.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos:
Eva de Liége e Maria Ana.

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A PRIMEIRA ENCÍCLICA DE LEÃO XIV:A IA DEVE SERVIR À HUMANIDADE, NÃO AO PODER DE POUCOS“A magníf**a humanidade criada por...
25/05/2026

A PRIMEIRA ENCÍCLICA DE LEÃO XIV:
A IA DEVE SERVIR À HUMANIDADE, NÃO AO PODER DE POUCOS

“A magníf**a humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”.

A primeira encíclica de Leão XIV – Magnif**a humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo. Publicada hoje, segunda-feira, 25 de maio, foi assinada pelo Pontífice no último dia 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da Rerum novarum de Leão XIII. E de seu predecessor, o Papa Prevost recolheu a herança, escrevendo uma encíclica social que aborda um dos principais desafios da época contemporânea: a inteligência artificial.

Dividida em cinco capítulos, Magnif**a humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa” (4), nem “um mal em si mesma” (9). No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Daí, o apelo do Pontífice para “construir o bem” e “permanecer humanos”, seguindo a lógica da corresponsabilidade corajosa e da comunhão.

A Doutrina Social da Igreja
O primeiro capítulo – Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho – repercorre a Doutrina Social da Igreja (DSI) no magistério recente e no Concílio Vaticano II, destacando “o seu caráter dinâmico” (17). Longe de ser “um manual de princípios e normas a serem aplicados”, a DSI é antes uma “teologia da comunhão na história” (27) que orienta a leitura dos acontecimentos à luz do Evangelho.

No segundo capítulo, Leão XIV enumera os Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja: entre os primeiros, inclui a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus; a inviolabilidade dos direitos humanos, entre os quais o direito à vida “desde a concepção até ao seu fim natural”; o reconhecimento dos direitos das minorias, com especial atenção às mulheres, para que sejam verdadeiramente ouvidas e valorizadas (57).

É inaceitável subjugar uma nação
Quanto aos princípios da DSC, Leão XIV aponta cinco: o primeiro é o bem comum, “forma social da dignidade reconhecida a cada um” (59). Em um ponto, o Papa é particularmente firme: “A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua identidade e de contribuir com sua originalidade para a família das nações”. Consequentemente, “qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável” (64).

A tecnologia não deve estar nas mãos de poucos
O segundo princípio diz respeito à destinação universal dos bens: aí e em outros pontos da encíclica, Leão XIV insiste na necessidade de que as tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, alimentando a disparidade entre os incluídos e os excluídos da revolução digital (67). Daí decorrem o terceiro e o quarto princípios, a saber, a subsidiariedade (68) – que exige a superação do paternalismo e do assistencialismo em favor da corresponsabilidade – e a solidariedade (73), “princípio e virtude” que se opõe à indiferença.

A justiça social
O quinto princípio da DSC é a justiça social: na era digital, ela deve garantir a todos um acesso equitativo às oportunidades, proteger os mais vulneráveis, combater o ódio e a desinformação e submeter o uso das tecnologias ao controle público. Leão XIV aponta os migrantes como um “teste decisivo” nesse campo: a maneira como a sociedade os trata demonstra “se a ideia de justiça é guiada pelo medo ou pela fraternidade”. Daí, o apelo tanto para salvaguardar “o direito à esperança” daqueles que são forçados a partir, garantindo-lhes vias seguras e legais, acolhimento digno e integração; quanto para promover “o direito de permanecer” de cada um em sua terra, em paz e segurança, enfrentando “as causas profundas” das migrações (81). O Pontífice entende que os cinco princípios acima mencionados se dirigem também à Igreja, chamada a “um exame de consciência”, a ouvir as “vítimas de abusos espirituais, econômicos, institucionais, se***is, de poder e de consciência”, pois isso “é parte integrante de um caminho de justiça, que compreende o reconhecimento do dano, a reparação justa e a prevenção” (89).

Um código ético para a IA
O terceiro capítulo – Técnica e domínio. A grandeza da pessoa humana diante das promessas da IA – ressalta que é preciso abordar a IA com cautela, mantendo clareza sobre as responsabilidades em todas as suas etapas (accountability) e apostando em políticas e marcos jurídicos adequados, vigilância independente e educação dos usuários. Acima de tudo, é necessário um código ético submetido a critérios de justiça social compartilhada, pois “não serve uma IA mais moral se essa moral for decidida por poucos” (107). Sem deixar de lado o impacto ambiental das novas tecnologias, que exigem grandes quantidades de energia e água, afetando a Criação (101).

Desarmar a IA
É preciso “desarmar a IA” – prossegue Leão XIV – para subtraí-la à lógica da competição militar, econômica e cognitiva; para romper a equivalência entre poder técnico e direito de governar; para subtraí-la aos monopólios e impedir que domine o humano. Amplo espaço é dedicado à crítica do transumanismo e do pós-humanismo, que interpretam o progresso como a superação dos limites do humano. Em vez disso, o limite não é um defeito a ser eliminado, mas uma dimensão constitutiva da pessoa, pois é na fragilidade e na finitude que amadurecem a relação e a abertura a Deus e ao outro. Fazer a tecnologia crescer eliminando os limites do humano signif**a, portanto, fazer o coração regredir. Magníf**a e, ainda assim, ferida, a humanidade “não deve ser substituída nem superada”. A tecnologia pode aliviar seus sofrimentos e abrir-lhe novas possibilidades, mas não deve negá-la naquilo que lhe é próprio: “a capacidade de relação e de amor” (126). Diante da IA, a verdadeira alternativa não está entre o entusiasmo e o medo, mas entre duas formas de construir o progresso: a serviço da pessoa e dos povos ou das lógicas do poder (129).

Uma ecologia da comunicação
No quarto capítulo – Preservar o humano na transformação. Verdade, trabalho, liberdade –, a encíclica defende uma “ecologia da comunicação” baseada na verdade. O Papa pede transparência nos critérios de seleção de conteúdos, proteção dos dados pessoais, um jornalismo sério fundamentado na argumentação e na verif**ação, uma nova consciência no uso “correto e crítico” da IA e a integração dos conhecimentos. Uma comunicação transparente e leal é exigida também da Igreja, sobretudo nos casos de injustiças e abusos. É fundamental também o apelo a uma aliança educativa renovada, para que nos jovens não se apague “o desejo de fazer perguntas” por causa de máquinas perfeitas que fazem parecer inútil o pensamento humano (140). Leão XIV pede ainda que se aposte na escola como lugar onde se aprende a “buscar e amar a verdade” (147).

A dignidade do trabalho
Na “quarta revolução industrial” representada pela transição digital, o Pontífice ressalta então a importância de proteger a dignidade do trabalho, projetando sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho. A tecnologia pode certamente aliviar o homem de tarefas pesadas ou repetitivas, mas não deve levar ao desemprego em nome da redução de custos e do aumento do lucro. Nesse sentido, espera-se também uma renovação das organizações sindicais.

Paz e desenvolvimento
O Pontífice destaca, em seguida, a necessidade de superar o PIB como parâmetro do grau de desenvolvimento de um país, apostando, em vez disso, na dignidade do trabalho, na prosperidade compartilhada, na redução das desigualdades e na preservação do meio ambiente. A finança pela finança é, de fato, diferente da finança para o desenvolvimento (159-160). E, seguindo os passos de São Paulo VI, destaca-se a interdependência entre paz e desenvolvimento, almejando uma cooperação internacional capaz de definir estratégias comuns, sobretudo em favor dos países e dos grupos mais vulneráveis, pois a prosperidade contribui para a paz “somente se for difundida, inclusiva e sustentável” (163). É forte, ainda, a referência à família, fundada na união estável entre um homem e uma mulher: ela é “bem social primário”, “célula fundamental e insubstituível de toda organização comunitária” (165), que deve ser apoiada também por meio de políticas do trabalho em favor da estabilidade e de ritmos humanos, para assim proteger a capacidade social de “construir o futuro”.

A “arquitetura da visibilidade”
Por fim, a questão da liberdade humana: numa época em que as plataformas digitais são projetadas para capturar o tempo dos usuários e explorar suas fragilidades, é preciso fortalecer a liberdade interior de cada um, enfrentando também o risco do controle social decorrente da coleta massiva de dados e do uso de sistemas algorítmicos. Perfilar, prever e orientar comportamentos, de fato, é “um novo poder” (171) que corre o risco de discriminar os mais fracos. O Papa deplora, em particular, a “arquitetura da visibilidade” que amplif**a apenas o que é visível, moldando as opiniões.

Novas formas de escravidão e novo colonialismo
A IA também gera novas formas de escravidão, como a dos “corpos marcados, mutilados, consumidos” (173) daqueles que trabalham na extração das “terras raras” necessárias à tecnologia. Portanto, a luta contra as novas formas de escravidão é outro “teste decisivo para o discernimento ético” da transformação digital. Leão XIV ressalta que “a Igreja renova sua firme condenação contra toda forma de escravidão, tráfico e mercantilização de pessoas”. Ao mesmo tempo, o Papa pede “sinceramente perdão” pelo atraso com que a Igreja, no passado, condenou “o flagelo da escravidão” (174-176). A encíclica também faz referência às “novas terras raras do poder”, ou seja, as informações vitais – por exemplo, sobre saúde e demografia – utilizadas para orientar estratégias econômicas: trata-se de uma face inédita do colonialismo que transforma vidas pessoais em informações exploráveis, tornando o ambiente digital um “espaço de predação” (178-179).

Superar a teoria da “guerra justa”
No quinto capítulo — A cultura do poder e a civilização do amor —, Leão XIV volta seu olhar para a guerra: “A revolução digital está modif**ando a gramática dos conflitos” e, sem uma abordagem ética, as decisões sobre a vida e a morte das pessoas serão cada vez mais impessoais, com o recurso à força considerado uma “opção imediata e viável” (182-183). Na base de tudo está uma “cultura do poder” que normaliza a guerra e a reabilita como “instrumento de política internacional”, favorecendo o rearmamento. Sobre a opinião pública pesam hoje também as narrativas midiáticas polarizadoras, bem como “uma preocupante perda de memória histórica” que priva de uma visão de longo prazo (191). Consequentemente, hoje a paz não é mais entendida como uma tarefa a ser assumida, mas como um intervalo entre os conflitos. Por isso, Leão XIV reitera que – sem prejuízo do direito à legítima defesa no sentido mais estrito – é preciso superar a teoria da “guerra justa”, promovendo, em vez disso, o diálogo, a diplomacia e o perdão (192).

Nenhum algoritmo torna a guerra moralmente aceitável
O Papa Prevost não deixa de deplorar o crescimento da indústria bélica, a corrida aos armamentos nucleares e o surgimento de novos atores armados – entre os quais os jihadistas – que visam perpetuar os conflitos como fonte de poder e de renda. É clara, ainda, a advertência contra o uso de armas ligadas à IA, pois “não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. São necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, baseadas na responsabilidade pessoal e na proteção dos civis, pois “toda tecnologia que facilita atacar sem ver o rosto do outro abaixa o limiar moral do conflito” (199).

A crise do multilateralismo
A cultura do poder decorre também da crise do multilateralismo e do surgimento de um “multipolarismo desordenado e conflituoso” (201). A força do direito é substituída pelo direito do mais forte; as lógicas do poder prevalecem sobre a construção da paz e as instituições criadas para zelar pelo destino comum dos povos estão agora enfraquecidas. A esse respeito, o Papa deseja para a ONU “reformas profundas” que superem a atual crise de valores em favor do bem comum (226).

A civilização do amor
O cristão é chamado a responder à cultura do poder construindo “a civilização do amor” e escolhendo entre alimentar a lógica da força ou zelar pela paz. O Papa aponta cinco “caminhos de responsabilidade”: desarmar as palavras dizendo a verdade; construir a paz na justiça; assumir o olhar das vítimas tomando posição, pois há conflitos em que “não é justo permanecer neutro”; cultivar “um saudável realismo” que busque caminhos de paz viáveis com os fatos, não apenas com palavras. Por fim, relançar o diálogo, passando de uma cultura do poder para uma cultura da negociação. É decisivo também “o diálogo entre as religiões”, portador de uma mensagem de paz: “Quem usa o nome de Deus para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra trai o seu rosto” é a advertência de Leão XIV (223).

A magníf**a humanidade
Ao concluir a carta, o Pontífice convida os fiéis a viver as novas tecnologias à luz do Evangelho, seguindo “um itinerário de vida cristã sóbrio e exigente”. Para que, mesmo na era da IA, todos possam testemunhar “a beleza de uma magníf**a humanidade habitada por Deus”.

Por Isabella Piro – Vatican News

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O PAPA APRESENTA A MAGNIFICA HUMANITAS:"DESARMAR A IA"Leão XIV explica o sentido e a gênese de sua primeira encíclica so...
25/05/2026

O PAPA APRESENTA A MAGNIFICA HUMANITAS:
"DESARMAR A IA"

Leão XIV explica o sentido e a gênese de sua primeira encíclica sobre a “custódia da pessoa humana na era da Inteligência Artificial”, instrumento que influencia a vida, molda decisões e muda a forma de combater a guerra. O Pontífice pede que se liberte a IA “das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte” e pede o “desarmamento” das tecnologias para que se coloquem a serviço do “bem comum”, exortando a construir juntos o “futuro para a família humana”.
Salvatore Cernuzio – Vatican News

Assim como “o Leão de outrora”, o Papa Leão XIII, também o “Leão” de hoje, o Papa Leão XIV, volta seu olhar para as “res novae”, para aquelas “coisas novas” que desafiam o tempo, a história e a humanidade. E se naquela época era a revolução industrial, com as muitas e complexas mudanças no mundo do trabalho e as novas formas de pobreza impostas, hoje é a Inteligência Artificial, com seu potencial e seus perigos, que está sob os olhos e no coração do Pontífice, que lança uma invocação universal: "Desarmar a IA".

A Inteligência Artificial hoje precisa ser "desarmada", libertada das lógicas que a transformam em instrumento de dominação, exclusão ou morte.

Discernir o futuro da humanidade
O Papa Leão XIV fala por metáforas, mas também por referências históricas, em seu discurso proferido na Sala do Sínodo, na apresentação da Magnif**a humanitas, a primeira encíclica de seu pontif**ado, publicada na manhã desta segunda-feira, 25 de maio. Nunca antes um Papa esteve na Sala para apresentar ao público um seu documento magisterial. É também a primeira vez que, além de cardeais e professores, se sentam ao lado do Pontífice especialistas em alta tecnologia. Um sinal da importância e da atenção ao tema abordado na encíclica, um símbolo e sintoma da "gravidade do momento" que estamos vivendo e que causa preocupação na Igreja, chamada a "decifrar coisas novas à luz do Evangelho e da dignidade do ser humano". Uma angústia que Leão XIV enfrenta com confiança:

A confiança de que, juntos, podemos discernir as grandes questões do nosso tempo e, portanto, o futuro da humanidade.

Nos passos de Leão XIV
Cento e trinta e cinco anos atrás, o Papa Pecci observou a situação difícil dos trabalhadores e das famílias desenraizadas e empobrecidas pela rápida transformação industrial e “compreendeu que a Igreja não podia permanecer à margem”. Num momento de “mudança de época” que “ameaçava a dignidade humana”, ele escreveu a encíclica Rerum Novarum. No mesmo espírito, o Papa Prevost — que assinou simbolicamente a Magnif**a humanitas em 15 de maio, dia da publicação da Rerum Novarum — diz que se sente “chamado a olhar para outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com os gritos dos pobres e da terra que ressoam em” seu “coração”.

Este é o sentido das aproximadamente 200 páginas, resultado de uma reflexão de dez anos no seio da Santa Sé sobre as novas tecnologias e a Inteligência Artificial, que hoje impactam "muitas áreas de nossas vidas", influenciam decisões e estão "mudando radicalmente a forma como a guerra é travada".

Fruto da escuta
Há tantas contribuições, reflexões e sugestões nesta encíclica que — como o próprio Papa explica — tem uma única raiz: "A escuta". A escuta de cientistas e engenheiros que "trabalham com sincero entusiasmo em tecnologias capazes de aliviar sofrimentos imensos"; a escuta de "líderes políticos e funcionários públicos que perseveraram na busca por regras justas"; a escuta de "pais e professores profundamente preocupados com o futuro das novas gerações".

Também chegaram até mim outros relatos, bastante perturbadores, sobre sistemas de armas cada vez mais autônomos, praticamente fora do controle humano. Estou recebendo relatos muito preocupantes sobre algoritmos que podem negar acesso a saúde, trabalho e segurança com base em dados contaminados por preconceito e injustiça.

Junto com essas vozes, ressoou também forte “o silêncio de quem não tem voz quando as decisões são tomadas”, explica o Papa Leão XIV, “decisões que correm o risco de gerar novas formas de exclusão e sofrimento”.

Desarmar…
De tudo isso, desenvolveu-se uma convicção que o próprio Pontífice chama de "perturbadora" e que norteia a encíclica: "A Inteligência Artificial deve ser desarmada". "A palavra é forte, eu sei", admite Leão XIV, "mas foi escolhida deliberadamente porque este momento precisa de palavras capazes de chamar a atenção, despertar consciências e indicar o caminho a seguir para a humanidade."

… e construir
A Igreja está comprometida há muito tempo com o desarmamento nuclear, como um "serviço à paz e à dignidade da família humana". Da mesma forma, "a Inteligência Artificial requer hoje que seja desarmada", porque "como a energia nuclear, deve estar a serviço de todos e do bem comum". E "as decisões sobre a tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade".

A paz, e não apenas a ausência de guerra, é a justiça em ação. Mas quando a tecnologia enfraquece nosso senso crítico, a própria paz f**a em risco. Desarmar, porém, não basta. Precisamos construir.

"Ninguém reconstrói sozinho"
Esta última indicação, "reconstruir", traz à tona outra lembrança da história para Robert Francis Prevost. A história mais recente e pessoal de seus anos de missão no Peru. Especif**amente, 2017, quando chuvas torrenciais e inundações causadas pelo El Niño atingiram o norte do país: "Muitas famílias viram suas casas engolidas pela lama, e o mesmo aconteceu com muitas estradas." "Ali", confidencia o Papa, "aprendi que reconstruir não signif**a simplesmente substituir o que foi destruído. Signif**a consertar laços, restaurar a confiança e reacender a esperança no futuro. Além disso, ninguém reconstrói sozinho."

Somente com uma visão tão integral a Inteligência Artificial poderá ser orientada para o bem comum. Somente juntos — quem projeta os sistemas e quem sofre suas consequências, os países mais ricos e os mais pobres, as instituições e os indivíduos, os centros de poder e as periferias — seremos capazes de construir um futuro não para poucos privilegiados, mas para toda a família humana.

A sabedoria da Igreja
Esta é a “civilização do amor”, proclamada com veemência por São Paulo VI e São João Paulo II. É por isso que a Igreja deseja, “com humildade e franqueza”, participar do diálogo sobre IA: “Não possuímos respostas técnicas, nem pretendemos substituir quem tem competência”, observa o Papa. “Mas contribuímos com uma sabedoria sobre o humano que o nosso tempo necessita desesperadamente: cada pessoa é única e insubstituível, um sujeito livre e inteligente, dotado de consciência, capaz de buscar a Deus, servir aos outros e cuidar da nossa casa comum.”

Concluindo, o Papa faz um convite a todos os membros da Igreja e da família humana: "Aprendamos a ouvir uns aos outros, a enfrentar com coragem os desafios do presente e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna". Que este lançamento da Magnif**a humanitas, espera o Papa Leão XIV, possa inaugurar uma nova era de "artesãos da esperança" que continuarão a "construir o canteiro de obras do nosso tempo".

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