04/07/2024
Nação Jêje
Quando se fala em Nação Jêje, aqui no sul do Brasil, logo se lembra do Pai de um dos pais de santo mais famosos desta nação que foi o Pai Joãozinho de Bará (Exu Bý), morou no Mont Serrat, “exportou o batuque para além das fronteiras do Brasil, para países como Uruguai e Argentina. Era filho de Santo de Mãe Chininha de Xangô Aganju, iniciada pelo príncipe Custódio de Xapanã. O Jêje, assim como o Ijexá, teve várias raízes. Além do pessoal oriundo do terreiro de Custódio de Xapanã, sabe-se de outras vertentes puras desta nação oriunda do antigo Dahomé, hoje Benin. Podemos mencionar neste trabalho de resgate de nossas raízes religiosas a figura da Yalorixá Isolina de Xangô Ainã, das mais antigas na nação Jêje, avó materna de Pai Pedro de Iemanjá. Foi ela quem iniciou verdadeiramente o neto José Pedro Barbosa de Lima nos rituais de nação.
Do terreiro de pai João podemos dizer que sua primeira filha de santo foi a sra. Vandina de Oxum e depois dela vieram outros importantes adeptos do ritual Jêje que se tornaram Babalorixás e Yalorixás onde podemos destacar alguns como a tia Nica do Bará, Alzira de Xangô, Dêde de Oxum, tio Cristóvao de Oxum e sua irmã Conceição, Valdomiro de Bará Lodê, muito respeitado e temido por todos, foi um dos maiores feiticeiros que se teve conhecimento no Rio Grande do Sul; dona Cótinha de Xangô, Valina de Oyá, irmã de Vandina de Oxum; Pai Pirica de Xangô, mãe Jurema de Xangô, tamboreira, teve sua iniciação pelas mãos de Paulino de Oxalá do Ijexá, e com a morte deste passou para o terreiro de pai João; Evinha de Xangô, também, uma das melhores tamboreiras do Sul; tia Licinha de Oyá, Aurora de Ogum, vó de pai Pirica de Xangô; tia Eva de Bará, João vó da Oxum Docô; Rosália de Odé, Landa do Bará, Tirôni de Xapanã; Reni de Iansã, filha de criação de pai João; Pequeno de Bará Lodê, esposo de Reni de Iansã; tia Tereza de Oxalá, filha consanguínea de mãe Alzira de Xangô; tia Jaci de Yemanjá; Valdir de Xangô; Mesquita de Xangô; Nadir de Ogum; Zé de Xangô, tio de Valdir de Xangô; pai Nelson de Xangô, pai de santo de Vinícios de Oxalá; Zé da Sáia de Xangô; Ziza de Odé; Zaida de Oxalá; Julieta de Odé; Patinha de Bará; Marta de Bará, famosa por sua vidência, também praticava o culto à Umbanda; as mulheres grávidas, faziam filas na porta de sua casa para saber o s**o do bebê; mãe Leda de Xangô, também famosa por seus feitos na Umbanda e vidente das melhores, tenho muitos agradecimentos à esta grande mãe de santo; Santa de Yemanjá; mãe Catarina de Ogum; pai Tião de Bará; Elaine de Oxum; Cleusa de Oyá; Elza de Oxalá, morava no Rio de Janeiro, para onde pai João viajava frequentemente. Os terreiros de Jêje praticam junto o ritual de Ijexá (nagô), cujas rezas e rituais são utilizadas em quase todos os terreiros de Batuque do Rio Grande do Sul e nos países vizinhos, onde o ritual africano do sul foi evidenciado como Uruguai e Argentina. A linguagem ritual de Jêje é o Fon e a dança é feita em par; as pessoas dançam de par, uma de frente para outra e alternam os lugares conforme muda o ritmo dos tambores. Os tambores são em tamanho pequeno. Um tamboreiro toca com dois Aquidavís e o outro faz a marcação apenas com um. O acompanhamento é feito com um instrumento denominado “Gãn”. Os terreiros mais tradicionais não usam o agê (xequerê para alguns) quando tocam Jêje puro. Joãozinho de Bará e sua irmã Licinha tocavam juntos, dizem que o ritual ficava muito mais belo quando os dois se juntavam para ritmar os tambores de Jêje.
Joãozinho do Bará doutrinava muito bem seus filhos de santo, ensinava os filhos a tirar as rezas dos Orixás e a tocar tambor; ele ensinava os filhos tocando na mesa com duas colheres e no outro dia já os colocava a tocar no tambor com os aquidavís, e com certeza logo aprendiam. Ele foi uma árvore que deu muitos frutos. Ainda há alguns terreiros que conseguem fazer o ritual Jêje, destas podemos citar a casa de pai Pirica, Jorginho de Bará, Pai Nelson de Xangô, Tião de Bará e seus respectivos descendentes, que também completam seus rituais com as rezas da nação Ijexá de linguagem Yorubá, mas são nestes terreiros que ainda se vê acontecer o ritual jêje-nagô à moda antiga. O que é chamado de nação Jêje é o ritual africano formado pelos povos fons vindo da região de Daomé, hoje Benin. Os povos Jêjes, chegados ao Brasil, em sua grande maioria se estabeleceram em São Luiz do Maranhão, onde ainda existe a Casa das Minas, Salvador e Cachoeira de São Félix (Bahia), Rio de Janeiro e para o Rio Grande do Sul sabe-se que vieram alguns descendentes do Daomé, inclusive um príncipe. O Daomé foi colônia de diversos países , e quando passou a ser propriedade da Grã-Bretanha, os Ingleses tiveram que entrar em acordo com os Reis e príncipes negros que governavam as terras. Um desses acordos resultou a vinda de um príncipe de São João Batista de Ajudá, que deixou sua terra na Costa da Mina; este escolheu o Brasil, inicialmente fixou-se em Rio Grande e, mais tarde foi para o interior de Bagé, onde ficou conhecido por manter viva a tradição religiosa Africana. De Bagé veio para Porto Alegre, adotou como nome Custódio Joaquim de Almeida, conhecido no meio religioso como Príncipe Cústódio. Seu ilê era frequentado por figuras importantes da época, inclusive foi ele quem fez o assentamento de um Bará no mercado público de Porto Alegre, onde todos adeptos do culto africano fazem reverencia cada vez que terminam uma obrigação aos seus Orixás.