13/05/2026
Hoje é dia de lembrar os passos lentos e sábios daqueles que transformaram dor em oração, lágrimas em conselho e sofrimento em luz.
Hoje é dia de Vovô, de Vovó, de Pai, de Mãe, de Tio e de Tia.
Hoje é dia da memória viva da alma negra que sustentou a fé quando tudo era escuridão.
Hoje é dia dos Pretos Velhos.
Hoje é dia da nossa ancestralidade.
Os Pretos Velhos são o silêncio que ensina, o olhar que acolhe e a palavra simples que cura o coração cansado. São os velhos troncos de sabedoria que sustentam a Umbanda com humildade, paciência e amor.
Eles nos ensinam que a grandeza mora nas coisas simples: no café passado com carinho, no bolo de fubá repartido entre irmãos, no vento da tarde atravessando o terreiro, na família reunida, na natureza que alimenta o espírito e no abraço que consola sem dizer palavra alguma.
Há um ponto que ecoa como memória viva do passado:
“No tempo do cativeiro, quando o feitor me batia, eu rezava pra Nossa Senhora… Ô meu Deus, como a chibata doía…”
E mesmo na dor, o velho negro não amaldiçoava.
Erguia os olhos ao céu e rezava.
Pedia força.
Pedia misericórdia.
Pedia luz para continuar caminhando.
E talvez esteja aí um dos maiores ensinamentos dos Pretos Velhos: não alimentar o ódio, mesmo quando a vida tenta endurecer o coração.
Como ensina Pai Tomás Mineiro:
“Eu nunca odiei a Casa Grande, meu filho… eu apenas pedia a Oxalá e a Jesus compaixão para o coração deles e misericórdia para suas atitudes.”
Os velhos da senzala nos lembram que ninguém atravessa a escuridão sozinho.
Na dor, precisaram unir mãos, dividir o pouco, sustentar uns aos outros para sobreviver.
E ainda hoje continuam nos ensinando que corrente se faz com união, paciência e amor.
O terreiro é encontro de almas diferentes. Algumas feridas, outras cansadas, algumas ainda aprendendo a amar. E justamente por isso devemos olhar nossos irmãos de corrente com mais compreensão, menos orgulho e mais misericórdia.
Umbanda não é caminho de vaidade.
É caminho de transformação.
É chão de aprendizado, responsabilidade e evolução espiritual.
(Continuação nos comentários)