23/06/2012
“Vou mandar o meu mensageiro para preparar o meu caminho” (Ml 3, 1).
Meus irmãos, amanhã a Igreja celebra o nascimento de São João Batista, que, além de Nossa Senhora, é o único a ter sua natividade festejada no calendário litúrgico, aguçando nossa curiosidade para conhecer melhor esse santo tão especial.
Assim como Jesus, o nascimento de João foi anunciado pelo Arcanjo Gabriel, o qual disse a seu pai, Zacarias: “Desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo; ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus, e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1, 15-17).
Daí compreendemos a vocação e a graça inusitada de João, que, ainda no ventre de Isabel recebeu os dons do Espírito Santo e foi escolhido por Deus como precursor de Cristo, anunciando a Salvação em Jesus e preparando-lhe o caminho. Vejo, então, com clareza, a profecia de Jeremias, que diz: “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações” (Jr 1, 5).
E que profeta extraordinário foi João Batista! Cultivou em tudo a obediência e a humildade extrema, sem jamais se prestar à bajulação das autoridades da época. Ao contrário, sua palavra foi testemunho da Verdade, foi “espada afiada” (Is 49, 2) que apontou o único Caminho: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29) e desnudou os corações, trazendo à luz, por exemplo, os pecados de Herodes e dos fariseus e saduceus, dos quais gritou: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera vindoura?” (Mt 3, 7). Tal discernimento e coragem, meus irmãos, não procedem de outra fonte senão do Espírito Santo, no qual foi mergulhado desde o ventre da sua mãe, Espírito que move igualmente a Igreja, que lhe dá vida e lhe sustenta!
Sua autoridade era tão admirável que muitos perguntaram se seria ele o Cristo, Elias ou o profeta. Quanto a isso, o próprio João Batista fala-nos: “Eu sou a voz que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor; Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar a correia do calçado” (Is 40, 3; Mc 1, 7). Humilhando-se, porém, ele é exaltado por Jesus, revelando-nos que não houve outro homem maior do que João Batista, o Elias que devia voltar, como anunciado pelo Arcanjo Gabriel.
Meus irmãos, diante deste testemunho somos convidados a refletir sobre o quanto temos nos doado pelo Reino de Deus e pelo anúncio do Evangelho. Certamente não foi fácil para João, mas ele encontrou sua fortaleza na obediência à vontade de Deus. Abra-se, portanto, ao Espírito e permita que Jesus habite no seu coração! Seja corajoso, “pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria” (II Tm 1, 7).
São João Batista, rogai por nós!