27/05/2026
O Rei do Trovão e a Rainha dos Ventos
Xangô, o rei que calça a justiça,
Com seu machado de dois gumes, o oxé,
Garante que a verdade nunca sucumba,
E faz tremer a terra com o seu axé.
Ele é o fogo primordial, a rocha firme,
O veredito sábio que ninguém oprime.
Ao seu lado, rápida como o próprio raio,
Vem Iansã, a senhora do entardecer.
Com seu eruexim afasta os eguns,
E faz a tempestade o céu erguer.
Ela é a brisa leve que vira vendaval,
A guerreira valente que vence todo o mal.
O Encontro do Fogo com o Ar
"Onde há fumaça, há fogo que consome;
Onde há raio, há o vento que lhe dá nome."
Quando a faísca de Xangô risca o firmamento,
É o sopro de Oyá que espalha o seu clamor.
Não há quem curve a espinha do Rei,
Mas é ela quem domina seu forte calor.
Eles se amam no estrondo do universo,
No compasso sagrado deste verso.
Ele, a justiça que equilibra o mundo.
Ela, a liberdade em movimento profundo.
Juntos, a força que ninguém pode deter.
Kaô Kabecilê! Eparrey!
Que a justiça do Rei venha nos guiar,
E o vento da Rainha leve as dores embora.
Que o fogo consuma toda a falsidade,
E a tempestade traga a luz da nova aurora.
Na batida do tambor, o peito clama,
Pelo casal que a força sagrada inflama.
Kaô Kabecilê, meu Pai justiceiro!
Eparrey Oyá, no mundo inteiro!