26/03/2025
Maria Mulambo.💜🧹
A cidade de Gomorra ardia em excessos. Noites regadas a prazer e pecado, ruas de poeira e desejo, esquinas onde se vendia o corpo e a alma. Ali, entre beijos roubados e promessas quebradas, vivia Maria Mulambo.
Ninguém sabia ao certo de onde viera. Uns diziam que fora uma princesa caída, mulher de sangue nobre que trocou os salões dourados pelo perfume das ruas. Outros sussurravam que era filha da própria perdição, nascida do desejo e do abandono. Mas todos falavam dela.
E falavam com medo, com desejo, com ódio. Uns queriam que ela vivesse, outros que ela morresse. Ela era liberdade em uma terra onde as correntes eram invisíveis, mas fortes. Os homens a desejavam, as mulheres a invejavam, os santos a julgavam.
"Mulher à toa", diziam. "Demônio em pele de mulher." Mas quem a via sabia da verdade: Maria Mulambo era amor e dor, era vinho derramado e lágrima seca.
Naquela noite, a cidade sussurrava seu nome com fervor. Uns a queriam viva, outros a queriam morta. Um julgamento sem juízes, um veredito selado pelo desejo dos hipócritas. E então, veio a sentença. Traída pelo próprio encanto, entregue àqueles que nunca a amaram, Maria foi lançada ao vento, ao pó, ao esquecimento.
Mas esquece-se quem pode, não quem deve. O tempo passou, Gomorra caiu, mas Maria Mulambo não morreu. Seu espírito dança entre as ruas e vielas, entre os becos e os sonhos proibidos. Porque ela não era de ninguém, mas todos sempre foram dela.
Texto: Maria Padilha