08/01/2025
𝙀𝙉𝘾𝙊𝙉𝙏𝙍𝙊𝙎 𝙀 𝘿𝙀𝙎𝙋𝙀𝘿𝙄𝘿𝘼𝙎
A música "Encontros e Despedidas", de Milton Nascimento, inicia com a estrofe "Mande notícias do mundo de lá / Diz quem f**a" e ficou muito associada recentemente a partidas, a despedidas, a pessoas que se desprendem de nós ou do nosso convívio ou mesmo do mundo material, desde a época do meme da novela global onde as pessoas iam esmaecendo, perdendo a cor, passando ao preto e branco.
Pois bem, para quem é Espiritualista (diferente de Espírita) e que acredita na existência de um mundo para além deste, onde comumente costumamos considerar como "a vida verdadeira", a morte e o desprendimento de uma pessoa precisa ser encarado como um evento normal. Triste, não pela pessoa, mas por nós que f**amos aqui elaborando o luto, pelo nosso egoísmo de querer e desejar que as pessoas amadas estejam sempre conosco quando o mais natural possível é exatamente essa partida, para um posterior reencontro.
Lembro bem de 𝙎𝙤𝙘𝙤𝙧𝙧𝙤 chegando ao Terreiro recém colocado para funcionamento. Era o final do ano de 2019 e em uma casa próxima a Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, em uma segunda ou quinta-feira (eram os nosso dias de Gira à época) uma moça sorridente, com muita força de vida, acompanhada do então marido e da filha Patrícia chegava para entrar na vida do TUSB e na minha vida pessoal e na vida da minha família.
Simples, de bom coração, de risada fácil e sempre muito preocupada com todos e todas, especialmente e principalmente os mais próximos dela, Socorro sempre esbanjou boa índole, uma grande vontade de deixar o outro com um sorriso, de acolher como uma grande mãe a todos que a procuravam. Como sua mãe Odoyá ela acolhia, ensinava, discutia, ouvia e quando perdia a paciência, saía, como maré, a procurar outros caminhos, outras formas, outras moradas. Pouquíssimos de nós a viram irritada, poucos tiveram essa chance, a maioria a viu sorrir e, de bom humor, alterar o rumo da prosa e o rumo da vida, conseguindo se relacionar com todos e todas.
Depois do COVID-19, o que era então algo a se enfrentar com cautela se tornou algo mais grave e quis a vida que Socorro tivesse que se distanciar um pouco da Religião que ela sempre abraçou como abraçou e foi abraçada por Pai Pedro, por Maria Conga, por Sete Saias, por Tranca Ruas, por Zé do Coqueiro, por Zé da Baía (Com "I") e por Urucutango.
Quando tudo trazia incerteza os Guias disseram que ela sim deixaria um legado, que ela acreditasse nisso que eles a ajudariam e então ela pôde ser avó. Tenho a certeza de que o que ela deixou nesse coraçãozinho jovem o fará sempre se lembrar das lições de vida que esta mulher maravilhosa pôde deixar. Por diversas vezes ela dialogou sobre esta passagem com os Guias, ria, fazia piadas, dizia que ainda tinha o que fazer, que segurassem ela aqui mais um pouquinho e assim foi acontecendo e o que ela desenvolveu em si mesma ainda passou pra frente, passou para os demais conviventes, para as equipes assistenciais, para quem deveria cuidar dela. Em suma, iluminou o caminho de quem conviveu com ela, agregou e acrescentou.
Como Comunidade Religiosa perdemos temporariamente o convívio com uma pessoa insubstituível.
Como Amigo, vejo partir alguém que poderia contribuir muitíssimo ainda, mas que contribuiu demais, com muita gente e que me faz admirá-la cada vez mais.
Como Pai de Santo, eu lhe digo Filha, vai na frente, que assim que for a hora nós iremos nos ver novamente e comemore muito que tudo o que você fez aqui foi lindo e são estas memórias que me obrigarão a seguir os teus exemplos e os teus passos. Vai minha Filha e faça os Guias sorrir como você sempre nos fez e nos faz sorrir.
Até daqui a pouco, nós te amamos !!!!
*Pai Leonardy de Ossain*
(Sacerdote e Dirigente do TUSB)