09/06/2023
O feriado de Corpus Christi é considerado sagrado por muitos cristãos. A origem desta celebração remonta ao século XIII. A data foi instituída pelo Papa Urbano IV por meio da Bula “Transiturus de Hoc Mundo”, de 11 de agosto de 1264, para celebração da Eucaristia (Santa Ceia).
Como esse Papa acabou falecendo antes da promulgação, ela se tornou efetiva apenas em 1317 pelo Papa João XXII. Deveria ser sempre celebrada na quinta-feira após o “Domingo da Santíssima Trindade”, uma referência à quinta-feira em que Jesus ceou com os discípulos antes de sua morte.
Dentro do pensamento da teologia católico-romana, acontece na Eucaristia um fenômeno chamado Transubstanciação. Acredita-se que quando o pão e o vinho são consagrados pelo sacerdote católico, ocorre uma mudança metafísica neste elementos e suas substâncias são literalmente transformadas no sangue (vinho) e no corpo (pão) de Cristo. Quando a missa é celebrada, “um verdadeiro sacrifício é novamente oferecido por Cristo em favor dos adoradores, assim como ocorreu na crucificação”. Essa doutrina católica foi formulada por Tomás de Aquino e se tornou o pensamento oficial da Igreja Católica Romana no Concílio de Trento.
No entanto, a Bíblia não corrobora com a visão da Transubstanciação. Quando Jesus se refere ao pão e ao vinho (Mateus 26:26-28), ele está usando uma linguagem metafórica, e não literal. Paulo em 1Coríntios 11.24-26 também ensina isso. Além disso, as Escrituras afirmam claramente que o Cristo se ofereceu em sacrifício pelos pecados da humanidade somente uma vez (Hebreus 9:28). Mesmo que Lutero no qual acreditava na consubstanciação que nada mais é do que um pensamento de que a hóstia conservava sua substância anterior, porém, ao mesmo tempo, adquiria a nova substância do Corpo de Cristo, resultando numa terceira substância, é rejeitava pelo próprio Luteranismo.
Fontes históricas afirmam que:
𝗣𝗥𝗢𝗧𝗘𝗦𝗧𝗔𝗡𝗧𝗘𝗦 𝗡𝗔̃𝗢 𝗖𝗘𝗟𝗘𝗕𝗥𝗔𝗠 𝗢 𝗖𝗢𝗥𝗣𝗨𝗦 𝗖𝗛𝗥𝗜𝗦𝗧𝗜
𝗔𝗻𝗴𝗹𝗶𝗰𝗮𝗻𝗶𝘀𝗺𝗼: "𝘖 𝘚𝘢𝘤𝘳𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘥𝘢 𝘊𝘦𝘪𝘢 𝘥𝘰 𝘚𝘦𝘯𝘩𝘰𝘳 𝘯𝘢̃𝘰 𝘧𝘰𝘪 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘰𝘳𝘥𝘦𝘯𝘢𝘯𝘤̧𝘢 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰 𝘳𝘦𝘴𝘦𝘳𝘷𝘢𝘥𝘰, 𝘯𝘦𝘮 𝘭𝘦𝘷𝘢𝘥𝘰 𝘦𝘮 𝘱𝘳𝘰𝘤𝘪𝘴𝘴𝘢̃𝘰, 𝘯𝘦𝘮 𝘦𝘭𝘦𝘷𝘢𝘥𝘰, 𝘯𝘦𝘮 𝘢𝘥𝘰𝘳𝘢𝘥𝘰." (Os ###IX Artigos da Religião, Artigo XXIII da Ceia do Senhor)
𝗟𝘂𝘁𝗲𝗿𝗮𝗻𝗶𝘀𝗺𝗼: “𝘙𝘦𝘫𝘦𝘪𝘵𝘢𝘮𝘰𝘴 𝘦 𝘤𝘰𝘯𝘥𝘦𝘯𝘢𝘮𝘰𝘴 [...] 𝘰 𝘦𝘯𝘴𝘪𝘯𝘰 𝘥𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘷𝘦𝘮 𝘢𝘥𝘰𝘳𝘢𝘳 𝘰𝘴 𝘦𝘭𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰𝘴, 𝘢𝘴 '𝘴𝘱𝘦𝘤𝘪𝘦𝘴' 𝘰𝘶 𝘢𝘴 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘴 𝘷𝘪𝘴𝘪́𝘷𝘦𝘪𝘴 𝘥𝘰 𝘱𝘢̃𝘰 𝘦 𝘥𝘰 𝘷𝘪𝘯𝘩𝘰 𝘢𝘣𝘦𝘯𝘤̧𝘰𝘢𝘥𝘰𝘴”. (Fórmula de Concórdia, VII).
𝗖𝗮𝗹𝘃𝗶𝗻𝗶𝘀𝗺𝗼: “𝘈 𝘢𝘥𝘰𝘳𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘥𝘰𝘴 𝘦𝘭𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰𝘴, 𝘢 𝘦𝘭𝘦𝘷𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘰𝘶 𝘱𝘳𝘰𝘤𝘪𝘴𝘴𝘢̃𝘰 𝘥𝘦𝘭𝘦𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘴𝘦𝘳𝘦𝘮 𝘢𝘥𝘰𝘳𝘢𝘥𝘰𝘴 𝘦 𝘢 𝘴𝘶𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘦𝘳𝘷𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘲𝘶𝘦𝘳 𝘶𝘴𝘰 𝘳𝘦𝘭𝘪𝘨𝘪𝘰𝘴𝘰, 𝘴𝘢̃𝘰 𝘤𝘰𝘪𝘴𝘢𝘴 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘳𝘢́𝘳𝘪𝘢𝘴 𝘢̀ 𝘯𝘢𝘵𝘶𝘳𝘦𝘻𝘢 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘴𝘢𝘤𝘳𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘦 𝘢̀ 𝘪𝘯𝘴𝘵𝘪𝘵𝘶𝘪𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘥𝘦 𝘊𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰” (Confissão de Westminster, XXIX).