19/01/2025
A gente cansa, sim, quando sonha e o sonho se esvai,
Quando as promessas do amor, no meio do caminho, se desfazem,
Quando a vida se planeja, mas o futuro foge e trai,
E a esperança parece perdida em cada passo que se arraste.
A gente cansa quando a luta não traz recompensa,
Quando o diploma é só papel e o trabalho é fardo,
Quando a alegria parece distante e a alma se dispersa,
E o que resta é a dúvida, o cansaço amargo.
A gente cansa de ser comparado ao que nunca foi,
De carregar o peso da crítica, da cobrança constante,
De querer ser diferente, mas tudo parecer tão igual,
E de esperar o futuro sem ver a luz brilhante.
Cansa o desejo de filhos não correspondido,
Cansa a mente que se perde no vazio do amanhã,
Cansa a frustração de um esforço não visto,
E o silêncio de quem não encontra mais a paz.
A gente cansa de lutar e não encontrar alento,
De olhar no espelho e sentir o vazio da alma,
De acreditar em Deus, mas ainda assim, no tormento,
E se questionar se a vida realmente vale a palma.
Cansa-se por ser visto e não ser compreendido,
Por ser classificado, julgado, sem poder ser quem se é,
E, no fim, o que sobra é um grito silencioso, perdido,
De quem só queria se sentir alguém, mas não consegue, até.
A gente cansa, mas ainda assim, respira,
Porque o cansaço, embora grande, ainda não apaga a chama,
E talvez, no fim, a resposta esteja na própria vida,
Que se faz, ainda que cansada, resistente e em chama.