14/04/2026
Zélio Fernandino de Moraes queria praticar um culto livre das amarras kardecistas que não aceitavam a manifestação de indígenas e pretos velhos nas mesas brancas.
Para isso, criou seu próprio espiritismo libertário, chamado de Umbanda pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas. A comunidade macumbeira do Rio de Janeiro viu naquilo uma oportunidade boa para conseguir cultuar os seus sagrados, evitando a perseguição do estado.
Uma história que mostra como o brasileiro é capaz de transitar e se transfigurar em identidades híbridas para lidar com as dinâmicas políticas e sociais.
Virou moda hoje em dia contar isso por um prisma que busca vilanizar a figura de Zélio. Dizer que ele embranqueceu a religiosidade macumbeira é um equívoco que atropela diversas nuances históricas, políticas e sociais.
A prerrogativa de Zélio era ter liberdade frente às limitações institucionais do kardecismo. E é possível contar a história da Umbanda, reconhecendo o valor de Zélio, ao mesmo tempo que se reconhece a Macumba anterior como a verdadeira fonte da Umbanda.