16/08/2026
Atotô... Silêncio!
Nosso mais profundo respeito ao Senhor da Terra, da cura, da morte e dos mistérios que o homem jamais conseguirá compreender por inteiro.
Hoje é dia de Omulu. No sincretismo, dia de São Roque.
Diante de Omulu, silenciamos, porque existem forças diante das quais a palavra se torna pequena. Há mistérios que não foram feitos para serem explicados, mas reverenciados.
Omulu é o chão que sustenta nossos passos e que, um dia, receberá novamente nosso corpo. É o Senhor da terra onde tudo termina e também onde tudo recomeça.
Por isso, falar de Omulu é falar de morte, mas, sobretudo, compreender o mistério da vida.
Morremos muitas vezes durante nossa caminhada. Morre uma dor quando a superamos. Morre uma doença quando a cura chega. Morrem caminhos, vaidades, tristezas e antigas versões de nós mesmos.
Há coisas que precisam morrer para que outras possam nascer.
Omulu conhece nossas chagas: as que aparecem no corpo e aquelas escondidas na alma. Conhece a enfermidade que o médico encontra e a dor que ninguém consegue enxergar.
Sob suas palhas repousam mistérios. Em seu xaxará, a força que varre as enfermidades e transforma os caminhos.
Se sua mesa tem alimento e sua família tem saúde, agradeça. Talvez o Senhor da Terra tenha passado silenciosamente por sua casa, sustentando aquilo que você chama apenas de cotidiano.
E, se hoje você enfrenta a enfermidade, clame:
Meu Pai, visite minhas feridas. Toque aquilo que dói. Acalme meu corpo, minha mente e meu espírito.
Que Omulu visite os hospitais, os leitos e aqueles que sofrem em silêncio. Que cure também as doenças para as quais não existem remédios: o ódio, a inveja, a intolerância, a vaidade e a falta de amor.
Meu Velho, leve para sua terra aquilo que precisa morrer em nós. Enterre nossos rancores, sepulte nossas maldades e transforme nossas dores em sabedoria.
Pois a terra que recebe o corpo é a mesma que faz germinar a semente.
Eis o mistério:
onde o homem enxerga o fim, Omulu conhece o princípio.
Transforme nossas vidas, Meu Velho!
Saravá Omulu!
Atotô Ajuberô Obaluaê!
Mukuiu N'Zambi.
Asè
Pai Reinaldo de Ogum