26/04/2026
QUEM É MINHA MÃE E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS?
5. E, tendo vindo para casa, reuniu-se aí tão gran-
de multidão de gente, que eles nem sequer po-
diam fazer sua refeição. – Sabendo disso, vie-
ram seus parentes para se apoderarem dele, pois
diziam que perdera o espírito.
Entretanto, tendo vindo sua mãe e seus irmãos
e conservando-se do lado de fora, mandaram
chamá-lo. – Ora, o povo se assentara em torno
dele e lhe disseram: Tua mãe e teus irmãos es-
tão lá fora e te chamam. – Ele lhes respondeu:
Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E,
perpassando o olhar pelos que estavam assen-
tados ao seu derredor, disse: Eis aqui minha mãe
e meus irmãos; – pois, todo aquele que faz a von-
tade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e
minha mãe. (S. MARCOS, 3:20-21 e 31 a 35; –
S. MATEUS, 12:46 a 50.)
6. Singulares parecem algumas palavras de Jesus, por con-
trastarem com a sua bondade e a sua inalterável benevo-
lência para com todos. Os incrédulos não deixaram de tirar
daí uma arma, pretendendo que ele se contradizia. Fato,
porém, irrecusável é que sua doutrina tem por base princi-
pal, por pedra angular, a lei de amor e de caridade. Ora,
não é possível que ele destruísse de um lado o que do outro
estabelecia, donde esta conseqüência rigorosa: se certas
proposições suas se acham em contradição com aquele prin-
cípio básico, é que as palavras que se lhe atribuem foram
ou mal reproduzidas, ou mal compreendidas, ou não são
suas.
7. Causa admiração, e com fundamento, que, neste passo,
mostrasse Jesus tanta indiferença para com seus parentes
e, de certo modo, renegasse sua mãe.
Pelo que concerne a seus irmãos, sabe-se que não o
estimavam. Espíritos pouco adiantados, não lhe com-
preendiam a missão: tinham por excêntrico o seu proceder
e seus ensinamentos não os tocavam, tanto que nenhum
deles o seguiu como discípulo. Dir-se-ia mesmo que parti-
lhavam, até certo ponto, das prevenções de seus inimigos.
O que é fato, em suma, é que o acolhiam mais como um
estranho do que como um irmão, quando aparecia à famí-
lia. S. João diz, positivamente (cap. 7:5), “que eles não lhe
davam crédito”.
Quanto à sua mãe, ninguém ousaria contestar a ter-
nura que lhe dedicava. Deve-se, entretanto, convir igual-
mente em que também ela não fazia idéia muito exata da
missão do filho, pois não se vê que lhe tenha nunca segui-
do os ensinos, nem dado testemunho dele, como fez João
Batista. O que nela predominava era a solicitude maternal.
Supor que ele haja renegado sua mãe fora desconhecer-lhe
o caráter. Semelhante idéia não poderia encontrar guarida
naquele que disse: Honrai a vosso pai e a vossa mãe. Neces-
sário, pois, se faz procurar outro sentido para suas pala-
vras, quase sempre envoltas no véu da forma alegórica.
Ele nenhuma ocasião desprezava de dar um ensino;
aproveitou, portanto, a que se lhe deparou, com a chegada
de sua família, para precisar a diferença que existe entre a
parentela corporal e a parentela espiritual.