09/01/2026
O Tempo Comum e sua espiritualidade
Vivenciando nossa caminhada litúrgica, adentraremos a um novo tempo litúrgico, que traz no centro de sua espiritualidade o olhar pascal.
É importante antes de adentrarmos a temática do Tempo Comum, retomar o sentido do Ano litúrgico. Sua finalidade consiste em: Revelar o Mistério de Cristo no decorrer do Ano.
Revelar o conteúdo essencial da fé da Igreja: O Mistério de Cristo. Propõe-nos um caminho espiritual. Celebrar a memória do Cristo Ressuscitado em duas realidades: De cada pessoa e de cada comunidade. Ajudar as pessoas a se encontrarem com Deus da história. Ser sinal sensível (sacramentum). Refletir sobre o “hoje da graça”: nos ciclos litúrgicos, no culto aos Mártires e no culto a Maria.
Existe um dado importante que encontramos no Dicionário de Liturgia: “O ano litúrgico não é uma idéia, mas é uma pessoa, Jesus Cristo e seu mistério realizado no tempo e que hoje a Igreja celebra sacramentalmente como ‘memória’, ‘presença’, ‘profecia’”
Por isso, o tempo comum, nesta sua primeira parte vem ajudar-nos a ver as atitudes de Jesus que começa a organizar seu trabalho pastoral, a comunidade dos discípulos, a apresentação da missão e o compromisso com o reino.
O Tempo Comum, é dividido em duas grandes partes. A primeira começa no dia seguinte à celebração da festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça-feira antes da Quaresma, inclusive. Nesta primeira parte, neste ano teremos 5 domingos do Tempo Comum. A Segunda Parte, recomeça na segunda-feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das Primeiras Vésperas do 1o. domingo do Advento ( Inicia com a 9ª semana do Tempo Comum e vai até a 34ª, com a Solenidade do Cristo Rei do Universo).
Se olharmos, o Tempo Comum, não é tão comum assim, pois exige de todos agentes litúrgicos e de toda assembléia celebrante uma busca intensa da espiritualidade. Hoje temos um grande trabalho a ser feito de reeducação do sentido dominical como: Dia de encontro da Comunidade; demonstrar que esta comunidade possui uma identidade, é a comunidade do Ressuscitado; encontro de Fé; celebramos a nossa Santificação e a Glorificação de Deus; na vida de comunidade, a nossa fé vai amadurecendo e ganhando sentido e demonstrar que nossa fé não ganha sentido no isolamento.
O Tempo Comum engloba trinta e três ou trinta e quatro semanas, que durante o curso do ano litúrgico, não se celebram aspectos particulares do Mistério de Cristo. É neste tempo que veneramos o Mistério de Cristo em sua globalidade, especialmente nos domingos.
O Tempo Comum é estruturado em duas partes: a primeira parte se inicia na segunda-feira que segue a festa do Batismo do Senhor até a terça-feira antes da Quaresma; a segunda parte se inicia na segunda-feira depois de Pentecostes até as I Vésperas do 1º domingo do Advento. O Tempo Comum pode ser chamado ainda de Tempo Ordinário ou Tempo durante o ano.
No decorrer das celebrações do Tempo Comum é assimilado pelos cristãos o mistério pascal de Cristo, de modo progressivo e profundo. A Liturgia da Palavra se caracteriza pela leitura semicontínua da Sagrada Escritura, que busca englobar a maior parte dos textos bíblicos para meditação.
Esta leitura semicontínua, principalmente dos evangelhos sinóticos, permite, por meio da homilia, uma profunda educação na fé, fundada na teologia das atividades históricas de Jesus, tal qual é apresentada em cada evangelho. É preciso dar este foco ao Tempo Comum para que cada cristão perceba que de domingo a domingo, ou na continuidade das leituras nos dias de semana, há uma continuidade da narrativa do evangelho, abordando a mensagem de cada evangelista ao apresentar o Mistério de Cristo.
No domingo, percebe-se ainda uma conexão entre a primeira leitura do Antigo Testamento com a perícope do Evangelho, juntamente com o salmo. A segunda leitura, do Novo Testamento, demonstra a prática dos valores do Evangelho nas primeiras comunidades cristãs e a superação de seus conflitos iluminados por Cristo.
A leitura semicontínua da Palavra de Deus aos domingos é estruturada como Ano A, B e C, refletindo a cada ano um evangelho sinótico e um itinerário espiritual: Ano A – Mateus e as diversas experiências como Igreja; Ano B – Marcos e a experiência catecumenal da conversão; Ano C – Lucas e a compreensão do mistério do Reino em sua relação com a história humana. Durante a semana, os evangelhos sinóticos são lidos todos os anos; muda apenas a primeira leitura, intercalando Ano ímpar e Ano par.
Ao longo do Ano litúrgico, a Comunidade reunida em torno de Cristo aprofunda o mistério pascal e destaca as exigências morais da vida cristã. A liturgia torna-se culto santificante, contendo instrução ao povo de Deus, para qual se sublinha a leitura da Bíblia. Neste tempo que tanto os documentos da Igreja destacam a importância da Palavra de Deus, na liturgia encontramos o itinerário adequado para celebrarmos a Palavra de Deus na Eucaristia e depois fazer com as mesmas leituras uma leitura orante da Bíblia.
Desejamos que as equipes de celebração, possam nesta primeira parte do Tempo comum, perceber o sentido do Cristo que chama a participar de sua missão. Na beleza do rito e do ritmo de nossas celebrações, não nos preocupemos em enchê-los de “parafernálias”, mas de demonstrar o essencial do rito, que é o Mistério de Cristo.