11/01/2026
“Quando Maria Espera o Tempo de Deus”
Aquela imagem, hoje colocada com tanto carinho, carrega uma história simples e profundamente marcada pela ação silenciosa de Deus.
Antes mesmo de sabermos da existência do Terço dos Homens, pedi à minha mãe que comprasse uma imagem de Nossa Senhora Aparecida para ficar pendurada na parede de um rancho à beira do Rio Pardo, na cidade de São José do Rio Pardo. Não foi por promessa, nem por devoção consciente, tampouco por pedido de proteção. O motivo parecia pequeno: a cunhada do meu pai sempre dizia que naquele rancho nunca podia faltar uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, pois desde sempre ali havia uma.
Para nós, que frequentávamos o rancho, aquilo não tinha grande importância. Era apenas um costume antigo, quase esquecido. Mesmo assim, o pedido ficou guardado. Em 2012, pedi novamente à minha mãe que, ao ir a Aparecida, trouxesse uma imagem nova para substituir a antiga, já muito desgastada pelo tempo, marcada pela umidade e até cheia de ninhos de sabiá.
A imagem chegou. Mas os tempos de Deus são diferentes dos nossos. De 2 de janeiro de 2013 até julho de 2014, ela ficou esquecida, enrolada em jornais, guardada no maleiro do guarda-roupas. Silenciosa, oculta, como tantas graças que Deus prepara enquanto ainda não estamos prontos para compreendê-las.
Até que, a convite do padre Adi, nasceu o Terço dos Homens Nossa Senhora Aparecida. A partir desse momento, aquela imagem saiu do esquecimento para ocupar o lugar que Deus já lhe havia reservado.
Quantas quartas-feiras, no início dessa caminhada, rezamos aos seus pés. Quantos terços foram oferecidos em silêncio, quantas lágrimas derramadas, quantos pedidos confiados e quantos agradecimentos feitos. Hoje, reunimo-nos às terças-feiras, e já não é possível contar quantos homens passaram diante dela, colocando suas lutas, suas famílias, seus trabalhos e suas esperanças sob o olhar materno de Maria.
Essa imagem já visitou muitas casas. Nas segundas-feiras, acompanhou o Terço nas famílias, entrando nos lares, abençoando mesas, alcançando corações e fortalecendo vínculos. E a missão continua viva: após o terço da terça-feira, um de nós a leva para casa, permanece com ela durante toda a semana, e a devolve no terço da terça seguinte. Assim, Maria caminha conosco, de casa em casa, de família em família.
Hoje compreendemos que nada foi por acaso. O que começou como um simples pedido, quase sem importância, era, na verdade, um sinal. Nossa Senhora já estava presente antes mesmo de sermos capazes de reconhecê-la. Esperou, como Mãe paciente, o tempo certo para nos conduzir ao caminho da oração, da fé e da fraternidade.
Essa imagem não é apenas um objeto. É testemunha de uma história, de uma conversão contínua e de uma fé que segue em movimento. É sinal de que Nossa Senhora Aparecida continua caminhando com seus filhos, ontem, hoje e sempre.