13/08/2026
Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria
“Bendita és tu entre as mulheres”- Lc 1,39-56 - Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria! – Dia da Vocação à Vida Religiosa Consagrada - A Liturgia do 20º domingo do Tempo Comum, no Brasil, é substituída pela Solenidade da Assunção de Maria, celebrada mundo a fora no dia 15 de Agosto, desde o século V. As leituras bíblicas que ouvimos neste dia introduzem-nos na contemplação do grande projeto de Deus: a morte não tem a última palavra sobre a vida; é o amor que se manifesta eterno entre terra e céus. A Assunção da Mãe de nosso Deus, elevada ao céu e coroada por seu Filho ressuscitado, é também nossa vocação. Maria encontra-se na glória de Deus; ela alcançou a Meta, onde, um dia, todos nos encontraremos! A primeira Leitura, do livro do Apocalipse, por meio de uma bela imagem (uma mulher vestida de sol) indica que a Igreja, a humanidade, Maria, cada um de nós, somos um pequeno coração pulsando luz em meio às sombras. O que revela nossa vocação comum: estar na vida, doadores de vida. Ser criaturas solares, gerando vida e em luta. Contra o mal, o grande dragão vermelho que devora a luz, que come os frutos da vida. Ter um coração de luz, enviar apenas sinais de vida ao seu redor, e nunca desistir! Assim confirmando a famosa frase de Paulo: “é na fraqueza que está a força de Deus”! O Evangelho deste dia já foi ouvido muitas vezes. Sabe-se quase de memória. Mas, certamente, se faz necessário ir além do já conhecido, atravessar cada palavra e aproximar-nos dos personagens que protagonizam o relato. O melhor caminho é observar o que se diz de cada uma das pessoas presentes no relato. Olhando um pouco mais de perto lemos que quando Maria soube da gravidez de Isabel, “saiu apressadamente”. Acreditou na boa nova do anjo e correu depressa ao encontro da vida. Lá chegando, Maria entra na casa de Zacarias e saúda Isabel... Certamente não se trata de uma distração do evangelista ao narrar tal detalhe, que Maria saúda Isabel e não o chefe da casa, o sacerdote Zacarias. A casa é espaço preferencial da mulher, mas é também a grande boa nova trazida por Jesus. A casa, de ora em diante, será o lugar do encontro da nova comunidade, da Igreja. Na casa, Isabel acolhe Maria e é neste espaço que Maria garante a visibilidade de Isabel. O evangelista diz que Isabel estava “escondida” por ‘cinco meses’. O direito à palavra era negado à mulher. Com a visita de Maria, Isabel se torna “visível”, toma a palavra e assume a louvação pública da ação do Senhor. Confirma-se que a revelação dos mistérios de Deus vem dos pequenos, dos fracos, dos pobres, dos excluídos. As afirmações de Isabel são o alicerce da teologia mariana: “cheia do Espírito, exclamou em alta voz: - “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre; “Como mereço que a Mãe do meu Senhor venha me visitar”?; “Feliz aquela que acreditou”; “O menino saltou de alegria em meu ventre”.- O evangelista ainda detalha que Isabel proclama em “altos brados”, em alta voz. Não foi apenas um murmúrio. Quem era silenciada, humilhada, agora proclama, grita, solta a voz, e isto em altos brados. O menino salta de alegria - O ventre de Isabel, ventre de uma mulher estéril e idosa, é um ventre profético. Faz o menino saltar de alegria, antecipar a alegre boa nova de Jesus, anunciar a esperança, proclamar a boa notícia da salvação que se aproxima. Neste encontro destas duas mulheres marginalizadas: uma idosa e estéril, outra muito jovem, não casada e grávida, se revela a misericórdia de Deus. Ainda mais: dentre as proclamações proféticas de Isabel neste cenário da visitação, duas delas são de especial revelação. “Como mereço que a Mãe do meu Senhor venha me visitar” e “Feliz aquela que acreditou”. A mãe do meu Senhor! Isabel confessa sua fé e proclama Maria como a “mãe de Deus”. Numa cultura patriarcal, a confissão vem de Isabel, mulher estéril e idosa. Não vem do sacerdote Zacarias, que continua mudo. Na casa, fora do espaço religioso oficial, a mulher silenciada, escondida, humilhada revela-se uma grande teóloga. Feliz aquela que acreditou. Maria é reconhecida como feliz, imagem pouco explorada na piedade, na espiritualidade e até mesmo na Teologia Mariana. Ela é mais vista como a mulher do Sim, a Virgem, a Serva do Senhor, a mulher vigilante e atenta, a Mãe das Dores ao pé da cruz. Na festa da Assunção de Maria poderíamos dar um novo título a Maria: “Nossa Senhora da Alegria”, pois ela é “cheia de graça”, é “feliz porque acreditou”, foi elevada ao céu, coroada por seu Filho Ressuscitado. As razões da alegria de Maria estão sintetizadas no Magnificat, cântico este que nos convoca ao silêncio contemplativo. Louvamos a Deus pelas maravilhas que tem feito em nós e por nós: no trânsito entre céu e terra (encarnação), entre terra e céu (ressurreição/assunção), entre Nazaré e Judá (nas periferias do mundo), entre mulheres (e homens) grávidos de esperança! -. Ir. Zenilda Luzia Petry - FSJ