13/02/2018
Diferenças entre a salvação e o reino
A questão do reino ou a recompensa dos crentes é um assunto pouco falado nas igrejas. Existe uma postura atual de negligenciar as coisas do céu e supervalorizar as bênçãos aqui na terra.
A nossa intenção nesse assunto é dupla:
Confortar sobre a questão da salvação. A salvação é algo que já está garantido pela obra de Jesus na Cruz. Nós podemos ter certeza de salvação.
Por outro lado desejamos trazer temor para com a vinda de Jesus (muitos estão relaxados). Todos nós iremos comparecer diante do tribunal de Cristo para receber segundo o bem o mal que tivermos feito.
O que é o reino dos céus
De acordo com Mateus, há três aspectos a respeito do reino dos céus: a aparência, a realidade e a manifestação.
a. A aparência
A aparência do reino dos céus é tudo aquilo que está relacionado com Cristo e o cristianismo e nem sempre é real e verdadeiro. Tem muita coisa que tem apenas a aparência, mas sem nenhum realidade interior.
b. A realidade
A realidade do reino dos céus está na igreja. É fruto do novo nascimento. É tudo aquilo que foi revelado pelo Senhor Jesus no sermão do monte. A realidade do reino dos céus hoje é interior, no espírito. O reino dos céus veio no dia de Pentecoste quando o Espírito veio.
c. A manifestação
A manifestação do reino dos céus será quando o Senhor Jesus voltar para reinar sobre a terra por mil anos. Naquele dia o reino será visível, mas nós podemos hoje experimentar os poderes desta era vindoura curando enfermos e manifestando o reino de Deus.
O reino dos céus, portanto, é composto de duas seções: a igreja e o milênio. Todos os cristãos genuínos hoje estão na Igreja, mas apenas o cristãos vencedores estarão na manifestação do reino durante o milênio.
d. Reino de Deus e reino dos céus
Precisamos também fazer distinção entre reino de Deus e reino dos céus. O reino de Deus é o governo soberano de Deus sobre todas as coisas em todas as épocas. É o governo de Deus da eternidade passada até a eternidade futura.
Todavia, dentro do reino de Deus existe uma parte chamada reino dos céus. Em alguns lugares o reino dos céus é também chamado reino de Deus, porque o reino de Deus abrange o reino dos céus. Veja um exemplo. São Paulo está dentro do Brasil. Algumas vezes podemos chamar São Paulo de Brasil, mas não o contrário. O reino de Deus é o Brasil e o reino dos céus seria São Paulo.
Primeira Diferença - quanto a posição
Para compreendermos apropriadamente a visão dos vencedores, precisamos verif**ar alguns conceitos fundamentais. Um deles é que há diferença entre salvação e galardão. O galardão é a recompensa dos crentes. Qual a diferença entre ser salvo e receber a recompensa? A salvação relaciona-se com a vida eterna, contudo, o galardão virá no tempo em que o Senhor irá distribuir a recompensa para os servos que foram fiéis. Alcança-se a salvação pela graça, mediante a fé, não por obra. A recompensa, por outro lado, depende do mérito.
Suponhamos que eu seja um homem muito rico, dono de uma escola, e você uma pessoa ignorante e pobre, mas que deseja estudar e aprender. Então me proponho a pagar seus estudos e para tantos quantos queiram estudar. A matrícula é de graça, bem como o restante que você necessita para estudar, tudo é grátis. Isso é a salvação. Jesus era muito rico e pagou para você entrar na escola. A matrícula é a salvação, as mensalidades estão pagas, você não necessita desembolsar mais nada, está tudo pago. Jesus já pagou o preço.
Apesar disso, seu diploma não é de graça. É preciso estudar. Quem pagou a escola pode estudar no seu lugar? É necessário trabalhar muito e suar a camisa. Se você for aprovado no exame final, então estará apto a receber o diploma. A matrícula foi de graça, mas o diploma custa caro. A salvação é a matrícula, por meio dela, todos entramos na escola de Deus, mas o diploma é o reino, a recompensa. Alguns querem apenas f**ar na escola, porque gostam da comunhão dos alunos, do recreio, das aulas. Mas tudo isso deve ser consumado com boas notas. Muitos entram na escola, mas nem todos recebem o diploma. Muitos foram salvos, mas nem todos receberão a recompensa do reino. Muitos são chamados, mas poucos escolhidos (Mt 22.14).
Quando morei fora tive um amigo que fazia faculdade havia dez anos. O visto dele era de estudante, por isso precisava estar matriculado para continuar no país. O alvo dele era só estudar, ele não queria se formar. Hoje, há muitas igrejas assim, estudam anos e anos. Não querem o diploma, querem apenas f**ar estudando.
A salvação é a escola paga, tudo já foi pago, mas você agora deve trabalhar arduamente. Esse trabalho árduo é a qualif**ação para receber o diploma. Ao final, haverá uma avaliação e, se você não for aprovado, não receberá o diploma de servo bom e fiel.
Ninguém é expulso da escola por se sair mal na avaliação. Do mesmo modo, ninguém perderá a salvação se for reprovado. O que acontece com o aluno que não sai bem na avaliação? Repete o ano, ou f**a para recuperação. O que será o Milênio então? A repetência. O problema é que são mil anos. Eu quero ser aprovado aqui.
A salvação se dá por meio de Cristo. Apenas pelo sangue do Cordeiro você pode ser lavado, perdoado e justif**ado. Quando somos pecadores, nosso alvo deve ser a salvação, porém, uma vez salvos, nosso alvo deve ser a recompensa. Preocupemo-nos hoje em receber o diploma ao final.
Se não houver clareza a respeito da diferença entre salvação e recompensa surgirá uma grande dificuldade para compreendermos certas partes da Bíblia. Há versículos que falam a respeito da recompensa e muitas pessoas os aplicam para a salvação. Fazendo isso incorrem em extremos. É por isso que alguns colocam a salvação como algo tão difícil e inatingível, seria mais fácil fazer todas as penitências dos religiosos. A salvação, na verdade, é algo muito simples: basta crer com o coração e confessar com a boca que Jesus ressuscitou e é Senhor (Rm 10.9-10). A recompensa, por outro lado, não é tão simples.
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou (Rm 8.31-37).
Se a recompensa é para os vencedores, então poderíamos concluir que todo crente será recompensado, porque todos são vencedores.
De fato é verdade. Mas precisamos compreender a diferença entre posição legal e posição experiencial. Legalmente somos mais que vencedores. Cristo nos garantiu a vitória. Porém, é possível que não vivamos isso em nossa experiência.
Posição legal é aquilo que é nosso por direito. Em Cristo Jesus, somos vencedores porque Ele já pagou o preço; morreu e ressuscitou; subjugou principados e potestades. Ele venceu e, porque estamos nEle, também somos vencedores. A posição dEle é a nossa.
Posição experiencial, porém, é tomar na experiência aquilo que já é verdade legalmente. É possível ser herdeiro legal de uma grande fortuna, e, na prática, viver na miséria absoluta. Alguns são filhos do Rei, mas vivem como se fossem escravos.
Charles Spurgeon¹ conta que certa vez foi convidado para orar na casa de uma irmã idosa, muito humilde que já estava para partir e se encontrar com o Senhor. Quando Ele entrou na casa, ficou muito sensibilizado com a simplicidade do lugar, mas o que mais lhe chamou a atenção foi um quadro parecido com um diploma emoldurado na parede. Depois de orar pela irmã, gentilmente lhe perguntou o que era aquele quadro. Ela respondeu que havia trabalhado por muitos anos para uma senhora muito rica e, depois de sua morte, ela havia lhe deixado aquilo como lembrança. Ele pediu para olhar e levou aquele quadro a um advogado. Qual não foi a sua surpresa: aquele quadro era na verdade um documento de herança. Aquela pobre senhora era, na verdade, muito rica. Por ser analfabeta, não sabia o valor do documento e guardava-o como uma simples lembrança.
É doloroso pensar que podemos ser donos de uma grande fortuna e vivermos na completa miséria. Essa é a história de muitos crentes: são legalmente ricos, mas experiencialmente pobres.
A parte de Deus é dar, mas a nossa parte é nos apropriar. Se não há apropriação, não há desfrute da herança. Vencedores são aqueles que já entraram na experiência e se apropriaram daquilo que é de todo crente por direito. Por isso, uma coisa é ser salvo, outra é ser vencedor.
Apesar de todo crente, nascido de novo, ser um vencedor legalmente, sabe-se que essa não é a experiência de todos. Há muitos crentes que vivem como derrotados.
Um crente derrotado é salvo? A nossa salvação é uma questão de legalidade e não de experiência. Ela não depende de nossa vitória pessoal, mas da vitória do Senhor Jesus. Uma coisa é ser salvo; outra é ser vencedor. A salvação é o dom de Deus a todo que nEle crê; mas apenas o vencedor receberá a recompensa.
A salvação é pela fé, contudo, a recompensa é pelas obras que praticarmos diante de Deus.
“Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo” (Gl 4.1).
Há muitos crentes que, embora sejam filhos, em nada diferem do escravo. São donos de tudo, mas vivem como se não tivessem nada. Vencedores são todos os crentes que já entraram na experiência da herança.
Ser um vencedor é uma questão de maturidade. Vencedores são maduros, derrotados vivem como crianças.
Vencedores são espirituais, enquanto derrotados são carnais.
A salvação é uma questão de estar em Cristo, mas o reino depende de Cristo estar em nós, vivendo a Sua vida e nos transmitindo o Seu caráter.
Todos nós já temos a vitória legalmente sobre o diabo, a carne e o mundo, contudo nem todos a possuem de forma experiencial.
Segunda diferença - a forma como é adquirido.
A salvação é pela graça mediante a fé, enquanto o reino é adquirido por obras de justiça praticadas por nós.
a. A salvação é de graça.
A palavra do Senhor nunca ensina que a salvação pode ser adquirida pelas obras. A salvação é de graça. Ninguém pode comprar a salvação por isso Jesus a comprou para nós.
Devemos ser radicais com relação a salvação ser de graça. Não é salvação mais quebra de maldição, não é salvação mais deixar de fumar, não é salvação mais usar uma roupa mais apropriada, não é salvação mais alguma coisa: é salvação pela graça mediante a fé. É graça, unicamente graça.
Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Is 55:1
O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. Ap. 22:17
Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Tt. 3:5
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.Rm 6:23
Dom é igual a presente. A salvação é um presente, nos é dada, é de graça.
As vezes colocamos exigências tão grandes para a pessoa vir e ser salva, batizada, que é mais fácil fazer penitências como ir a pé a Trindade e voltar. Seja firme contra o legalismo.
O legalismo não é de Deus porque anula o evangelho da graça.
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Ef 2:8-9
O verdadeiro convite do Senhor é: “ venha do jeito que você estiver, mas venha!” Ele não diz para primeiro nos lavarmos, ou primeiro mudarmos de vida. É o Senhor quem vai mudar a sua vida, este é o evangelho da graça. A graça é para salvação.
Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Rm 10:9-10.
A salvação acontece num instante. O nosso espírito é regenerado na hora em que nós recebemos a vida eterna dentro de nós.
A salvação é a porta de entrada. A salvação é uma questão que diz respeito ao inferno, mas o ser vencedor diz respeito a recompensa. Muitos estão preocupados só com o inferno.
Uma vez que você é salvo esqueça a questão do inferno. Não cremos em perda de salvação porque o Senhor disse:
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome. Jo. 1:12
Uma vez que tenho um filho, por mais que o filho faça algo ruim ele não vai deixar de ser meu filho. O Senhor também diz que aquele que vai a ele nunca ninguém o arrebatará de suas mãos.
Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Jo 10.28
Há duas linhas básicas da Teologia a esse respeito. O arminianismo e o Calvinismo.
O Arminiano ensina que a salvação depende de nós e que se nós formos fiéis até o final seremos salvos.
O Calvinista diz que a salvação não depende de nós, é um presente de Deus. Se eu recebi um presente eu estou salvo e Deus não pega o presente de volta.
Aparentemente parecem estar em contradição mas possivelmente há um equilíbrio entre estas.
Os dois geram problema, porque o Arminiano só vê a salvação, quase nunca vê a recompensa, e normalmente o Arminiano é aquele que ensina que se você vier a Jesus vai ganhar uma recompensa no céu. Isso não é verdade, ninguém vai ganhar recompensa por receber a Jesus como salvador, não há recompensa por ser salvo. Salvação é uma coisa e a recompensa é outra.
O Arminiano erra neste ponto. Eles também vivem angustiados porque cada vez que caem em pecado acham que perdeu a salvação.
Para os Calvinistas não há perda da salvação. Eles levam a soberania de Deus a sério. E já que não há perda da salvação ele não ora, não jejua, não busca a Deus e vira aquele crente de terceira, mais morto impossível, mas diz que é crente, todavia, não é um vencedor.
Nossa ênfase é o equilíbrio entre a visão da graça e a visão das obras. Porque por um lado você foi salvo pela graça mas por outro lado você foi salvo para as obras. Por um lado você não será mais julgado com respeito a salvação, mas seremos julgado com relação a recompensa, se somos ou não vencedores diante de Deus.
Por um lado o calvinista é bom porque ele ensina uma verdade. A salvação pela graça é um presente e não se perde. Por outro lado o Arminiano é bom porque ensina comprometimento, seriedade com Deus, buscar a Deus, vigiar, orar, porque está na Bíblia. Então os dois, na verdade, têm lados da mesma moeda, precisamos de equilibrar os dois.
b. O reino do céu é por mérito.
Existem pregadores que dizem que se você vier a Jesus vai ganhar uma coroa no céu. Isto definitivamente está em desacordo com a Palavra de Deus. Ninguém vai receber uma coroa simplesmente porque é salvo. É preciso ter obras.
Apocalipse 2:23 diz: “... Eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um, segundo as vossas obras.”
Nós somos salvos pela graça para as obras.
Se a salvação é adquirida inteiramente pela graça mediante a fé. Então como é que o reino é adquirido? O reino é adquirido cumprindo condições de Deus ligadas a fidelidade, santidade e perseverança. Veja como exemplo o que Jesus disse no sermão do monte.
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Mt. 5:3
Para entrar nos céus tem que ser humilde? Não, vimos que a salvação é de graça. Se você creu com o coração e confessou com a boca você é salvo. Ou você acha que tem algum pecador humilde. Não há pecadores humilde, todo pecador é miserável, arrogante, soberbo. Agora, para você herdar o reino, para você reinar com o Senhor Jesus aí você precisa ser humilde, tem que negar a si mesmo, por isso que tem que ter os dois.
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Mt. 5:10
Para ser salvo tem que ser perseguido? Não, mas para você herdar o reino, a recompensa de reinar com o Senhor, recompensa é a posição de glória, de proeminência e de honra no reino, isso aqui é para quem é perseguido por causa da justiça.
Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus. Mt. 5:20
Exceder em muito a justiça dos fariseus. Se você acha que para ser salvo tem que ser mais santo do que um fariseu você está frito. Provavelmente nenhum de nós entraríamos no céu. Porque um fariseu era correto nas leis humanas nas mínimas coisas, só não era por dentro, mas a justiça do fariseu era correta.
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Mt. 7:21
Para ser salvo não tem que fazer a vontade de Deus. Para ser salvo tem que confessar com a boca e com o coração. Mas para você reinar tem que fazer a vontade de Deus. Por isso ser um vencedor é algo muito diferente de ser salvo. Você pode ser salvo e ser um derrotado, e isso é muito grave.
Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Mt 11:12
Para ser salvo não tem que se esforçar porque a salvação é de graça. Mas, o reino é pelas obras e quem não tem obras não vai reinar com o Senhor.
Alguém pode dizer que não quer reinar. Quem pensa assim não está indo para o céu, porque alguém que é cheio do espírito, alguém que foi comprado e conquistado por Deus não tem essa atitude. Um crente de verdade nunca escolhe a miséria e a pobreza, nunca escolhe ser um derrotado.
E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Ap. 22:12
Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. I Cor. 3:8
Tudo quanto fizerdes, fazei -o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo. Cl. 3:23-24
Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Rm. 4:4
Terceira diferença - quanto a duração
A salvação é eterna, enquanto o Reino durará 1000 anos.
E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. I Cor. 15:24-25
A salvação não será mais longa para uns que para outros, ela é igualmente eterna para todos. Todavia o reino dos céus durará o tempo do milênio e nele uns reinarão e outros serão disciplinados.
Reino tem começo e fim; a salvação não.
Quarta diferença - quanto ao sofrimento
A salvação não depende de sofrimento algum, de penitência alguma, mais o reino as vezes implica em sofrimento e privação.
E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. Mt. 19:24
Para ser salvo não tem que ser pobre. Ninguém crê que para ser salvo tem que vender tudo pois ultimamente tem havido até muitos ricos e pessoas famosas na igreja. A salvação é um presente, eu não tenho que dar nada para ninguém para ser salvo.
Mas, o reino é diferente. Uma vez que eu sou salvo, mas sou avarento, mesquinho com meu dinheiro, eu não vou receber recompensa da parte de Deus, eu não vou ser um vencedor. É muito difícil um rico ser um vencedor, porque eles amam muito o dinheiro.
Ainda não vimos um rico que seja realmente fiel no dízimo. Eles ofertam grandes quantias, mas o que ofertam não representa nem os dez por cento do dízimo quanto mais a justiça excedente do reino.
Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita. Mt. 19:12
Para ser salvo não tem que ser solteiro, não tem que fazer voto de castidade. Mas para herdar uma recompensa as vezes é necessário. Por exemplo se você não casou, você tem que morrer virgem porque não há s**o fora do casamento. Caso contrário você é um derrotado.
Apocalipse 20 mostranos que os mártires recebem o reino, embora não diga que sejam os únicos a receberem o reino (v.4). A Bíblia, entretanto, nunca nos mostra que o homem deva ser martirizado a fim de receber a vida eterna. Entretanto, o reino é diferente. O reino requer esforço. Até mesmo requer o martírio para obtêlo.
Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Ap. 20:4
Quinta diferença - quanto a forma de Deus tratar
O reino não pode ser dado e sim conquistado.
Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda. Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos. Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai. Mt. 20.21 a 23
Por que o Senhor não pôde atender o pedido daquela mãe? Porque o reino não é algo que se dá, é algo que se merece. O reino é uma recompensa.
E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. Lc. 23.42-43
O pedido do ladrão envolvia o reino, mas a resposta de Jesus foi em relação a salvação. Com relação ao reino Ele não podia fazer nada já que o ladrão (que não era bom) não tinha obras, estava convertendo na hora da morte.
Há um engano muito grande na vida da igreja. Refiro-me ao fato de alguns pensarem que a morte tem algum poder de nos aperfeiçoar. Se morremos ignorantes chegaremos lá ignorante e se morremos sem obras chegaremos lá sem obras.
Bem aventurado é aquele que tem a oportunidade de servir o Senhor em vida, porque as suas obras vão acompanha-lo. Quem não tem obras vai chegar de mãos abanando diante de Deus.
Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham. Ap. 14:13
Que obras são essas? A grande obra é a transformação da nossa alma, a nossa santif**ação. O Senhor Jesus falou que aquele que em vós começou a boa obra há de completá-la até o dia de Cristo. Aquele que foi salvo hoje e morreu amanhã não deu tempo do Senhor completar nele a boa obra.
A morte não tem o poder de acrescentar nada a ninguém. Quem morre criança na fé, chega no céu criança na fé. Ele não vai adquirir num piscar de olhos conhecimento ou algo assim. Quem não teve a oportunidade de fazer algo aqui não vai ser porque morreu que ele repentinamente vai ter obras diante do Senhor.
O milênio será o tempo em que o Senhor vai completar a obra na vida de muitos crentes. Porque o Senhor vai cumprir a sua promessa. Sabemos que muitos morrem sem que esta obra esteja completa.
Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Fl. 1:6
O Senhor procura frutos, como podemos ver na passagem da videira em João 15. Jesus disse: Eu sou a videira verdadeira e vocês são os ramos. O meu Pai esta procurando frutos e o ramo que não dá fruto ele corta e joga no fogo.
Aquele que não der fruto vai passar pelo fogo da disciplina de Deus no milênio. Ou você pecando aqui ou você indo em pecado para o céu você estará diante de Deus do mesmo jeito. Ou será disciplinado aqui se não arrepender, ou será disciplinado lá.
Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Mt 5.25
A caminho aqui neste texto signif**a enquanto estiverem vivos. Se você morrer com algo pendente, no dia do julgamento o Senhor vai pedir contas disso.
Sexta diferença - quanto a graduação
A vida eterna é igual para todos, mas no reino haverá diferença de graduação entre crente e crente.
Cada um vai ganhar a recompensa de acordo com suas obras. Quem não tem obras não terá recompensa .E quem teve obras más terá disciplina.
No reino, há diversos níveis de graduação. Alguns receberão dez cidades, outros receberão cinco (Lc 19:1719). Alguns receberão meramente uma recompensa, mas outros receberão um galardão. Alguns ganharão uma rica entrada no reino (2 Pe 1: 11). Alguns entrarão no reino sem uma rica entrada. Portanto, existe uma diferença em graduação no reino.
Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades. Lc. 19:17-19
Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. II Pe. 1:11
Mas nunca haverá uma questão de graduação com relação à vida eterna. A vida eterna é a mesma para todos. Ninguém recebera dez anos a mais que o outro. Não existe diferença na vida eterna, todavia no reino há diferença.
O reino e a vida eterna são duas coisas absolutamente diferentes. A condição para a salvação é a fé no Senhor. Além da fé, não há outra condição, pois todos os requisitos já foram cumpridos pelo Filho de Deus. A morte de Seu Filho satisfez todas as exigências de Deus.
Mas entrar no reino dos céus é outra questão: requer obras. Hoje, um homem é salvo pela justiça de Deus. Mas não podemos entrar no reino dos céus a menos que nossa justiça exceda a dos escribas e fariseus (Mt 5:20).
Salvação é uma questão de conhecermos a Deus, mas o reino é uma questão de sermos conhecidos por Ele
A questão da vida eterna é completamente baseada na obra do Senhor Jesus. Contudo, a questão do reino está baseada nas obras do homem.
Todavia, mesmo quem se converteu mais tarde, já velho, poderá ter uma recompensa igual aos que se converteram mais jovem e tiveram, mais tempo de acumular tesouros no céu. Deus olha a intenção do coração.
Podemos ver esse princípio na Parábola dos trabalhadores da vinha em Mateus 20:
Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros. Vindo os da hora undécima, recebeu cada um deles um denário. Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um. Mas, tendo -o recebido, murmuravam contra o dono da casa, dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia. Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Mt. 20:8 a 16
Sétima diferença- quanto a definição - Ap. 3:11.
A Vida eterna já está definida por isso podemos ter certeza de salvação. Todavia ser um vencedor é uma questão que está em aberto, podemos ser hoje e não ser amanhã, ou vice-versa.
Salomão é um exemplo de alguém que começou bem a corrida, mas terminou mal.
Jacó, por outro lado, começou mal a corrida, mas terminou bem. A recompensa, portanto é algo que permanece em aberto e alguém que possui uma coroa hoje pode não tê-la amanhã.
Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Ap. 3:11
Oitava diferença - quanto ao julgamento- II Tm. 4:7-8
Os crentes do Novo Testamento serão julgados pelo tribunal de Cristo, enquanto os ímpios serão julgados por Deus no julgamento do grande trono branco.
O julgamento dos crentes no tribunal de Cristo será antes do Milênio por ocasião da vinda de Cristo, mas o julgamento do trono branco será depois do Milênio.
O julgamento dos crentes não é para perdição e sim para recompensa, mas o julgamento dos ímpios será para condenação.
Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. II Cor. 5:10
Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Rm. 14:10 e 12
Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justif**ado, pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. I Cor. 4:4-5
manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo. I cor. 3:13-15
Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras. Mt. 16:27
E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Ap. 22:12
Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. Hb. 10:30-31
Isto mostra que embora salvos para sempre e perdoados por Deus os crentes estão ainda sujeitos a julgamento do Senhor, não para perdição, mas para disciplina, caso desrespeitem a lei do reino.
Entretanto, quando pecamos contra a lei do reino e confessamos o nosso pecado somos perdoados e limpos pelo sangue do Cordeiro (I Jo. 1:7 e 9).
O julgamento, porém, não é apenas para recompensa. Sabemos alguns receberão recompensa enquanto outros o oposto. Mas o que é o oposto de recompensa? Se não é punição, o que é?
Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão. Lc. 12:47-48
O texto de Lucas nos mostra não somente a possibilidade de perda de recompensa, mas a possibilidade dos açoites.
Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo. I Cor. 5:15
Como pode alguém sofrer dano pelo fogo sem ter nenhum tipo de sofrimento?
Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. Jo. 15:6
Não permanecer no Senhor e ser lançado fora ou no fogo são experiências de disciplina e punição diante de Deus.
Se um crente cai em pecado e é falho em se arrepender ele poderá ser disciplinado por Deus. Um pecado na vida de um ímpio é pecado, mas um pecado na vida de um crente é igualmente pecado.
O julgamento dos ímpios, por outro lado será no julgamento do grande trono branco depois do Milênio.
Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. Ap. 20:11-15
Lc. 12:35 a 48 trata a respeito do tempo do julgamento dos crentes.
Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias.
Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão. Lc. 12:35 e 47-48
A primeira coisa que vemos é a importância de cingir do corpo.
Gl. 3:27 nos mostra que estamos vestidos de Cristo para salvação pelo batismo.
Ap. 19:7 e 8 por outro lado nos mostra que estamos nós mesmo tecendo a nossa vste espiritual por meio de nossos atos de justiça. Há uma veste para as bodas, para a festa do noivo, esta é a roupa da recompensa. Tal roupa é tecida pelos nossos atos de justiça.
Podemos ver a seriedade de ter ou não a veste nupcial em Mt. 22:11 a 14. estasta parábola é para crente, pois o homem só pôde entrar na festa porque era crente.
Entrou pela porta, mas não tinha a roupa nupcial, era salvo, mas não vencedor.
O homem foi lançado nas trevas. Ser lançado nas trevas é ser lançado para fora da glória de Deus. Muitos vão perder a glória do milênio.
Ranger de dentes é arrependimento do que podia ser feito e não fez.
Voltando para Lc. 12:35 vemos que a segunda condição é ter a Candeia acesa. Na parábola das virgens vemos que ter a candeia cheia de azeite é ser cheio do Espírito. Ser salvo é ter o Espírito, mas ser um vencedor é uma questão de ser cheio do Espírito.
No verso 41 vemos que Pedro estava em dúvida se a parábola era para crentes ou não.
O Senhor mostra no verso 42 que aquela exortação era para os mordomos, os servos. Para ser mordomo tem que ser crente. Para ser servo tem que ser crente.
Os crentes que souberam e não fizeram a vontade do Senhor receberão muitos açoites.
Os crentes que não souberam e não fizeram a vontade de Deus receberão poucos açoites. Naturalmente os açoites são apenas uma ilustração humana da disciplina que receberemos naquele dia se não fizermos a vontade do Senhor.
Lembre-se que aquele que tem mais luz tem maior responsabilidade.