19/07/2025
TODOS O MEU MAIS CORDIAL MO TUMBÁ! SAWABONA! SARAVÁ! MUKUIÚ! AGBOSISÉ! BENOI! GBNOI! MO JUBÁ! KOLOFÉ! AÓ! NSALA MALEKUM! RESPÈ MWEN! A TODOS, OS MEUS RESPEITOS! ASÉ.
No Vodou Haitiano, Sábado é dia de todos os Loa de todas as nações e Baron Samedi.
Saudemos Baron Samdi: “Sove Baron Samdi. Mwen voye bonjou pou wa a konnen bagay Gede. ” Ayibobo! (Sauve Baron Samdi! Saúdo o Rei de todos os Gede.)
Yon gwo samdi ak yon fen semèn gwo pou tout frè m 'ak sè. Ayibobo!
UM ÓTIMO SÁBADO E UM EXCELENTE FINAL DE SEMANA, PARA TODOS OS MEUS IRMÃOS E IRMÃS. FELICIDADES!
Baron Samedi beni tout frè m 'ak sè m! (Que Baron Samdi abençoe todos os meus irmãos e irmãs)
“Bondye Lwanj
Respè mwen pou ki pi gran ak pi piti!
Mwen espere tout moun se byen epi yo ak kè poze
Ki benediksyon yo nan zansèt nou yo ban nou benediksyon li kounye a ak pou tout tan nan tracks nou yo!
Nou tout nou se yon sèl devan Bondye!
Se pou Bondye beni nou tout! konsa se pou li!”
---> Tradução:
“Louvado seja o Bom Deus.
Os meus respeitos a todos os mais velhos e mais jovens.
Espero que todos estejam bem e em paz.
Que as bênçãos dos nossos ancestrais, nos abençoe agora e para todo o sempre em nossos caminhos.
Somos todos um diante do Bom DEUS.
Que Deus abençoe a todos. Assim seja.”
- Pedido para cura de doenças e uma vida longa:
“Sove Baron Samdi
Ban m 'pwoteksyon ou
pa louvri tonm mwen deja
Mwen toujou gen yon fason lontan yo ale
Baron dimansh menm ki etènèlman rekonesan pou nou ak pou tout Gede.”
-Tradução:
“Salve Barão Samdi.
Dê-me sua proteção,
não abra a cova ainda,
Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer.
Baron Samdi sou eternamente grato a você e a todos Gede.”
- Pedido de proteção e afirmação de sua fé:
“Mwen pa pè fè nwa a
Mwen pa pè fantom
Mwen pa pè òneman
Mwen pa pè lanmò
pa menm ap viv la
Zansèt mwen ak Baron Samdi yo toujou avè m '”
-Tradução:
“Não tenho medo do escuro.
Eu não tenho medo de fantasmas.
Eu não temo feitiços.
Eu não temo a morte.
nem mesmo dos vivos.
Meus ancestrais e Baron Samedi estão sempre comigo.”
---> O Vodou Haitiano é tão fácil de ser entendido. No que concerne a espiritualidade, ele é único, Todos os espíritos são "EGUNS (Almas)", mas que habitam degraus de diferentes vibrações e Egrégoras, como os elementos da natureza conforme o seu estado evolutivo. Deus é UM só... Diabo não existe, muito menos EXÚ. Nós dedicamos profundamente aos ancestrais. E pronto. Não é simples...
---> Baron Samdi:
por Houngan Asogwe: Papa Mulú Bassai Lú
Começando, vamos sair das definições batidas e por muitas vezes incompletas ou errôneas sobre a entidade Baron Samdi, encontradas nos filmes hollywoodianos, na internet ou de boca de um ou outro se dizendo conhecedor.
Então, para esclarecer...
Baron Samdi cultuado no culto Gede Haitiano (linha dos eguns), não é considerado um exu e sim um egun de grande poder, sobre as doenças, sobre a vida e a morte.
Ele é o chefe de todos os tipos de Eguns (Almas).
Ele é cultuado de duas formas e se apresenta conforme é cultuado. No culto Rada, ele é mais calmo, menos lascivo e mais centrado nos rituais do bem. Mas Baron Samedi cultuado no culto Petro Haitiano (linha negra), como “Pethro Baron Samdi”, depois no culto Djab Jamaicano (Magia negra) como “Djab Baron Samdi”, é mais agressivo, muito boca dura e lascivo a extremo. Se torna super radical e aceita serviços (trabalhos) para o mal.
---> Primeiramente vamos descrevê-lo:
Baron Samdi poderia ser comparado em uma parte, como um exu Caveira, por conter a maioria dos atributos do mesmo. Porem, não tão sério, Baron gosta da vida e de tudo o que a representa, principalmente de seus vícios, comendo, bebendo, fumando, contando piadas, dançando a banda (ritmo sexual haitiano), é uma entidade ligada a energia sexual e vital, boca dura, falando sempre um monte de obscenidades, incorrigível neste aspecto. É considerado o rei de todos os Gede e guardião das Kalungas Pequenas (cemitérios), chamada também de Morada do Pó, cada Kalunga possui um Baron.
Baron Samedi na linha Perto, chamado de Petro Baron, abrange seu poder sobre qualquer assunto terreno ou astral. Seu poder é imenso, como nunca vi outro igual, principalmente em no que concerne em interagir em nosso mundo material físico. Tem o poder em forma espiritual de comandar qualquer Egun (Alma), movimentar objetos, comandar animais peçonhentos, influenciar a sexualidade em geral, lançar qualquer tipo de feitiço, fazer curas milagrosas, como também matar ou dar a vida.
Petro Baron em seus trabalhos não gosta de muita luz, de preferência archotes ou velas, se no ambiente que ele m***a o médium tiver muita luz ou for de dia, ele usa óculos escuros, justamente por não suportar muita luz.
Sua vestimenta preferida é o fraque com cartola e bengala. Embora não se importa com a vestimenta que o médium sob posse possa estar usando. Adora a cor preta e rocha, embora goste do vermelho com preto, não gosta do branco em suas vestimentas.
Trabalhos com a entidade Petro Baron Samdi são muito pesados, embora aja uma grande descontração e alegria entre ele e os envolvidos. Conforme o rumo que o trabalho toma, ele pode f**ar muito irado, alegre, austero, é uma entidade de várias facetas, mais na maioria das vezes e no final de tudo é um ser apaixonado pelos prazeres da vida.
Pelos meus estudos e minha experiência, quando se trata de diferenciar um médium m***ado ou outro com essa entidade, não se encontra quase diferença alguma. Ele sempre se apresenta com o mesmo tipo de voz, com suas características próprias em qualquer um m***ado por ele, seja no Haiti, na Jamaica, em Cuba ou no Brasil ou qualquer outro lugar.
Quando ele m***a um médium, radicalmente é possessão mesmo.
Para ele não existe meio termo, é tudo ou nada, detesta aqueles que f**am em cima do muro, os covardes. Cobra sempre a irmandade, a verdade, o respeito e a fé do vodonista ou daqueles que o servem (Trabalham com ele), mas se o mesmo não cumprir os mandamentos impostos por ele, com certeza ele será feroz em sua cobrança.
Os sacerdotes Bòkòr (Sacerdote negro Vodou) sèvè (Servidor) de Baron Samdi Petro ou Djab, utilizam o “zo ki mouri” (ossos dos mortos), como forma de oráculo, jogo feito dos ossos tirados das duas mãos de um morto, onde se é tirado 14 ossos para o jogo, se é jogado em cima de uma bolsa de couro, que quando aberta, ela forma tipo uma bandeja. Quem fala neste oráculo são sempre os ancestrais ou os eguns comandados pelo Baron.
Acredito que um médium esteja m***ado (incorporado, virado) por ele, quando apresentar todas as características de trabalho dessa entidade.
---> Eu e Baron Samedi:
Trabalho em simbiose (irmandade) com Baron Samdi desde 1984, nesta época no Brasil, ainda nem se comentava sobre Vodou haitiano, de uma forma verdadeira e sensata.
No começo, Baron Samdi Petro, trabalhava comigo segurando duas serpentes (cascavéis), que f**avam enroladas, uma em cada braço meu, como contavam, fazia coisas inexplicáveis com estas cascavéis, fazia elas picarem meu peito, o veneno não penetrava em minha carne, saiam pelos buracos das picada, onde ele aparava com o copo cheio de rum e depois bebia. Sua bebida predileta era beber rum envelhecido (importado), com pimenta malagueta macerada na proporção de meio copo de rum para meio copo de pimenta, tomava de duas a quatro garrafas desta mistura por trabalho. Por muitas vezes também misturava a essa bebida o ejé de cabra ou de boi, embora dito por ele, que a preferência era por ejé de porco, mas desse eu não podia usar, por tudo que seja derivado do porco ser quizila para mim por causa de meu vodou, mas ele respeitava e não fazia uso. Sempre bebia, comia e fumava muito. Sempre trabalhou utilizando o fogo, que tinha que ser mantido vivo em um alguidar, com a mistura de rum, marafo e óleo de pimenta malagueta (óleo utilizado para curtir a pimenta), onde ele molhava as minhas mãos e trabalhava utilizando as chamas das mesmas.
Hoje em dia, em uma simbiose mais equilibrada e depois de vários acordos entre os lados... Baron Samdi Petro, trabalha comigo fazendo menos uso da pimenta, agora não são mais maceradas na proporção de meio a meio copo e sim na de um terço do copo, mais agora inteiras, mas guando acaba o rum do copo, lógico ele as degusta. Continua adorando ejé em sua bebida. Não utiliza mais as serpentes (por motivo de segurança imposto pelas autoridades), mais ainda utiliza o ritual do fogo (Kanzo) em seu pleno poder, o seu punhal afiadíssimo para cura e charmes, como outros detalhes do passado...
E por todos esses anos sou um sèvè de Baron Samedi Petro, onde aprendi a respeitar, ter muita fé, pois seus trabalhos geram respostas quase sempre imediatas, orgulho por caminharmos e lutarmos juntos, nos caminhos de nossa evolução.
---> O FET GEDE NO HAITI – Festa dos mortos (Finados no Brasil)
- Os Ancestrais e a Maneira Vodou de cultuar os Mortos.
Os ancestrais, zanset yo no Creole haitiano, estão sempre com um vodunista. Ele vive, age, respira com a consciência de sua presença. O hino nacional do Haiti começa assim "Pelo país e pelos ancestrais, nós andamos unidos..."
No interior do Haiti, cada aglutinado familiar tem seu cemitério familiar. As tumbas dos familiares são tão elaboradas quanto possível. Algumas lembram casas nas quais a cripta é subterrânea. As estruturas construídas para as famílias ricas podem até conter pequenas salas de estar, com um retrato do falecido e boas cadeiras. Quando um visitante adentra as terras de uma família para uma visita extensa, a cortesia requer que ele faça uma pequena libação de água nas tumbas para que os ancestrais o recebam bem. Membros da família e convidados podem também, a qualquer momento, fazer uma "iluminação". Velas ou fitas de cera de abelha são acesas, colocadas nas tumbas e então uma pequena prece é dita.
Na cidade, a lei requer que se enterre no cemitério da cidade. Novamente, as estruturas podem ser bem elaboradas e grandes cadeados e outros meios de segurança são usados para evitar que violadores de tumbas roubem metais, ossos e outros artigos da pessoa morta. Os ossos de indivíduos mortos são considerados de grande poder mágico, especialmente se a pessoa morta for um Houngan, Mambo ou um Bòcòr que fosse de alguma maneira reconhecido de ter portado um grande conhecimento e poder, tanto fazia se fosse ligado ao bem ou o mal.
Um vodunista é enterrado com uma cerimônia católica romana e uma vigília é feita durante nove dias após a morte. A nona noite é chamada de “denye priye”, a última prece. Após a última prece, a parte católica do funeral é encerrada.
Em algum ponto, antes ou após a cerimônia católica, a cerimônia de vodu "Desounin" é realizada. Neste rito, as partes componentes da alma e da força de vida da pessoa e o Loa primário na cabeça da pessoa são separados e enviados para seus destinos corretos. O desounin de um houngan famoso e altamente respeitado pode ser assistido por centenas de enlutados lamentosos vestidos de robes brancos. É neste momento que o herdeiro de qualquer Loa familiar libertado do falecido é normalmente revelado, f**ando o indivíduo escolhido brevemente possuído. Um ano e um dia após a morte do indivíduo pode ser feita a cerimônia “Mo nan dlo” (tirar o morto da água). O espírito da pessoa é chamado através de um vaso com água, que é coada por um lençol branco para um pote de barro limpo chamado govi, onde é ritualisticamente instalado. A voz do morto pode ser ouvida através do govi ou através de uma pessoa brevemente possuída para o propósito. O govi é reverentemente colocado no djevo, ou salão interno do templo.
Algumas vezes o espírito de um ancestral pode retornar por sua própria vontade como um Loa Gede.
---> Os Loa ancestrais : Baron, Maman Brigitte, os loa Gede e os Loa Petro.
BARON - O cabeça da família de ancestrais Loa é o Baron (barão). Ele é mestre do cemitério e guardião do conhecimento ancestral. Ele tem vários aspectos incluindo Baron Samdi (Barão do Sábado), Baron Cemetiere (Barão do cemitério), Baron la Croix (Barão da cruz) e Baron Criminel (Barão do crime). Em todos seus aspectos ele é um loa masculino com uma voz nasal, carrega um cajado ou uma bengala, usa impropérios livremente e se veste de negro ou púrpura. Costuma ser representado com uma cartola, smoking negro, óculos escuros e algodão nas narinas, assemelhando-se a um cadáver preparado para o velório ao estilo haitiano. Tem um rosto pintado de branco ou semelhante a uma caveira. Ele é considerado o último recurso para mortes causadas por magia, porque mesmo se um feitiço trouxer uma pessoa para perto da morte, se o Baron se recusar a "cavar a cova", a pessoa não morre.
Baron, com sua esposa Mama Brigitte, é também responsável por recuperar as almas dos mortos e transformá-las em loa Gede. Baron pode ser invocado para casos de esterilidade e ele é o juiz divino para o qual as pessoas podem trazer seus pedidos, cantando :
“Ó kwa, Ó jibile ! 2x (Ó cruz, Ó júbilo !)
Ou pa we m inosan ? (Não vês que sou inocente ?)”
O túmulo do primeiro homem enterrado em qualquer cemitério do Haiti, quer a pessoa em vida participasse do Vodu ou não, é dedicado para o Baron (não Ghede) e uma cruz cerimonial é erigida no ponto. Em terrenos familiares no interior, uma família pode erigir uma cruz para o Baron de sua linhagem e nenhum Ilê é completo sem sua cruz para Baron.
Baron pode ser invocado a qualquer momento e ele pode aparecer sem ser chamado, tão poderoso que ele é.
Ele bebe rum no qual vinte e uma pimentas vermelhas foram amassadas, bebida que mortal algum pode suportar.
Suas comidas cerimoniais são café preto, amendoim grelhado e pão.
Ele dança extraordinariamente banda improvisada e às vezes coloca seu bastão no meio das pernas, representando assim o falo. Baron é um loa muito masculino.
O Festim dos Ancestrais, Fet Gede, é considerado o final do velho ano e o começo do novo, tal qual na tradição europeia Wicca. Quaisquer débitos com Baron, Mama Brigitte ou Gede devem ser pagos nesta festa.
O Baron Criminel canta para seus devedores :
“Bawon Criminel, map travay pou ve de te yo, m pa bezwenn lajan ! 2x
Bawon Criminel, Ó! Lane a bout o, map paret tan yo !”
"Barão Criminal, estou trabalhando para os vermes da terra (pessoas pobres), eu não preciso de dinheiro ! 2x Barão Criminal, Ó ! O ano terminou, eu aparecerei para esperá-los. (para pagarem-me) !
MAMAN BRIGITTE:
Mama Brigitte, surpreendentemente para um loa de Vodu, é britânica em origem, descende de Brigid/St. Brigit, a deusa tripla celta da poesia, da forjaria e cura. Ela deve ter entrado para o Haiti nos corações dos escravos deportados escoceses e irlandeses. Há uma canção que nós cantamos em cerimônias:
"Maman Brijit, nan anglete de soti de li,
Maman Brigitte, ela é da Inglaterra..."
(Eu penso que Brigid era escocesa, não inglesa, mas talvez no Haiti a palavra anglete represente todas as Ilhas britânicas.)
Hoje em dia, Mama Brigitte é considerada esposa do Baron, mestre do cemitério e chefe de todos os ancestrais, conhecidos como loa Gede. O túmulo da primeira mulher enterrada em qualquer cemitério no Haiti é consagrado a Maman Brigitte e lá é erigida a cruz cerimonial dela.
Ela, também como o Baron, é invocada para "elevar o morto ", signif**ando curar e salvar os que estão no ponto de morte por enfermidade causada por magia. Aqui está uma canção muito famosa sobre Mama Brigitte cantada em cerimônias de Vodou:
“Mesye la kwa avanse pou l we yo!
Maman Brigitte malad, li kouche sou do,
Pawol anpil pa leve le mo (morts de les, Fr.)
Mare tet ou, mare vant ou, mare ren ou,
Yo prale we ki jan yap met a jenou.”
Cavalheiros da cruz (os antepassados falecidos) avancem para ela vê-los!
Mama Brigitte está doente, ela se deita de costas,
Muita conversa não elevará a morta,
Amarre sua cabeça, amarre sua barriga, amarre seus rins,
Eles verão como eles ajoelharão.
(Signif**ando, arregace as mangas para se preparar, nós faremos para as pessoas que fizeram este feitiço maléfico ajoelharem-se, implorar perdão e receber o castigo delas.)
Mama Brigitte, como o resto da constelação Gede é um loa boca-dura que usa muitas obscenidades. Ela bebe rum com pimenta, tão quente que uma pessoa não possuída por um loa nunca poderia beber isto. Ela Também é conhecida por passar pimentas haitianas quentes na pele dos órgão genitais do cavalo e este é o teste para o qual são sujeitadas as mulheres suspeitas de falsa possessão . Ela dança a banda sexualmente sugestiva e artística e seu virtuosismo na dança é legendário.
Mama Brigitte e Baron são a mãe e o pai que recuperam os mortos e os transformam em Loa Gede e os removem das águas místicas onde eles estavam sem conhecimento da própria identidade, nomeando-os.
Há uma canção melancólica sobre a condição das almas nas águas místicas que também é cantada quando um iniciado está preparando-se para o período de exclusão, morte ritual e renascimento do ciclo de iniciação:
“Dlo kwala manyan, nan peyi sa maman pa konn petit li,
Nan peyi sa, fre pa konn se li, dlo kwala manyan.”
“Água manyan de kwala (palavras não creole), naquele país uma mãe não conhece a própria criança.
Naquele país um irmão não conhece sua irmã, água manyan de kwala.”
---> O LOA GEDE:
Os Loa Gede são uma família enorme de Loa, tão numerosos e variados como eram as almas das famílias das quais eles se originaram. Desde que eles são todos membros da mesma família, as crianças espirituais de Baron e Mama Brigitte, eles têm todos o mesmo sobrenome - La Croix, a cruz. Não importa outros nomes que eles possam vir a carregar, a assinatura deles sempre é La Croix.
Algum os nomes de Gede incluem: Gede Arapice Croix, Brav Ghede de la Croix, Gede Secretaire de la Croix, Ghede Ti-Charles la Croix, Makaya Moscosso de la Croix; e nomes tristes e degradantes como
GedeTi-Mopyon la de Deye Croix (Ghede Pequeno Piolho de Caranguejo Atrás da Cruz), Gede Fatra de la Croix (Lixo Gede da Cruz), Gede Gwo nan de Zozo CrekTone de la Croix (Gede Pinto na Bu**ta Trovão da Cruz) e por aí vai.. Há uma razão para estes nomes estranhos que f**ará clara mais à frente.
A vasta maioria de Gede é masculina. Gede pode possuir qualquer um, a qualquer hora, até mesmo os protestantes (para enorme vergonha deles.) No Haiti eu tenho uma amiga que um dia estava observando um grupo de mulheres possuído por Gede dançando a banda. Ela disse algo como, "Olhe as prostitutas nojentas, elas não têm nenhum respeito por si mesmas". Naquele mesmo lugar, a Gede possuiu minha amiga, a lançaram ao solo, prostraram-na e declararam que ela iria se juntar aos ancestrais! Súplicas e intercessões dos familiares finalmente pacif**aram o Gede que prometeu ceder - com a condição de que a Mulher se tornasse Mambo! Mambo Delireuse agora pratica em uma área rural próximo del'Artibonite de Riviere Delicada, no Haiti central!
Os Gede são figuras muito transitivas, existindo entre a vida e a morte, entre os antepassados em Guiné e entre os homens e mulheres vivos do Haiti. Talvez é por isto que eles sejam homenageados a meio caminho da plena cerimônia de Vodu ortodoxa, depois do Rada (Dahomean e Iorubá) e antes do Petro.
O Gede vestem-se quase como seu pai Baron - roupas negras ou púrpuras, chapéus elaborados, óculos escuros, às vezes sem uma lente, um cajado ou baton. Eles também dançam a banda, mas eles retêm mais da personalidade da pessoa de quem eles se originaram.
A família de Gede, incluindo o pai e a mãe, o Baron e a Maman Brigitte, são absolutamente notórios no uso de baixarias e termos se***is. Há uma razão para isto - os Gede estão mortos, além de qualquer castigo. Nada mais pode ser feito a eles, assim o uso de profanidades normalmente entre os haitianos um pouco formais são um modo de declaração, "Eu não me preocupo! Eu passei além de todo o sofrimento, eu não posso ser ferido". Num país onde desrespeito para com figuras de autoridade era até recentemente punido com tortura ou morte, esta é uma mensagem poderosa. Porém, esta profanidade nunca é usada de modo maligna ou abusiva, para amaldiçoar alguém. Sempre é humorístico, até mesmo quando há uma forte mensagem envolvida.
Há algumas canções muito imponentes e dignas cantadas para Gede, particularmente o mais velho, raciais ou aspectos raiz, como Brav Gede. Hoje em dia, entretanto, a ênfase está no humor sexual e obsceno promovido pelos loa Gede. Aqui está uma canção popular cantada para Gede em peristilos de Vodou e em celebrações públicas:
“Si koko te gen dan li tap manje mayi griye,
Se paske li pa gen dan ki fe l manje zozo kale!”
“Se va**na tivesse dentes, comeria milho assado,
É porque não tem nenhum dente que come p***s descascado!”
Da mesma maneira, é dito que um Gede é um ladrão. É verdade que ele se apropria do que quiser de vendedores de rua, mas uma vez que este ceda às demandas do loa, este se limita a pegar um pouco de coco ou de milho de assado. Na Fet Gede, a maioria dos terreiros cozinham especialmente comida para as centenas de Gede que aparece vagando pelas ruas. Aqui está uma canção que uma multidão de Gede cantou enquanto iam para a casa de uma Mambo famosa e particularmente generosa da área de Port au Prince :
“Ting ting ting ting kay Lamesi,
Whoi mama,
Kay la Mesi gen yon kochon griye,
Whoi mama!”
Ting ting ting ting a casa de Lamesi
Mamãe de Whoi,
A casa de Lamesi tem uma p***a inteira assada,
Mamãe de Whoi!
- > O FET GEDE NO HAITI ATUALMENTE:
Dois de novembro, Dia dos Mortos, normalmente chamado de Fet Gede (pronuncia-se guêdei), é um feriado nacional no Haiti. Católicos assistem missa de manhã e então vão para o cemitério, onde eles rezam e fazem consertos nas tumbas de familiares. A maioria dos católicos haitianos também são vodunistas, e vice-versa, de modo que no caminho para o cemitério muitas pessoas mudam de roupas, do branco que eles vestem para ir à igreja para o púrpura e negro dos loa Gede, os espíritos de antepassados.
No meio da manhã as ruas de Port Au Prince estão atulhadas de milhares de pessoas. Dúzias já estão possessas por um Gede e suas vozes nasais, piadas obscenas e giros da dança banda os fazem inconfundíveis.
Grand Cemetiere, o cemitério principal de Port Au Prince, é lotado por pessoas. Multidões apertam-se ao redor da cruz cerimonial de 8 metros de Baron e da cruz menor de Mama Brigitte. Muitos trazem oferendas de café e rum que eles vertem ao pé das cruzes. Eles também oferecem pão, amendoim grelhado, milho assado e às vezes comida apimentada.
Ocasionalmente uma pessoa, normalmente um Houngan ou Mambo, sacrif**am uma galinha ou um par de pombos. As oferendas são rapidamente consumidas pelos mendigos que se amontoam pelo cemitério. Algumas pessoas vendem velas, fitas de cera de abelha e imagens religiosas de santos para representar o Baron, Mama Brigitte e os Gede.
Imagine uma Mambo em saias volumosas de negro e lavanda, um babado das mesmas cores, vários lenços de seda amarrados ao redor de sua cabeça e fios de contas ao pescoço dela; ela aproxima-se da cruz de Mama Brigitte com seus hounsis (os que receberam a primeira iniciação.) Ela leva fitas de cera de abelha pegajosa que ela afixa a cada braço da cruz e ao centro. Então ela retira uma galinha preta de seu s**o de palha e a passa em cima dos corpos dos hounsis, removendo todas as más influências. Depois da oração, ela mata a galinha rapidamente da mesma maneira que ela faria para uma refeição ordinária. O sangue jorra na cruz e ela doa a galinha a uma mendiga faminta que espera. A Mambo é possuída por Maman Brigitte e profetiza os eventos do próximo ano. Um do hounsis que se comportou mal é castigado com alguns tapas gentis e um que está doente recebe uma receita para um tônico de ervas. Então Maman Brigitte encharca a cruz dela com rum, canta e dança a banda com grande virtuosismo para alegria dos presentes. Alguns momentos depois ela sai da cabeça da Mambo, que ,novamente consciente, recompõe-se a e deixa o cemitério com dignidade extrema.
Pela cidade, no cemitério de Drouillard, onde é enterrado o mais pobre dos pobres, as pessoas do bairro Cite de Soleil, a adoração é ainda mais intensa. Filas de vodunistas de vários peristilos marcham cantando atrás de times de percussionistas, com cada vez mais pessoas sofrendo possessões conforme eles se aproximam do cemitério. Os que permanecem conscientes visitam os sepulcros de amigos e parentes e
Falam a eles como se pudessem ouvir debaixo do solo.
"Olhe, Papai, " diz uma mulher, "eu trouxe comida para você".
"Irmão mais velho," lamenta um homem jovem, "o Exército o matou, nós achamos seu corpo em pedaços, mas todos eles estão aí, irmão, não estão? Você não tocará os tambores novamente para nós, querido irmão.... Mamãe sente saudades, ela quis vir mas ela está doente. Veja o rum que eu trouxe para você"!
Os Loa Gede varrem o cemitério gritando piadas obscenas e cantando canções obscenas com todo o ar de seus pulmões. Aqui está uma canção popular entre os Gede ano passado no cemitério de Drouillard:
“Zozo, tone! A la yon bagay ingra, (repita)
Koko malad kouche, zozo pa bouyi te ba l bwe ,
Koko malad kouche, zozo pa vine we l.”
“Pênis, pelo trovão! Que coisa ingrata, (repita)
Va**na está doente e cansada, p***s não ferve chá para ela,
Va**na doente e cansada, p***s não vem a ver.”
Relato de uma Mambo: “Ano passado eu, uma Mambo americana, deixei um peristilo com um Houngan e nossa congregação. O Houngan teve em sua cabeça um Baron poderoso chamado Secretaire de la Croix, mas Secretaire estava recusando-se a possuir o Houngan, porque o Houngan tinha pego algum dinheiro dado para o Fet Gede e tinha usado para seus próprios propósitos. O Houngan foi muito humilhado, e decidiu ir diretamente para o cemitério pedir perdão.
Eu fiz uso de um caminhão, assim nós o enchemos de membros de nosso peristilo e rumamos pelas ruas sufocadas para o cemitério. Nós f**amos presos no tráfego e como esperamos demais, Baron “Secretaire de la Croix” ficou impaciente e me possuiu!
Até onde me foi falado, havia um carro na pista da contramão, também parado. Secretaire abriu a janela do motorista da pickup e começou a falar com os ocupantes do carro, muito surpreendidos por ver um Baron na cabeça de uma Mambo estrangeira! Duas senhoras muito ricas sentadas na parte de trás do carro foram para quem Baron prestou honra especial.
"Boa noite, senhoras." Baron disse.
"Boa noite, Baron, Papai." elas deram risada.
"E como estão seus clitóris hoje ?" o Baron inquirindo muito seriamente.
"Se seus clitóris não estiverem bem, vocês podem me falar e eu direi para esses dois grandes p***s velhos na frente do carro para entrarem em ação!"
As mulheres que em qualquer outra circunstância teriam f**ado furiosas, riram, como fizeram os dois homens na frente do carro. As velhas apoiaram na janela e responderam ao Baron.
"Nossos clitóris estão muito bem, Papai Baron. Muito obrigado !"
E em alguns momentos cessara o trânsito intenso e o Baron me lançou da possessão e me deixou dirigir a pickup até o cemitério e lidar com a vergonha de nossos membros do peristilo rirem histericamente, relatando o incidente para mim!”
À noite, cada peristilo faz uma dança em honra de Baron, Maman Brigitte, e dos Ghedes. As pessoas que vêm devem estar todas alimentadas e os loa que aparecem também são festejados com caldeiras de comida especialmente preparadas para eles. A dança segue ao longo na noite, mesmo até a alvorada. O talento artístico dos loa é incomparável e até mesmo não vodunistas vêm assistir. Então os adoradores exaustos voltam para casa, esperar o próximo Fet Gede do ano seguinte.
Fora da Caridade não há salvação.
O Perdão verdadeiro é o primeiro passo, perdoe.
Respeite sempre o seu próximo.
Pratique sempre a Caridade.
A Caridade deve ser anônima, do contrário, não será Caridade e sim vaidade.
Quem tem a Caridade no coração, sempre terá algo para doar.
Somos todos um diante do Criador.
E que Deus Todo Poderoso, o Criador de Tudo e de Todos, o Grande Arquiteto do Universo, sempre abençoe a todos os meus irmãos e irmãs. Assim seja.
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