08/12/2024
Sentado sob a árvore Bodhi, decido a empreender seu esforço final, Siddharta foi acossado por inúmeras distrações. Māra, a personificação da ilusão, estendeu sobre Siddharta toda forma de engodo, perturbação e tentação possível.
Sem retroceder em sua determinação, Siddharta conseguiu reconhecer cada ilusão como tal; sem ceder às armadilhas do desejo, da aversão e do ressentimento; sem se abater pela desesperança ou se deixar arrastar pelo orgulho, Siddharta estabeleceu sua mente em firme equanimidade. Como as águas cristalinas de um lago tranquilo, sua mente se tornou também clara e transparente. Ele estava em profundo samādhi.
Imerso na tranquilidade do samādhi, Siddhārta empreendeu uma investigação profunda. Primeiro, dirigindo a mente para a origem de sua própria vida, adquiriu o poder de rememorar as existências passadas Depois, ao aprofundar ainda mais sua observação, adquiriu também a visão divina ou seja, o poder de vislumbrar mentalmente todas as coisas, tornando-se capaz de visualizar diretamente outros planos de existência e avistar os renascimentos dos seres que transmigram. A essa altura, compreendeu como os seres renascem e morrem sucessivamente num ciclo interminável, existência após existência; ele compreendeu também como estes renascimentos se dão mediante o karma gerado por cada um desses seres – isto é, são decorrentes de suas ações corporais, verbais e mentais.
Por último, ele localizou a causa primordial que mantém os seres agrilhoados a esse processo: a ignorância e o desejo. Mediante essa compreensão, Siddhārta adquiriu a total compreensão das mais profundas impurezas mentais, juntamente com a habilidade de abandoná-las e extingui-las por completo. Amparado por grande concentração e sabedoria, ele pôs fim aos venenos da ira, cobiça e ignorância. Siddharta havia alcançado a perfeita paz do nirvana; ele agora sabia que havia finalmente se liberado, e sabia ter encontrado o método para a eliminação definitiva do sofrimento. Siddharta estava, enfim, Desperto.
Com a idade de 35 anos, Siddharta Gautama consumou a Buddhidade, passando o ser Buddha Sakyamuni um exemplo de grande compaixão e sabedoria ensinando a todos o caminho para libertação.