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Como temos lidado com a dor?O filósofo moderno Byung-Chul Han, em sua obra Sociedade paliativa, traz uma séria reflexão ...
27/08/2026

Como temos lidado com a dor?

O filósofo moderno Byung-Chul Han, em sua obra Sociedade paliativa, traz uma séria reflexão sobre o nosso tempo e o nosso comportamento.

Ele afirma que vivemos uma espécie de algofobia, ou seja, um medo generalizado e um pavor profundo diante de qualquer tipo de sofrimento.

Fugimos da dor a todo custo. Criamos uma sociedade que busca a anestesia permanente, na qual tudo deve ser fácil, confortável e só há espaço para o sucesso constante.

A dor passou a ser vista como um sinal de fraqueza, um obstáculo que deve ser imediatamente eliminado com remédios e distrações, pois ela atrapalha o nosso desempenho no mundo.

No entanto, quando fechamos totalmente as portas para o sofrimento, quando nos recusamos a enfrentar as frustrações e contrariedades da vida, deixamos de sentir e, principalmente, deixamos de aprender e amadurecer.

A dor é sempre um sinal, uma mensagem profunda da vida que precisa ser ouvida e compreendida para que possamos crescer.

O pensador Léon Denis nos convida a olhar para as nossas aflições com outras lentes.

Ele nos apresenta a dor como uma lei de equilíbrio e de educação da alma.

A alma, para conquistar seus atributos de grandeza, de poder e de verdadeira felicidade, precisa das rudes lições que despertam a sua sensibilidade e fazem crescer a sua vontade e a sua consciência.

Imaginemos um bloco de mármore frio, informe e sem beleza. Para que dele surja uma estátua viva, com formas harmoniosas e suaves, é preciso a ação incessante e vigorosa do martelo e do cinzel.

Assim age a dor nas profundezas da nossa consciência. Ela é o cinzel nas mãos de um artista incomparável que desbasta as nossas arestas, elimina o nosso orgulho e o nosso egoísmo, modelando a nossa beleza interior.

Não se trata de buscarmos o sofrimento de forma voluntária ou masoquista. A vida possui seus desafios naturais e as nossas escolhas passadas nos trazem as reparações e expiações necessárias.

O convite é para que, quando a dor se erguer inevitável em nosso caminho, não nos revoltemos nem nos entreguemos ao desânimo arrasador.

Não tentemos anestesiar a alma para fugir da realidade e do trabalho íntimo. Em vez disso, procuremos entender os ensinamentos secretos que essa prova nos traz.

Associemos a nossa vontade e o nosso pensamento ao propósito elevado dessa experiência, sabendo que o sofrimento é um iniciador que nos revela o lado mais sério e imponente da nossa jornada imortal.

A dor é o mais nobre agente da nossa perfeição. É na dor que mais se sobressaem os cânticos da alma e se revelam os verdadeiros heróis.

Ela nos liberta do vício, da apatia e da indiferença, ajudando-nos a construir uma individualidade luminosa, forte e plenamente viva.

Assim, diante dos dias cinzentos e das lágrimas, acolhamos o sofrer com coragem e demos a ele um novo significado.

Tenhamos a certeza de que não estamos sendo destruídos pela adversidade. Estamos, na verdade, sendo lapidados para a eternidade.

Redação do Momento Espíritacom base na obra Sociedade Paliativa, de Byung-Chul Han, ed. Vozes e na pt. 3, do cap. 26 da obra O problema do ser, do
destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB.
Em 27.8.2026

Um segredo especial É comum a separação dos casais por questões quase tolas. São questões que envolvem pontos de vista d...
26/08/2026

Um segredo especial

É comum a separação dos casais por questões quase tolas. São questões que envolvem pontos de vista diferentes ou por professarem religiões diferentes.

Às vezes, por se sentir carente de afeto, um dos cônjuges vai em busca de alguém que lhe supra a carência.

Nessas circunstâncias, alguns esquecem dos próprios filhos, embora pequenos.

O que a cada um interessa é somente a sua felicidade, idealizada na satisfação pessoal e nos seus próprios desejos.

E vão se tornando raros os casais que comemoram bodas de prata, que dirá de ouro.

Por isso, aquele casal surpreendeu amigos e parentes quando os convidou para a comemoração de seus cinquenta anos de união.

A cerimônia foi simples. Ele repetiu, perante todos, os votos formulados no dia do matrimônio: amor, fidelidade, respeito.

Ela ouviu, outra vez emocionada, e com sua voz trêmula, fez o mesmo.

Abraçaram-se, beijaram-se, com as mãos entrelaçadas.

Filhos, netos, amigos, todos os rodearam, tomados de emoção e alegria.

Entre tantos abraços, afagos e felicidade, alguém resolveu perguntar ao marido qual era o segredo do sucesso de seu casamento.

Como acontece com a maioria das pessoas idosas, ele respondeu à pergunta contando sua história.

Sua esposa, Sara, fora sua única namorada. Ele crescera em um orfanato e trabalhara muito para conquistar o que desejava.

Nunca tivera tempo para namorar, até o dia em que a conhecera.

Depois da cerimônia nupcial, durante a festa, o pai de Sara lhe fizera recomendações a respeito do tesouro que lhe estava confiando: a filha querida.

Mas o mais importante era que lhe entregara um pequeno embrulho, dizendo:

Este é o meu presente para você. Dentro dele está tudo o que precisa saber para ser feliz no casamento.

Nervoso, ele rasgara a fita e o papel, descobrindo dentro da caixa, um relógio de ouro.

Admirado, leu no mostrador uma frase muito importante. Com certeza, ele a veria, todas as vezes que consultasse as horas.

Ela continha o segredo do seu casamento feliz: Diga alguma coisa bonita para Sara.

*

Toda união deve ser revitalizada, constantemente, pelo afeto. Afeto que é demonstrado, através de pequenos gestos, pequenas delicadezas.

Elogiar o novo penteado, a força de vontade que fez com que fossem perdidos uns poucos quilinhos e assim tornada mais esbelta a silhueta.

Agradecer pela organização da casa, pela pontualidade nos compromissos, pelo cheirinho de roupa limpa que vem do armário.

Palavras bonitas alimentam a relação a dois.

Por isso, antes que o tédio tome conta de seu relacionamento, pense nisso: Encontre e diga palavras bonitas ao seu par.

Recorde os seus pontos positivos e ensaie as primeiras frases.

Você poderá ter alguma dificuldade no início, contudo, logo mais isso passará a ser natural em você.

Mesmo porque você descobrirá como é bom deixar o outro feliz.

Pense nisso! Comece hoje a tornar o seu relacionamento conjugal muito especial.

A propósito, você se recorda quando foi a última vez que disse ao seu amor: Amo muito você?

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
O pequeno presente, de Morris Chalfant, do
livro Histórias para o coração, de Alice Gray
(organizadora), ed. United Press.
Em 26.8.2026

Saudade com equilíbrio Minha mãe, minha amada mãezinha Ebe.Eu quero lhe pedir para não chorar.As suas lágrimas são como ...
25/08/2026

Saudade com equilíbrio

Minha mãe, minha amada mãezinha Ebe.

Eu quero lhe pedir para não chorar.

As suas lágrimas são como chamas de dor no meu coração...

Eu tenho aqui a minha amada bisavó Tina e o nosso bisavô Amadei, que estão comigo.

Fique tranquila, Deus está conosco.

À senhora e ao meu pai, um beijo do seu filho.

*

Francisco Cândido Xavier psicografou inúmeras cartas, que, muitas vezes, começavam assim, buscando apenas tranquilizar os corações que haviam permanecido na Terra.

Por vezes, mergulhados na imensa dor da saudade, da falta, acabamos nos tornando egoístas, isto é, deixamos de lado a dor daqueles que partiram.

Eles estão vivos. Essa a primeira constatação, a maior certeza.

Não se trata de fé, crença, mas de confirmação da realidade. Uma realidade que muitos não conhecem e que, no entanto, está mais que clara.

A segunda certeza nos fala de amparo. Todos recebem a devida assistência ao desencarnar, seja pelos antepassados, pela família espiritual que lá está, ou pelos socorristas do bem.

Há equipes de resgate, equipes responsáveis pelo auxílio aos recém-desencarnados. Trabalhadores do bem que se propõem à tarefa nobre de acolher as almas dos que se desligam do corpo.

Tudo isso é manifestação de um Deus, Pai de amor. É a ação de uma Providência Divina muito bem-organizada, ciente de tudo que ocorre no planeta a cada instante.

Assim, nesses primeiros e mais dolorosos momentos da morte de um amor, digamos a nós mesmos: Calma, nada está fora do controle. Não há razão para desespero ou revolta.

Num segundo momento, importante pensarmos naquele que parte, mais do que em nós que ficamos.

Trata-se de um instante necessário, do término de uma jornada no planeta, o fechamento de um ciclo.

Dói-lhes e os perturba ouvir frases como: Você não poderia ter partido! Por que você me deixou? Como vou viver sem você agora?

Nosso coração aflito quer dizer isso. Sentimos a partida, sofremos com a ausência física. Mas não há prova maior de amor do que, nesse momento, deixarmos a nossa dor em segundo plano para pensarmos na tranquilidade dos seres amados.

Com certeza, desejamos que o momento da partida lhes seja o mais suave, o menos atribulado possível. Nós, os que amamos, desejamos somente o melhor aos nossos amores.

Nesse momento devemos ajudá-los com nossas preces, com pensamentos orientadores e com lembranças positivas.

Talvez ele ou ela demore para descobrir que ainda vive, embora não mais em um corpo físico. E que notícia maravilhosa quando se derem conta disso!

Então, contemos isso a eles em nossas orações, falemos disso em nossas conversas com os familiares e até nas cerimônias que se realizam, em sua homenagem.

Se sofremos em demasia, eles sofrem conosco. Se nos revoltamos, eles querem voltar e não conseguem. Agindo assim lhes criamos uma agonia desnecessária.

A morte celebra uma nova fase. Uma separação temporária, jamais destruição ou fim.

Cultivemos a saudade com equilíbrio, com desejo do bem àqueles que iniciam um novo ciclo, guardando a certeza de que, nem eles e nem nós, que permanecemos aqui, estamos sem amparo.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3,
do livro Claramente vivos, por Espíritos diversos,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE.
Em 25.8.2026

Trabalhar com alegria Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados uns dos outros.A propriedade era...
24/08/2026

Trabalhar com alegria

Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados uns dos outros.

A propriedade era do senhor João, dono de muitas terras, que exigia trabalho duro, pagando muito pouco.

Um dia, chegou um agricultor, em busca de trabalho. Chamava-se Zé Alegria.

Admitido, recebeu, como todos, uma velha casa para morar.

Vendo aquela casa suja e abandonada, resolveu dar-lhe vida nova.

Cuidou da limpeza e, em suas horas vagas, lixou e pintou as paredes com cores alegres e brilhantes, além de plantar flores no jardim e nos vasos.

Aquela casa limpa e arrumada destacava-se das demais e chamava a atenção.

Zé Alegria trabalhava feliz. Por isso, os companheiros lhe perguntaram: Como você consegue trabalhar feliz e sempre cantando com o pouco dinheiro que ganhamos?

O jovem olhou para eles e respondeu: Bem, este trabalho hoje, é tudo que eu tenho.

Ao invés de reclamar, prefiro agradecer por ele. Quando aceitei trabalhar aqui, sabia das condições.

Não é justo que, agora que estou aqui, fique reclamando. Farei com capricho e amor aquilo que aceitei fazer.

Os outros, que se acreditavam vítimas das circunstâncias, abandonados pelo destino, o olhavam admirados e comentavam entre si: Como ele pode pensar assim?

O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou a atenção do fazendeiro, que passou a observá-lo a distância.

Isso o fez deduzir que alguém que cuidava com tanto carinho da casa que lhe fora emprestada como moradia cuidaria com o mesmo capricho da fazenda.

Num final de tarde, foi até a casa do rapaz e, após tomar um bom café, ofereceu-lhe o cargo de administrador da fazenda.

O jovem aceitou de imediato. Seus amigos agricultores novamente foram lhe perguntar:

O que faz com que algumas pessoas sejam bem-sucedidas e outras não?

A resposta do moço veio logo: Em minhas andanças, meus amigos, eu aprendi muito. O principal é que não somos vítimas do destino. Existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca. Isso depende de cada um.

* * *

Cada um de nós é capaz de efetuar mudanças significativas no mundo que nos cerca.

O que geralmente ocorre é que, ao invés de agirmos, preferimos jogar a responsabilidade da nossa desdita sobre os ombros alheios.

Culpamos o governo, os empresários, os políticos, a sociedade como um todo, esquecidos de que quem elege os governantes somos nós mesmos, que quem gera empregos são os empresários e que a sociedade é composta por nós, os cidadãos.

Sempre encontramos alguém a quem culpar pela nossa infelicidade, esquecidos de que ela só depende de nós mesmos.

A verdade é que cada um tem a sua parcela de responsabilidade na formação da situação que o rodeia.

E, para ser feliz, basta dar ao nosso mundo um colorido especial, como o personagem desta história, que, numa situação aparentemente ruim, soube fazer do seu mundo uma realidade diferente.

Tenhamos sempre em mente que existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita, com base em
conto do livro Histórias para sua criança interior,
de autoria de Eliane de Araujoh, ed. Roca.
Disponível no livro Momento Espírita, v. 5,
ed. FEP.
Em 24.8.2026

Um mau a menosÉ comum comentarmos o mal que existe na Terra. Nestes tempos, em que a mídia tem sido farta em notícias at...
22/08/2026

Um mau a menos

É comum comentarmos o mal que existe na Terra. Nestes tempos, em que a mídia tem sido farta em notícias aterradoras, nos indagamos o que será do futuro.

A carga de maldade parece crescer. A cada momento, notícias se somam às anteriores, portadoras de intranquilidade.

Os jornais se esmeram em colocar manchetes que falam de escândalos, corrupção, hábitos infelizes.

A televisão mostra as imagens de tragédias familiares, sociais e políticas. O homem parece mesmo ter se tornado lobo de seu irmão.

Pensando nesse panorama de ansiedade e medo que assola o mundo, um jovem discípulo procurou seu mestre.

Encontrou-o em estudo e quebrou o silêncio, indagando:

Senhor, vejo a humanidade infeliz. A perversidade campeia e a agressividade toma conta das criaturas.

Em toda parte vejo as sementes do ódio invadirem os canteiros do mundo, a inveja tomar conta dos jardins e a perseguição gratuita avançar, sem limites.

Vejo as pessoas se digladiarem e somente encontro sombras onde esperava descobrir a luz.

O que devo fazer para contribuir para um mundo melhor?

Porque o mestre permanecesse em silêncio, o aprendiz voltou à carga, com nova leva de perguntas:

Desejo acabar com a miséria e o sofrimento.

Que posso fazer em favor dos infelizes e perversos?

O sábio, tomado de compaixão, respondeu com serenidade:

Filho, mudar as condições da Terra e dos seus habitantes, de um só golpe, é tarefa impossível.

No entanto, se te encontras realmente interessado em contribuir em favor da humanidade, realiza a viagem ao interior de ti mesmo. Faze-te gentil com os que cruzem teus caminhos.

Sê melhor com todos os que tomem contato contigo.

Ilumina-te. Com isso, guarda a certeza de que existirá um perverso e um ignorante a menos no mundo.

* * *

Normalmente agimos como o jovem discípulo. Desejamos que a Terra se transforme em um oásis de paz e alegrias.

Pensamos em anular o mal de fora, dos outros. E esquecemos de adentrar nossa intimidade, iniciando a grande reforma do mundo a partir de nós mesmos.

Se nos tornarmos bons, seremos cada um um mau a menos.

Se nos tornarmos iluminados, seremos uma luz a mais a clarear a paisagem.

Se realizarmos o bem, a migalha da nossa atuação se fará presença benfazeja onde estivermos.

A dor que acalmarmos arrefecerá a economia da dor mundial.

A aflição que aplacarmos será diminuída do rol geral de aflições.

Enfim, o movimento positivo que empreendermos reagirá no cômputo geral, modificando a panorâmica da Terra em que nos situamos.

* * *

Uma gota d'água não resolve o problema da terra ressequida, mas é o anúncio da chuva generosa que logo mais se precipitará.

Ante a aparência do sol, uma pequena nuvem que se apresente constitui bênção ao viajor cansado, tanto quanto a sombra de uma árvore o aliviará da canícula que o maltrata.

Uma ação isolada pode parecer de nenhuma valia. Contudo, é sempre o início de uma reação em cadeia, beneficiando muitas almas.

Pensemos nisso e comecemos hoje a mudar o mundo.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8
do livro A busca da perfeição, pelo Espírito Eros,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. EBM.
Em 22.8.2026

Provocando escândalos Profundo conhecedor das Suas ovelhas, Jesus de Nazaré asseverou que o escândalo se faz necessário ...
21/08/2026

Provocando escândalos

Profundo conhecedor das Suas ovelhas, Jesus de Nazaré asseverou que o escândalo se faz necessário na Terra. Mas advertiu sobre a responsabilidade de quem o provoca.

Em 1937, o pintor espanhol Pablo Picasso concebeu a célebre obra Guernica. O quadro retratava o terrível massacre da Alemanha nazista, sofrido por aquela cidade no período da guerra civil espanhola.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o seu apartamento em Paris foi invadido por soldados alemães. Ao encontrarem os esboços da obra, um dos militares questionou de forma imediata: Você fez isso?

Com serenidade, o pintor respondeu: Eu não, vocês fizeram. Qual seria o verdadeiro escândalo: pintar Guernica para denunciar o mal, ou ser responsável pelo massacre?

No final do século 19, um escândalo político abalou a França. O judeu Alfred Dreyfus, oficial da artilharia do Exército francês, foi condenado à prisão perpétua sob a acusação de alta traição.

O processo, embasado em documentos falsos, foi conduzido a portas fechadas, impedindo que o inocente produzisse provas a seu favor.

Inconformada, sua família lutou sem sucesso pela revisão da sentença. Em busca de apoio, procurou o escritor Émile Zola, que, indignado, publicou, na primeira página de um jornal, uma carta aberta ao presidente da República, que ficou conhecida como Eu acuso.

Isso lhe custou o exílio em Londres. Contudo, o impacto da matéria foi tão grave que o processo foi reaberto, o verdadeiro traidor foi descoberto e Dreyfus, após cinco dolorosos anos de prisão, recuperou a liberdade.

Em 1857, quando Allan Kardec publicou O Livro dos Espíritos, provocou um escândalo que abalou as bases da filosofia e da religião.

Ele e seus seguidores enfrentaram severas perseguições, culminando no Auto de fé de Barcelona, em 1861, quando 300 livros espíritas foram incendiados por ordem do bispo local.

Não menores, com toda certeza, foram os escândalos provocados por João Batista com o anúncio de que vinha preparar os caminhos do Senhor.

E do Nazareno, que nos apresentou Deus como Pai de todos os residentes do planeta. Um Deus de amor, misericórdia e justiça, que ampara aos Seus filhos.

Escândalos numerosos produziram os primitivos seguidores do Cristo, descendo às arenas do circo romano cantando louvores, testificando da romagem que empreendiam para a verdadeira vida.

A história mostra que quase todo grande avanço moral, científico ou artístico começou como um escândalo.

A afirmação de Galileu Galilei de que a Terra girava em torno do Sol foi um escândalo que abalou a visão de mundo da época.

A luta para que mulheres tivessem o direito ao voto e o movimento pela Abolição da Escravatura foram tratados como atos escandalosos que destruiriam a família e a economia.

Podemos dizer que o escândalo positivo é a dor do crescimento intelectual e moral da humanidade. Ele destrói uma velha ordem para que uma forma mais elevada de pensamento, justiça ou empatia ocupe o seu lugar.

Que tal nos tornarmos promotores de escândalos positivos, agindo como verdadeiros seguidores do Homem de Nazaré?

Redação do Momento Espírita, com base no artigo
O mundo precisa de mais escândalos positivos,
de Marcelo Anátocles Ferreira, do Jornal
Mundo Espírita, edição 1703, ano 94, da
Federação Espírita do Paraná.
Em 21.8.2026

O romantismo não morreuNos tempos que correm, uma onda de pessimismo parece ter tomado conta das pessoas.Ouvimos idosos ...
20/08/2026

O romantismo não morreu

Nos tempos que correm, uma onda de pessimismo parece ter tomado conta das pessoas.

Ouvimos idosos olhando para o passado, e lamentosos, dizerem: Ah, no meu tempo era tão diferente.

Abanam as cabeças, de forma negativa, olhando para os jovens que falam em ficar, em pegar e que parece terem esquecido todas as regras do recato e do bom tom.

Saudosos, esses que amadureceram na vida, lembram do tempo do seu namoro, onde pegar na mão do namorado já queria dizer um compromisso sério.

Beijo antes do casamento, somente na mão, na testa ou na face. Onde, enfim, tudo era reservado para a noite de núpcias. Especial, única, inapagável.

Onde se aguardava o dia do casamento como o dia D: inigualável.

Ouvindo tudo isso, se nos deixarmos envolver, acabaremos, igualmente por nos contaminar. E tudo passaremos a ver dessa forma.

Como se o romantismo tivesse morrido, o amor tivesse sido substituído por expressões ligeiras de um afeto fantasioso, que hoje é e amanhã é jogado fora.

Contudo, não são todos os jovens que deixaram de sonhar com as coisas belas. E o amor continua na moda. O romantismo subsiste nas almas que amam o belo, o bom.

Verificamos isso, em muitas atitudes detectadas na juventude. Quantas meninas sonham com o baile de debutantes, o serem enlaçadas por um jovem belo e adentrarem o salão, ao som de uma emocionante valsa?

Observamos, em concertos que têm proliferado pelo mundo, acontecendo em grandes estádios, para milhares de pessoas. Ali estão as mais variadas idades presentes: crianças, jovens, adultos, idosos.

E cada qual se emociona à sua maneira com a orquestra, a música, a dança, as cores e as luzes.

Uns choram lembrando os amores já vividos, as experiências passadas.

Outros se emocionam, sonhando com o futuro que almejam para si, ao som dos acordes que se sucedem e do espetáculo que é mostrado no palco.

Quando veem jovens lindas, em vestidos maravilhosos, com seus pares em elegantes fraques, se movimentarem aos sons melodiosos de uma valsa, as lágrimas lhes vêm aos olhos.

Elas suspiram... e sonham. Sonham em ter um amor, que seja eterno. Em ter um par para toda a vida. Um par que as beije com delicadeza, que tenha gestos de polidez.

Par que saiba elevá-las no ar, com braços fortes, quando as dores lhes estiverem vergastando os dias, exatamente como os dançarinos fazem com suas acompanhantes, no palco.

* * *

Sim, o amor não morreu. As jovens continuam a sonhar com cavalheiros e eles, com verdadeiras damas.

Não nos deixemos contaminar, pois, pela onda de pessimismo que se apresenta em muitos seres.

Saibamos descobrir esses corações mal saídos da infância, sonhando com um futuro de alegria, de amor e de beleza. Para si, para seu par, para sua família, para o mundo.

Ao lado dessas criaturas que parecem não se importarem com coisa alguma, senão para o momento presente, milhares de almas almejam um futuro melhor para este planeta, começando por idealizar e lutar por sua própria e verdadeira felicidade.

Pensemos nisso e invistamos nesses jovens, que podem ser nossos filhos, nossos netos, nossos sobrinhos, nossos irmãos, nossos amores, bem próximos de nós.

Descubramo-los e os auxiliemos em sua construção do mundo de amor, desde agora. Por eles, por nós, pelos que virão empós.

Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 29 e no
livro Momento Espírita, v. 9, ed. FEP.
Em 20.8.2026

Onde começam as guerras Olhamos para o mundo e, frequentemente, nos assustamos com as notícias de conflitos, bombardeios...
19/08/2026

Onde começam as guerras

Olhamos para o mundo e, frequentemente, nos assustamos com as notícias de conflitos, bombardeios e nações que se levantam contra nações.

A história humana parece ser um desfilar incessante de batalhas. Diante disso, é comum nos sentirmos impotentes, lamentando a crueldade alheia ou a frieza dos estrategistas políticos e militares.

No entanto, cabe-nos erguer o véu das aparências e admitir que a guerra é a triste consequência da predominância da nossa natureza animal sobre a espiritual.

Isso nos traz uma verdade profunda e inadiável: a guerra começa na intimidade de cada um de nós.

Antes que o primeiro tiro seja disparado nos campos de batalha, a guerra foi declarada nos corações. Ela nasce no orgulho que rejeita a diferença, no egoísmo que exclui, na ambição de dominar o outro.

Cada vez que alimentamos o ressentimento, que respondemos com violência no trânsito ou criamos barreiras de incompreensão dentro do próprio lar, estamos plantando as sementes que, multiplicadas coletivamente, desaguam nas grandes tragédias da humanidade.

Por isso, a eliminação da guerra da face da Terra compete exclusivamente a cada um de nós, seres humanos. Não adianta esperarmos por tratados políticos ou decretos governamentais.

A paz não se assina com caneta. Escreve-se na alma desde que os conflitos coletivos são reflexos diretos de nossas próprias escolhas morais.

A Terra caminha para se tornar um mundo de regeneração, onde a guerra desaparecerá em definitivo. Mas esse momento só chegará quando compreendermos que somos Espíritos imortais em evolução e que a mudança do mundo exige, inevitavelmente, a nossa própria renovação moral.

Nesse cenário de transição, ecoa com impressionante atualidade a sublime proposta de paz de Jesus: Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

Cristo não nos pediu para sermos apenas pacíficos, assistindo inertes à dor do mundo. Ele nos convocou a sermos pacificadores. Agentes ativos da concórdia e da união.

O verdadeiro pacificador é aquele que primeiro pacifica a si mesmo. É quem escolhe o perdão em vez da revanche, a escuta acolhedora no lugar do julgamento apressado e a caridade silenciosa que reconstrói pontes onde o orgulho cavou abismos.

Ser pacificador é desarmar o próprio coração diante das ofensas cotidianas.

A paz que tanto almejamos para o planeta está em nossas mãos. Ela se constrói nos gestos simples da vida cotidiana: na tolerância diante das diferenças, no respeito mútuo e na disposição constante para o diálogo.

Sejamos nós a resposta ao clamor da Terra. Sejamos os pacificadores da nossa família, do nosso ambiente de trabalho, da nossa comunidade.

Paz é ação no bem.

A verdadeira paz, a do Cristo, é a que propõe trabalho ativo e continuado para o bem, é a que ensina o cumprimento dos deveres como parte da autodisciplina.

Quando a paz habitar o íntimo de cada criatura, as armas perderão o sentido e a guerra será apenas uma lembrança distante de uma humanidade que aprendeu, finalmente, a amar.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com frases
extraídas do cap. 2, do livro Quem é o Cristo?, pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de
Raul Teixeira, ed. Fráter.
Em 19.8.2026

Com quem tu andas Desde cedo, ouvimos aquele ditado popular: Diga-me com quem andas que te direi quem és.Nossas avós sem...
18/08/2026

Com quem tu andas

Desde cedo, ouvimos aquele ditado popular: Diga-me com quem andas que te direi quem és.

Nossas avós sempre souberam disso antes mesmo de qualquer estudo profundo. Pelo interior, as expressões são ainda mais pitorescas, como aquela que afirma: Passarinho que acompanha morcego aprende a dormir de cabeça para baixo.

Ou aquela que nos alerta que o que não falta no mundo é tatu pronto para te levar para o buraco.

São frases simples, com um toque de humor, mas que carregam uma lição incontestável: conviver pressupõe influenciar e ser influenciado. É uma verdadeira contaminação invisível.

Vejamos que, hoje, a própria ciência está comprovando essa intuição ancestral. Um estudo robusto de uma das maiores Universidades do mundo, o M I T, revelou algo interessante.

Os pesquisadores descobriram que até mesmo as nossas decisões financeiras são fortemente influenciadas pelas pessoas com quem convivemos diariamente.

Segundo o estudo, a proximidade com perfis impulsivos nos torna igualmente impulsivos. Ambientes emocionalmente instáveis aumentam os nossos gastos e nos levam a escolhas pouco conscientes.

Se isso acontece com a nossa vida material, imaginemos o impacto gigantesco das companhias nos nossos sentimentos e nas virtudes ainda vacilantes da nossa alma!

A lei de sintonia e afinidade nos ensina exatamente isso: os semelhantes se atraem invariavelmente. Somos como rádios vivos, emitindo e captando ondas mentais o tempo todo.

Quando escolhemos nossas amizades, não estamos apenas escolhendo pessoas para conversar. Estamos escolhendo as energias que vamos absorver e os Espíritos que vão caminhar ao nosso lado.

Se nos cercamos de pessoas que vivem a reclamar da sorte e a falar mal dos outros, lentamente a nossa lente interna vai ficando obscurecida por essa mesma sombra.

Por outro lado, se buscamos a convivência com almas nobres, otimistas e voltadas para o bem, sentimos as nossas próprias asas crescerem, impulsionadas pelo exemplo irresistível da caridade.

É claro que o Cristo nos convida a amar a todos. Deve haver benevolência em nosso coração para com todas as criaturas.

No entanto, amar e auxiliar quem está no lodo não significa mergulhar e morar no ambiente deles.

Jesus amou profundamente a todos, mas, ao constituir o Seu círculo íntimo para construir as bases do Evangelho, buscou corações dispostos a trabalhar pela luz.

Façamos uma reflexão sincera no dia de hoje: Quem são as pessoas que têm moldado as nossas escolhas? De quem temos nos aproximado mental e fisicamente?

Será que as nossas companhias estão nos puxando para cima ou estão ancorando os nossos pés na ilusão?

Além disso, perguntemos a nós mesmos: Que tipo de companhia temos sido para os outros? Somos aquele que eleva o ambiente ou aquele que o contamina?

Vigiemos as nossas sintonias e escolhas. Somos donos de nossos destinos, mas são os nossos passos de hoje, incluindo os daqueles com quem temos andado, que desenham a paz do nosso amanhã.

Redação do Momento Espírita com base
No artigo Diga-me com quem tu andas...,
de Jacqueline Pereira, da revista Vida
Simples, ano 24, nº 290.
Em 18.8.2026

Um dueto insólito Quem caminha pelas terras da Capadócia, no coração da Turquia, é imediatamente tomado por uma profunda...
17/08/2026

Um dueto insólito

Quem caminha pelas terras da Capadócia, no coração da Turquia, é imediatamente tomado por uma profunda sensação de estranhamento e encanto. Diante dos olhos, desdobra-se um cenário que desafia a lógica terrestre.

São torres de pedra que parecem se erguer em prece em direção ao céu, vales ondulados que imitam as ondas de um mar petrificado. Uma paisagem que evoca um mundo quase extraterreno.

No entanto, o mais extraordinário nesse lugar não está na beleza incomum de suas formas. O que é espetacular é o dueto que ali se estabeleceu entre a engenharia divina e a criatividade humana. Uma parceria sublime que atravessou os milênios.

Há milhões de anos, o arquiteto do Universo preparou a tela. Cinzas vulcânicas cobriram o solo, solidificando-se em uma rocha macia, o tufo.

Por cima, a lava moldou uma capa protetora, mais dura. E o tempo - esse operário silencioso -, acompanhado pelo cinzel invisível do vento e das chuvas, começou a esculpir.

Século após século, os dedos invisíveis de um Criador insuperável desenharam aquelas colunas, desgastando o que era frágil e preservando o que era forte.

Cada curva daquelas rochas traduz um traço da paciência divina, revelando que a natureza nada mais é do que a arte do Criador em constante movimento.

Entretanto, a sinfonia não parou na geologia. Para que o dueto fosse perfeito, Deus convocou sua obra-prima: o homem, feito à Sua imagem e semelhança.

Ao se deparar com aquela paisagem inacreditável, a criatura humana sintonizou-se com o ambiente. Com inteligência e sensibilidade, percebeu que a rocha esculpida por Deus guardava a promessa de um lar, de um refúgio. E começou a agir.

Onde a natureza oferecia o mistério das formas exteriores, a engenharia humana esculpiu a História em seu interior. Cidades subterrâneas inteiras foram cavadas, descendo andares e mais andares nas entranhas da terra. Labirintos de pedra que abrigaram milhares de almas em momentos de dor e perseguição.

Os cristãos não foram os primeiros, nem os únicos a usarem a região como fortaleza. O local foi disputado e habitado por vários povos, que chegaram a transformar as cavernas e túneis subterrâneos em complexos habitacionais defensivos.

E os homens também esculpiram santuários no coração das chaminés de rocha. Templos onde as preces do passado ecoavam, subindo aos céus junto com a fumaça das lamparinas.

O interior das pedras transformou-se em arte viva, decorada com pinturas que retratavam a fé, enquanto o exterior continuava sob a guarda dos ventos.

*

Esse dueto nos recorda a nossa própria essência espiritual. Somos, por excelência, herdeiros da capacidade criativa de Deus.

Quando nos unimos às leis da natureza com respeito, reverência e inteligência, somos capazes de transformar o rude em belo, o deserto em santuário, a rocha bruta em abrigo de amor.

Naquela paisagem de rara beleza, o Criador e a criatura assinaram juntos uma das artes mais impressionantes da Terra.

Um dueto que canta, através das eras, que a beleza máxima nasce quando o homem reconhece os traços de Deus e decide participar ativamente.

Redação do Momento Espírita
Em 17.8.2026

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