06/05/2025
Nesta quarta-feira, 7 de maio, antes de se recolherem à Capela Sistina para o conclave, os cardeais da Santa Igreja rezarão juntos, em procissão, o Veni, Creator — uma súplica ao Espírito Santo.
O gesto é altamente significativo, especialmente agora em que tantos pretendem impingir à Igreja o modo e os critérios de eleger seu próximo pastor.
São muitos, afinal, os especialistas dizendo como deve ser o sucessor de Francisco, como devem votar os cardeais, e quem são ou não os favoritos ao sólio pontifício, por este e aquele motivo…
Mas, em última instância, é ao Espírito Santo que os príncipes da Igreja deverão recorrer nestes dias de conclave. O retiro deles não é por acaso: isolados do mundo e recolhidos em oração, é no diálogo com Deus que hão de receber as luzes do alto para eleger o próximo Papa.
Por isso, ao depositar seu voto na urna, cada prelado diz, em voz alta, uma fórmula bem grave de juramento:
“Invoco como testemunha Cristo Senhor, o qual me há de julgar, que o meu voto é dado àquele que, segundo Deus, julgo deve ser eleito.”
São João Paulo II também pedia, aos cardeais eleitores, que não se deixassem “influenciar por favores… nem impelir pela ingerência de autoridades ou de grupos de pressão”, mas que se deixassem mover “tendo em vista unicamente a glória de Deus e o bem da Igreja”.
Palavras fortes!
A história não nos deixa mentir: se muitos foram os Papas santos, que derramaram seu suor (ou mesmo o sangue) pela fé em Cristo, não poucos foram, também, os sedentos de poder, os eleitos por meios desonestos, os corruptos e traidores de sua vocação.
Tudo isso é tristemente verdadeiro, mas mostra que, se por um lado o Espírito desce, por outro, os homens precisam cooperar com Ele!
Portanto, não tenhamos dúvida: Deus virá à Capela Sistina estes dias, mas cabe a cada cardeal abrir-lhe as portas do próprio coração.
Clamemos, pois: “Vinde, Espírito Criador!” Rezemos pelo conclave que se avizinha.
Assim, quando o cerimoniário-mor vaticano disser: extra omnes (“todos para fora”), fique de fora, também, o espírito do mal, o espírito do mundo, o espírito da “politicagem” — e prevaleça, na escolha do próximo Papa, a inspiração do alto.