26/08/2026
Homilia de dom Carlos Verzeletti no 21º domingo do Tempo Comum
Esta passagem do Evangelho que acabamos de ouvir, nos relata um fato que aconteceu dois anos depois que Jesus tinha chamado os seus discípulos, e já estava se aproximando o tempo de subir para Jerusalém, para poder realizar a obra do Pai: entregar a sua vida. E Jesus faz questão de levar os apóstolos no lugar mais distante de Jerusalém.
Jerusalém estava no sul da Palestina e Jesus os levou até Cesareia de Felipe, lá no Norte, perto das montanhas, entre rochedos bonitos, onde nasce o Rio Jordão. Um lugar fértil, lugar de um clima extraordinário, o lugar que o rei Felipe tinha escolhido para ser a capital do seu reino e, para tanto, tinha construído uma cidade dedicada a Cesar, o imperador. E naquele lugar havia diversas divindades, diversos ídolos.
Daqueles rochedos, brotava água, aquela água que alimentava, e alimenta ainda hoje o Rio Jordão. Mas depois que a água jorrava dos rochedos, ela parecia cair dentro de um buraco profundo, que era chamado de inferno. E por todos os medos que o povo tinha, naquele buraco onde eram sacrif**ados os seus filhos daqueles que tinham medo da morte e queriam acalmá-la. E a água mais adiante aflorava, e começava o percurso do Jordão.
É neste contexto que Jesus pergunta para os discípulos: quem dizem os homens ser o Filho do Homem? Jesus faz questão de querer ouvir o que as pessoas pensam a respeito d‘Ele, e Ele se autodefine Filho do Homem. No Evangelho, depois, nós encontramos Jesus chamado Filho de Deus e é aqui que aparece a sua humanidade. E quais foram as respostas que os apóstolos relataram para Jesus? O povo te considera um profeta, pensam que tu és João Batista, que Herodes tinha mandado degolar, que tu és João Batista que ressuscitou, outros pensam pela força da tua palavra, porque tu fala deste primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas. Que tu és Elias, Elias que voltou e outros pensam que tu és Jeremias, todos concordam que tu és um profeta, mas sempre pensando que era alguém do passado, porque todos estes profetas já tinham passado, mas Jesus estava lá, vivo, em carne e osso.
Se Jesus perguntasse para nós: o que é que o povo pensa de mim? As respostas seriam as mais diferentes: alguns iam dizer que nem conhecem Jesus, que já o viram algumas vezes falar dele, mas, outros iriam dizer que é um homem importante, famoso, que fez muitas coisas boas, que pratica a caridade, outras iriam afirmar que Jesus foi um grande revolucionário, que teve a coragem de denunciar o que ninguém falava! Mas estas respostas parecem que não importam muito para Jesus. Logo em seguida, Jesus se dirigindo aos apóstolos, disse: e vós que estais comigo, há mais de dois anos, que ouvistes a minha palavra, que me vistes, também os prodígios que realizei! Vocês que me acompanharam em tudo, quem sou eu para vocês? Que lugar tenho na vida de vocês?
A pergunta que Jesus fez aos apóstolos, lá em Cesareia, está fazendo para mim e para vocês, agora aqui nesta noite, vocês católicos de Nova Timboteua. É claro que brota logo a resposta de Pedro, tu és o Messias! Logo, espontâneo, dizemos aquilo que nós aprendemos com Catecismo que é verdade! Mas, Jesus quer que cada um de nós dê a sua resposta pessoal. Quem é Ele para mim? Para tanto, se cada um olha para trás e vai lembrando os momentos onde se encontrou de verdade com Jesus, experimentou o seu amor, a sua misericórdia, a sua paciência, então você poderá dizer: Tu, Jesus, não és um qualquer. Não és um estranho para mim, Tu és o meu Amado, a pessoa em quem mais confio, em que apoio a minha vida e tudo que eu sou e que faço, depende de Ti.
A partir da experiência de cada um, virá a resposta certa. É claro, teremos que dizer: Jesus, Tu sabes que eu te amo, Tu conheces meus defeitos, os meus pecados. Tu sabes das minhas quedas, mas Tu sabes que eu te amo e que eu não posso viver sem Ti.
Na segunda leitura de hoje, São Paulo chega a afirmar que tudo é de Deus, por Ele e para Ele. a Ele a glória para sempre. Nós poderíamos dizer que aquelas palavras que nós professamos antes do Pai Nosso expressa, um pouquinho, a nossa fé em Jesus.
Quando nós, celebrando, levantado o Corpo de Jesus para o Pai, a gente diz: por Cristo, com Cristo, em Cristo. A vós, ó Pai... Tudo que nós somos, fazemos, é por Cristo, com Cristo e em Cristo e tudo tem sentido. Sem Ele, a nossa vida perde o sentido, a morte é fim de tudo, é o desastre maior. Com Ele, a partir d’Ele por causa da fé n’Ele, até a morte adquire um sentido profundo. Até a morte f**a iluminada e não nos espanta, assim como não espantou São Francisco.
E vós quem dizeis quem Eu sou? Pedro respondeu em nome dele, em nome dos outros apóstolos e também em nosso nome, dizendo: Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo.
Qual é o sentido desta resposta? A palavra Messias é uma palavra hebraica, traduzida no grego, quer dizer: Cristo. O nome era Jesus, Jesus de Nazaré, Yeshua, depois foi acrescentado a palavra Cristo, depois da ressurreição, porque esta foi a profissão de Pedro: tu és o Messias, o Cristo, tu és o Ungido de Deus, Tu és o Prometido, Tu és o enviado de Deus, e acrescenta: o Messias, o Filho de Deus. Esta é a fé de Pedro, é a fé da Igreja, é a nossa fé, também. Ungido pelo poder do Espírito Santo, foi concebido no ventre de Maria pelo poder do Espírito Santo. A sua missão se deu porque coberto pelo Espírito Santo. O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me enviou para anunciar a Boa Nova aos pobres. a libertação dos presos, para dar a vista aos cegos. Então, é o Espírito de Jesus, o Espírito Santo que acompanhou Jesus ao longo da sua caminhada, e foi exatamente o Espírito que Jesus nos entregou na hora da sua partida, na hora da sua morte.
Seria interessante esta pergunta: que dizem que eu sou? Perguntar a Nossa Senhora, e tu Nossa Senhora que dizes quem é Jesus, o teu Filho? Porque ela tem a melhor resposta. Ela lembraria aquilo que o anjo Gabriel lhe tinha falado que aquele menino dela, seria o Salvador da humanidade. Fico pensado será que Nossa Senhora, na medida em que, o menino crescia, se tornou adulto, ela foi revelando a Jesus aquilo que o anjo tinha falado para ela, eu acredito que sim. Acredito que sim, porque quantas vezes a minha mãe me lembrava, e dizia das coisas quando era pequeno, quando me esperava, quando estava grávida! Toda mãe procura partilhar com o filho aquilo que o filho não pode lembrar quando era pequeno, o que preparou a sua vinda no mundo.
Talvez Jesus não conseguisse entender quando Ele era criança ou adolescente, com o tempo, pouco a pouco, ele foi descobrindo a sua identidade de Filho de Deus, de ungido do Senhor. Ela deve ter dito para Ele: meu Filho, tu foste concebido, não por outro homem, mas com o poder do Espírito, então, aquela palavra ungido, tinha todo um sentido.
Depois que Pedro respondeu, depois do Messias, Filho do Deus Vivo, logo Jesus disse: muito bem Pedro, respondeu sério, mas não foi fruto da tua cabeça, não veio por causa da tua sabedoria, da tua inteligência, foi o meu Pai que te revelou isso.
Nós, nunca iremos entender quem é Jesus. Só confiando na nossa inteligência, se Deus não manifesta para nós a grandeza, a beleza do seu Filho, nós não podemos conhecê-lo, de verdade foi o Espírito enviado pelo Pai que iluminou Pedro, e que fez com que ele fizesse esta bela profissão de fé. Pedro falou, certo, disse a verdade. Pedro falou certo, mesmo que estivesse imaginando outra coisa, porque todo o povo de Israel esperava o Messias, mas, para quê? Para expulsar os romanos, para conseguir nova liberdade, para que Israel pudesse triunfar sobre os outros povos, um Messias valente, forte. É assim que pensava Simão Pedro.
Jesus, logo depois, termina o Evangelho, dizendo que mandou os apóstolos f**arem calados, não dissessem a ninguém que Ele era o Messias, por causa da falta de clareza que estava na cabeça dos apóstolos, estavam equivocados.
No Evangelho do próximo domingo, nós iremos ouvir Jesus dizendo: olha! o Filho do Homem vai sofrer, vai ser preso, vai ser condenado, vai ser morto e no terceiro dia vai ressuscitar...
Que bonito! Este é o caminho que nós temos que fazer, porque aquele Filho de Deus, o Ungido, escolhe o caminho da Cruz, do calvário, é o Servo Sofredor, que dá a vida por nós, o Cordeiro Imolado. Pedro vai entender isso só depois, e é nessa hora que Jesus confia a Pedro a responsabilidade de conduzir a Igreja, e Jesus muda o nome de Simão filho de Jonas, e disse, agora o teu nome será Cefas, Pedro, Pedra, e sobre esta Pedra construirei a minha Igreja.
E nos perguntamos, mas qual é o alicerce da Igreja: é Pedro ou é Jesus? Não há dúvida nenhuma! A Pedra, o alicerce fundamental sobre a qual está construída a Igreja é Jesus, Ele, como diz o salmo, como falavam também os mestres da lei: Ele é a Pedra rejeitada, foi rejeitado pelos fariseus, pelos mestres da lei e pelos pelas autoridades. Ele é a Pedra rejeitada que se tornou alicerce, e é sobre esta Pedra que está Pedro. Pedra que está lá apoiada em Cristo, e junto com a Pedra, Pedro, estão também as nossas pedras, cada um de nós é uma pedra, porque fazemos parte desta Igreja de Cristo, e estas pedras estão juntinhas, uma com as outras, todas encaixadas e apoiadas em Jesus. Que bonito! e Jesus fez questão de dar a Pedro esta responsabilidade: de manter a Igreja unida, fiel ao Evangelho.
E nós f**amos imaginando Nossa Senhora, estamos no final deste Círio, pois, na Igreja a missão, o serviço que Pedro realiza, o sucessor de Pedro, o Papa realiza, é exatamente, manter a Igreja unida que é também, podemos dizer, a mesma preocupação da mãe de Jesus. Maria e Pedro têm esta mesma missão. ...
Nós todos diferentes um do outro possamos crescer nesta unidade, nesta comunhão. Que bonito lembrar os primeiros cristãos: eram um só coração e uma sua alma, e Maria estava lá com eles, incentivando esta unidade, esta concórdia, esta harmonia.
Depois que Jesus ressuscitado subiu ao Pai, foi ela que manteve os onze reunidos em oração, na espera do dom do Espírito Santo, incentivando; ela ainda continua hoje nesta obra de unidade. Maria com sua maternidade, e Pedro com este poder que Jesus lhe deu, de abrir e de fechar; é claro que, a missão da Igreja, sobretudo é de abrir para acolher, acolher a todos, para não perder ninguém, para salvar a todos. A nossa tentação às vezes é fechar, mas o coração de Deus, o coração toca todos nós, sentimos esta presença bonita, uma presença visível que continua na história, através do Papa.
As outras igrejas não têm esta figura visível de unidade, que é o Papa, não tem! Então, cada um faz as suas coisas, brigam entre eles, e a Igreja, se tem uma prova que esta Igreja é de Cristo, e que conseguiu superar crises, dificuldades, e que o poder do inferno não prevaleceu sobre ela, são dois mil anos de história. São dois mil anos que existe a Igreja, construída por Jesus, que dando a vida com seu amor, e nós nascemos do lado aberto pela lança do soldado que de lá, jorrou sangue e água. De lá que nós nascemos e esta água, este sangue nos lava, nos purif**a. Ter esta presença de Pedro, do sucessor de Pedro que nos mantém no caminho da unidade.
E Jesus conhecia Pedro, sabia de suas empolgações, também conhecia suas fraquezas. Naquela noite, quando Jesus foi preso, processado lá no palácio dos sacerdotes, negou de conhecer Jesus por três vezes, e Jesus confiou a ele a Igreja. A Igreja caminha há dois mil anos, altos e baixos, crises, e até escândalos, porém, a Igreja continua viva, porque a obra de Deus, que é Cristo, a constrói. E de vez em quando, nos momentos de crise, Deus manda alguém para sacudir a Igreja, para que a Igreja se renove, para que a Igreja volte a sua origem. Assim aconteceu no tempo de São Francisco. São Francisco se sentiu chamado a reconstruir a Igreja, antes se pensava que se tratava de reconstruir a igreja de São Damião, mas depois, entendeu que devia trabalhar para renovar a Igreja, e não fez o que fez Lutero, que era padre católico, que saiu da Igreja, criou uma outra igreja. Não! Os verdadeiros santos, todos eles perceberam que a Igreja se muda a partir da mudança de nós mesmos. Antes de querer que os outros se convertam, cada um de nós tem que se converter e sou eu que tenho que mudar primeiro.
Então, o testemunho bonito destes homens de São Francisco, de São Domingos e de tantos outros, fizeram a diferença na Igreja. A Igreja continua a se renovando, e temos esta graça de ter o sucessor de Pedro que nos mantém na unidade. E na Igreja Católica esta presença bonita da mãe de Jesus. Inexplicável!
Ninguém é amado, venerado, quanto ela em todo lugar.
Em todo lugar, é exatamente a vocação da mãe. A ela, também, esta noite confiamos a nossa paróquia para que se mantenha unida, as nossas comunidades, as famílias unidas, os casais unidos, porque há sempre uma tentação. o diabo, que divide e quer nos separar de Deus, dos irmãos. E a mãe, aquela que une, que procura manter todos nós neste espírito de comunhão e de harmonia.
Então, confiemos a nossa vida, a caminhada da Igreja, os nossos propósitos de bem, e que cada um procure nestes dias, ter um momento para responder pessoalmente a Jesus, que quer saber: o que tu pensas de Mim, quem sou Eu para ti, que lugar tenho na tua vida?
Que cada um possa dar sua resposta pessoal. E dizer a Jesus: eu não posso viver sem Ti, Tu és a minha força, a minha luz, a minha esperança, o meu amparo. Tu és o meu rochedo, Tu és o meu Deus e Senhor. Amém.
Nova Timboteua, 23 de agosto de 2026.
Fotos: Pascom Nova Timboteua