10/05/2026
NOTA PELO DIA DAS MÃES
Patriarcado dos Trabalhadores da Messe das Américas
Neste Dia das Mães, o Patriarcado dos Trabalhadores da Messe das Américas dirige sua saudação fraterna e solidária a todas as mães do Brasil e das Américas, especialmente às mães trabalhadoras, pobres, periféricas, camponesas, indígenas, negras, domésticas, professoras, enfermeiras, cuidadoras, desempregadas, autônomas e àquelas que sustentam seus lares com enorme sacrifício e dignidade.
Celebrar o Dia das Mães não pode ser apenas um gesto sentimental. É necessário reconhecer a realidade concreta vivida por milhões de mulheres que carregam sobre seus ombros o peso da dupla e, muitas vezes, da tripla jornada de trabalho. São mulheres que trabalham fora de casa, cuidam dos filhos, dos idosos, da alimentação, da limpeza e ainda enfrentam a violência, a desigualdade salarial e a precarização das condições de vida.
Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que as mulheres brasileiras recebem, em média, 20,9% menos que os homens, mesmo exercendo funções equivalentes. Além disso, relatórios oficiais mostram que as mulheres seguem enfrentando maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, menor presença em cargos de liderança e maior concentração em atividades historicamente desvalorizadas.
As pesquisas também demonstram que as mulheres dedicam muitas horas a mais que os homens aos cuidados domésticos e familiares, realidade que pesa ainda mais sobre mães solo e mulheres negras. Em muitas casas brasileiras, é a mãe quem garante o sustento material, emocional e espiritual da família, mesmo diante da ausência de políticas públicas adequadas de proteção social, creches, saúde e segurança.
O Patriarcado dos Trabalhadores da Messe das Américas reafirma que a luta pela dignidade das mães trabalhadoras é também uma luta espiritual. Nenhuma sociedade pode chamar-se justa enquanto mulheres forem exploradas, invisibilizadas e violentadas. Defender a dignidade das mães é defender a própria dignidade da vida humana.
Neste contexto, olhamos para Maria, a Mãe de Jesus, não como símbolo de submissão silenciosa, mas como mulher forte, pobre e profética. Maria conheceu as dores do povo simples, viveu as dificuldades de seu tempo e caminhou junto aos marginalizados da história. Em seu Magnificat, proclamado no Evangelho de Lucas, Maria anuncia um Deus que “derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes; sacia de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias”.
O Magnificat é um cântico de esperança e também de transformação social. Nele, Maria revela que a fé não pode ser separada da justiça. A mãe de Jesus torna-se sinal da resistência dos pobres, das mulheres e dos trabalhadores diante das estruturas de opressão. Seu testemunho continua inspirando mães que, diariamente, lutam para alimentar seus filhos, proteger suas famílias e manter viva a esperança em meio às dificuldades.
Que neste Dia das Mães possamos construir uma sociedade onde nenhuma mulher seja humilhada pela pobreza, pela violência ou pela desigualdade. Que a memória de Maria fortaleça todas as mães trabalhadoras em sua caminhada de fé, dignidade e libertação.
Feliz Dia das Mães!
Patriarcado dos Trabalhadores da Messe das Américas