Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade

Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade Tenda do Caboclo das Sete Encruzilhadas, fundada em 16 de novembro de 1908 pelo médium Zélio Fern

Em 15 de novembro de 1908, a religião Umbanda surgiu no plano material, através do médium Zélio Fernandino de Moraes que dedicou e trabalhou muito para esclarecere difundir a nova religião que surgiu através do espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas, Chefe Espiritual de nossa casa. Dez anos depois da fundação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, receben

do ordens do astral, iniciou a fundação de sete tendas para a propagação do núcleo da Umbanda, sendo elas abaixo descritas respectivamente com seus dirigentes:
Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, fundada por Gabriela Dionysio Soares e posteriormente dirigida por Antonio Eliezer Leal de Souza em 1918;
Tenda Espírita São Pedro, dirigida por José Meirelles;
Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia de Oxossi, dirigida por Dorval Vaz;
Tenda Espírita Santa Bárbara, dirigida por João Salgado;
Tenda Espírita Oxalá, dirigida por Paulo Lavóis;
Tenda Espírita São Jorge, dirigida por João Severino Ramos, médium de Ogum Timbiri em 1935. Tenda Espírita São Jerônimo, dirigida por Capitão José Álvares Pessoa, também em 1935. A Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (TENSP) teve sua sede inicial na Rua Floriano Peixoto, 30 na casa de Zélio de Moraes em Neves, município de São Gonçalo, depois de alguns anos instalado no Rio de Janeiro, hoje está em funcionamento apenas uma vez por mês, na sede própria da Cabana de Pai Antônio, no município de Cachoeiras de Macacú – RJ, na localidade de Boca do Mato, em meio à natureza, ladeados de rios e cascatas, sob a presidência de Lygia Cunha neta carnal de Zélio Fernandino de Moraes.

Comemoramos hoje, dia 10 de abril, 132 anos do nascimento de Zélio Fernandino de Moraes.Quando ainda estava entre nós, d...
10/04/2024

Comemoramos hoje, dia 10 de abril, 132 anos do nascimento de Zélio Fernandino de Moraes.

Quando ainda estava entre nós, dizia que a Umbanda era uma obra da Espiritualidade sob o comando do Caboclo das Sete Encruzilhadas e que seu papel não era nada além de um mero trabalhador, um médium.

Refutava para si qualquer glória ou homenagem e dizia que em lugar de entaltecê-lo, deveríamos divulgar os ensinamentos recebidos por intermédio dele, compartilhando a sabedoria de Caboclos e Pretos Velhos, trabalhadores da Umbanda de Humildade, Amor e Caridade.

Comemorando sua chegada neste plano e agradecendo pelo exemplo que foi e continua sendo para todos nós, compartilhamos no link abaixo o diálogo de Filipi Brasil com Leonardo Cunha, seu bisneto e atual dirigente da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, Caetano de Oxóssi e Norberto Peixoto, esperando que as falas carregadas de conhecimento sirvam para auxiliar-nos na tarefa de cumprir seu desejo.

Saravá Zélio de Moraes!

https://www.youtube.com/watch?v=au1BPM_8Lyk

; ; ; ; ; ; ; ; ; ́s; ́; ́ssi ̂ ̃ ̃ ̂ ; ; ; ́

Diálogos sobre Umbanda (Edição Especial): Os 132 anos de Zélio Fernandino de Mores com Filipi Brasil, Norberto Peixoto, Leonardo Cunha e Pai Caetano de Oxóss...

21/03/2024

SUSPENSÃO DE SESSÃO - 23/03/2024

A diretoria da TENSP, acompanhando as noticias sobre a previsão de chuvas entre amanhã (22/03) e domingo (24/03) na Região Serrana, especialmente em Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo, decidiu SUSPENDER as atividades previstas para este período.

Algumas informações atualizadas até este momento apontam volune de chuvas igual ou maior do que 350 mm para o próximo sábado.

Esta decisão se dá em razão da maior parte dos trabalhadores e boa parte dos frequentadores da casa residirem longe de Cachoeiras de Macacu.

Assim, por segurança, a diretoria tomou a decisão de suspender a sessão em razão dos riscos em estradas e caminhos.

Pedimos a compreensão de todos e desculpas por qualquer inconveniente.

13/03/2024

No último dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, circulou no grupo de comunicação interna da TENSP mensagem de Leonardo Cunha dirigida às trabalhadoras da Piedade.
Resolvemos compartilhar com todos esta mensagem, pois consideramos que seu alcance não deve ficar no círculo restrito, visto que diz respeito a todos nós.

Caríssimas irmãs!!

Pedindo desculpas pela demora em me pronunciar, venho aqui prestar minha homenagem e externar meus agradecimentos a todas as mulheres do mundo, mas em especial às mulheres umbandistas!!

Desde os primeiros momentos de nossa história, vocês foram dominantes nos terreiros de Umbanda!

Seja na assistência ou nas correntes de trabalhadores das primeiras Tendas.

Creio que não por acaso, coube a uma mulher, ser a primeira dirigente da primeira das sete casas fundadas após a criação da TENSP sob o comando do Caboclo das Sete Encruzilhadas - a Tenda Nossa Senhora da Conceição - que teve como sua primeira presidente a Sra. Gabriela Dionísio Soares.

Isto se deu em 1918, quando as mulheres nem votavam e normalmente precisavam da autorização de seus maridos ou pais para se movimentarem, ainda mais a noite, quando ocorriam as sessões numa época em que a Polícia perseguia os praticantes da Umbanda e de outros ritos, não raramente de forma violenta.

O nome desta pioneira deve ser reconhecido e saudado por todos os umbandistas por seu destemor, pelo seu pioneirismo, por sua fé, e principalmente, pelo amor à nossa causa.

Também não devemos esquecer que as primeiras três casas (incluindo a Piedade) sob o comando do Chefe (C7E) foram dedicadas a invocações de Nossa Senhora - a grande Mãe - não só das tendas do Chefe, mas de toda Umbanda!!

Aquela que acolhe (Nossa Senhora da Piedade), que dá vida (Nossa Senhora da Conceição) e que direciona (Nossa Senhora da Guia) a todos que dela necessitam.

Enfim, tenho muito claro que tais escolhas não aconteceram por obra do acaso, mas principalmente pelo reconhecimento do Astral Superior, do papel desempenhado por todas vocês na Umbanda e na própria vida da Terra.

Sem vocês, tenho certeza, a Umbanda não seria metade do que é, nem chegaria a os quatro cantos do mundo!!

Assim, através do nome desta senhora, a "velha" Gabriela, agradeço a todas vocês irmãs queridas, por tudo de fizeram, fazem e certamente continuarão a fazer nesta nossa Umbanda, tão amada e tão querida por todos nós!!

Homenageando tbm a todas as Marias, Bárbaras, Gabrielas, Isabeis, Zilkas, Zélias, Zilmeas, Jandiras, Libaneas, Elizabetes, Catarinas, Denésias, Carmens, Deolindas, Josefas, Geraldas, Marias Helenas, Luzias, Celinas, Lygias, Iracis, Suelis, Laudelinas, Alices, Claudias, Renatas, Giselles, Gracinhas, Angelas, Adrianas, Fabianas, Shirleys, Kamillas, Danieles, Patrícias, Dayses, Francis, Janainas, Lilianes, Juciaras, Victorias, Reginas, Anas, Lysies, Cristinas, Juçaras, Jaquelines e a todas as trabalhadoras que já passaram por nossa casa e por todos os centros espalhados pelo mundo, que doaram e doam o seu tempo, seu suor e o seu amor, para que a Umbanda, de Humildade, Amor e Caridade do Caboclo das Sete Encruzilhas, continue a ser acima de tudo - a "Manifestação do Espírito para a Prática da Caridade"!!

A todas vocês, o meu muito obrigado!! Em nome da família de Zélio Fernandino de Moraes e da TENSP!!

Meu Saravá Fraterno a todos, mas em especial a vocês, minhas queridas irmãs!!

Mensagem de Leonardo Cunha, dirigente da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, em homenagem ao aniversário de nascime...
11/04/2022

Mensagem de Leonardo Cunha, dirigente da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, em homenagem ao aniversário de nascimento de Zélio de Moraes, seu bisavô, e Marcelo Cunha, seu irmão.

Salve 10 de Abril de 2022!!

Salve Zélio Fernandino de Moraes, meu querido e estimado bisavô!!

Salve Marcelo Cunha, meu amado e para sempre querido irmão!!

Neste dia do mês de abril, vocês estariam comemorando seus aniversários: 130 anos para você, meu biso, 60 anos para você, meu irmão!

Na data em que suas almas se encontraram nesta existência terrena, me senti obrigado a parar e me distanciar das tarefas ordinárias para dedicar um pouco do meu tempo às suas memórias e pensar no impacto das existências de cada um de vocês em minha vida e nas de todos aqueles que tiveram o prazer e a honra de conhecê-los. Existências tão diversas, mas ao mesmo tempo, tão similares...

O primeiro, afável como o mais tranquilo dos homens, podia
facilmente ser escolhido o símbolo da paz e da temperança; o segundo, impaciente e impulsivo e que jamais “mandava recado”, falava e fazia o que entendia como certo. Não raro, sem muito pensar.

Em comum, duas características fundamentais para entender suas existências e o impacto que causaram na vida de todos que os conheceram: o bom humor permanente, mesmo em horas difíceis para a maioria de nós e - traço absolutamente marcante em ambos, aquele ao qual reputo como a mais importante de suas vidas - uma incrível e imensurável vontade de cuidar dos outros!

Cada um ao seu jeito fez de tal vontade sua razão de viver.

Zélio, como um médium inigualável, dotado das mais conhecidas faculdades mediúnicas, que por 67 anos se dedicou ao bem estar do próximo, servindo como “cavalo” para que espíritos elevadíssimos pudessem cumprir na Terra aquilo que lhes fora determinado pelo Astral Superior: o Caboclo Tururi, de enorme grandeza e sabedoria; Orixá Malé – o “Capitão de Demandas”, malaio e muçulmano, responsável pelos embates espirituais da “Piedade”, por embates de seus filhos e da própria Umbanda nascente; o impressionante e inesquecível Pai Antônio, preto de enorme domínio magístico e poder curador e aquele, que em sua sincera humildade, gostava de se apresentar como “o menor espírito que já baixou nesta Terra” a despeito de sua grandeza espiritual e da imensa luz que carregava: o Caboclo das Sete Encruzilhadas - responsável maior por trazer até nós esta Umbanda que a tanto amamos.

Marcelo através da medicina, profissão que ele resolveu abraçar ainda criança. Contou dias, horas e minutos para chegar o momento do famigerado vestibular. Não era dos estudantes mais dedicados. Fato que poderia ser uma barreira, mas que lhe serviu de estímulo para estudar. Não sossegou enquanto não conseguiu entrar. Foram 11 tentativas, 3 do antigo Cesgranrio e 8 vestibulares isolados. No último que fez, já meio desanimado, achando que novamente não conseguiria dar vazão àquilo que em seu íntimo tinha certeza ser seu destino, ouviu de Tiana, preta que com nossa avó trabalhava, um vaticínio: “dessa vez você vai entrar”.

No momento do resultado, não encontrou seu nome, que não constava da lista de aprovados. Nem na lista da primeira reclassificação, muito menos da segunda...

A preta foi cobrada, com um misto de impaciência e descrença. E ela, através de nossa avó, lhe disse: “Tiana está dizendo que se você não passar, ela nunca mais desce à Terra”. E ele, já meio descrente, resolveu se matricular em outro curso para o qual obtivera aprovação. E assim o fez, mais do que pesaroso.

No dia seguinte, quando em teoria já não cabiam reclassificações, recebeu uma ligação da Faculdade de Medicina, dizendo que houvera uma desistência e que a última vaga era dele. Tiana, como sempre, estava certa! E lá foi ele, cumprir a seu modo, uma missão tão linda quanto a de nosso bisavô. Também se vestiu de branco e estava sempre com suas guias, especialmente a de Tiana e com a de Pai Antônio. Não podia fumar charutos, mas certamente cantou pontos e pediu ajuda aos guias. Inúmeras vezes!!

Daquele episódio com Tiana, nasceria uma parceria e uma confiança que jamais se encerrou. Fez uso dela, como de sua fé em Pai Antônio, em inúmeros plantões. Salvou a 1ª pessoa da morte certa, quando ainda não estava formado: um rapaz que se afogava na Praia de Icaraí. A última, um paciente de Covid, pouco tempo antes dele mesmo se contaminar. Infelizmente, para ele, a doença chegou antes da vacina, que certamente não hesitaria em tomar.
Como não hesitou em se lançar ao trabalho. Mesmo estando sujeito a inúmeras comorbidades quando a pandemia começou e poderiam servir como justificativa para que se afastasse da chamada linha de frente. Destemido, trabalhando como intensivista, falou que não pararia quando mais precisavam dele.
Não teve a chance de se vacinar, que muitos tiveram e ainda têm e mesmo assim insistem em não aproveitar perdidos em visões políticas tortas sem conseguir entender que por trás da vacina, além da ciência, também existe a vontade de Deus.

Em nosso último encontro pude passar para ele a mensagem que eu recebera dos guias: que nenhuma doença acontece numa escala mundial, sem que haja a permissão do Criador. E como em outros momentos tristes da história da humanidade e da vida das pessoas, a dor, nossa ou de pessoas próximas, deve servir não só para nos conectarmos com Deus, mas para lembrar para vivermos com base na Divina Lei do Amor e do Perdão, pregadas pelo Cristo e por outros espíritos iluminados que passaram pela Terra. E que aqueles que insistirem em ter suas existências baseadas no ódio, no ego e em valores materiais, ao desencarnarem e encararem a Face de Deus “não mais poderiam ser aproveitados”, pois é chegada a hora de se separar o joio do trigo. A ceifadora leva a todos, mas a separação se dará não pela morte, mas no espaço, com base na trajetória pessoal de cada um. Para ele, tenho a certeza, que a mensagem “entrou”, pois sei que trabalhou com mais afinco e com total destemor, antes as possíveis provas que teve de enfrentar.

Hoje me atrevo dizer que ele morreu feliz. Pois se contaminou e pereceu fazendo o que mais gostava – cuidando de pessoas e, de certa forma, dando continuidade à missão de nosso bisavô. Em mais de 30 anos de Medicina, cuidou e salvou milhares de vidas.

Como nosso bisavô também o fizera em seus quase 70 anos como médium. Um usou a ciência, o outro, sua mediunidade para fazerem o bem. Trajetórias distintas visando um mesmo fim: cuidar de pessoas, tornando suas vidas menos sofridas, menos dolorosas. Um tratou com passes, ervas, banhos, chás e fumaças. O outro, com cirurgias, remédios e injeções. Ambos obtiveram sucesso em suas missões.

Para Marcelo se aproximava a hora em que ele fundiria a medicina que ele tanto amava, com a Umbanda, de forma mais integral - assumindo trabalhos de tratamento e cura espiritual, que ele vinha sendo instado a fazer. Quiseram os espíritos superiores e a sua vontade, que tal trabalho não fosse feito da Terra.

Temos a certeza e a informação de que ele deverá cumprir tal missão a partir do espaço, colocando a sua experiência terrena a serviço dos guias e de outros espíritos que irão atuar em nossa casa.

Pelo que sabemos, nosso bisavô e muitos outros guias estavam com ele no momento de seu desencarne, tornando este momento um pouco menos difícil para todos nós. Pouco depois recebemos a informação de que ele, Zélio, já voltara zelar por sua missão maior: cuidar de nossa casa e pela própria Umbanda que ele ajudou a criar.

Na última vez em que eu pude ouvi-lo, através da mediunidade de minha mãe, me falou para não me preocupar com os seus detratores, não só porque já se acostumara com isso em vida, mas principalmente porque isto era muito menos importante do que outras tarefas mais relevantes que tenho como dirigente da Piedade e como seu sucessor: cuidar de nossa casa, de seus filhos, ajudando sempre que possível a divulgar conhecimentos sobre a nossa Umbanda tão amada e tão pouco entendida.

Eu humildemente, mesmo sem querer contraria-lo, não me sinto totalmente a vontade para permitir que pessoas, sejam do mundo acadêmico, sejam umbandistas de quaisquer correntes, achincalhem seu nome e queiram jogar lama em tudo que ele fez pela nossa religião. Usando conceitos e uma lógica contemporânea para tentar entender e julgar o que se passou há mais de 113 anos atrás em contexto absolutamente diverso e tratando-o como se ele fosse um mentiroso. Pessoas que apesar de tentarem ostentar títulos vistosos, nem sempre tem bagagem, conhecimento e nem comprometimento com a Umbanda de humildade, amor e caridade, que o Caboclo Sete Encruzilhadas nos legou.
E que para isso se baseiam em uma tese que foi adotada, quase que sem questionamentos, por inúmeros pesquisadores, que acreditaram nos escritos de uma autora americana, sem atentarem para a falta de elementos que corroborem suas assertivas. Pesquisadores que nunca se preocuparam em entrevistar as herdeiras ou herdeiros carnais e espirituais de Zélio ou buscar outras fontes que pudessem confirmar tais escritos.

Não temos qualquer dúvida de que a Umbanda, mesmo sem nome inicialmente, foi fundada ou anunciada em Niterói, antiga capital do Estado do Rio de Janeiro, através da mediunidade do jovem Zélio em 15 de novembro de 1908 e iniciada enquanto prática religiosa, no dia 16, em Neves, São Gonçalo, município vizinho, no mesmo Estado do Rio.

Ação ainda mais relevante se pensarmos que isto se fez através da mediunidade de alguém que não passava de um adolescente branco de 16 anos, oriundo de uma família rica e católica. Que não frequentava nem macumbas, nem candomblés e nem mesmo centros espiritas, que desconhecia práticas e ritos realizados pelas entidades que através dele se manifestavam e que inicialmente nem sonhava onde aquilo tudo iria dar.

Um jovem que, desistindo de seus sonhos, estudos e de uma carreira de projeção, dedicou mais que 67 anos de sua vida ao bem-estar do próximo e à fundamentação da Umbanda enquanto religião. Se entregando, como poucos fariam, a tal missão. Que mesmo lutando contra preconceitos, inclusive em sua própria família, sofrendo perseguições de autoridades policiais e eclesiásticas, sofrendo execração pública por parte de jornais, seguiu abrindo portas, enfrentando detratores, fundando ou ajudando a fundar dezenas de centros, curando doentes e ajudando pessoas, praticando somente o bem. Tudo, sem esperar nada em troca, nem mesmo a gratidão dos milhares de pessoas que ele ajudou ao longo de toda a sua vida.

Se alguns, em seus preconceitos pós – modernos, não conseguem acreditar ou entender a grandeza de tal tarefa, nem valorizar tais fatos como coisas que já são mágicas e dignas de aplausos, só posso lamentar. Mesmo que Zélio, fosse “só” um médium “comum”, com 67 anos dedicados a Umbanda. O que por si só, já deveria fazer dele merecedor do respeito de qualquer pessoa, ainda mais de alguém que se diz umbandista.
E se tais detratores preferem abraçar a tese, de que ele quis embranquecer uma Umbanda, que até hoje, ninguém conseguiu comprovar que já existia enquanto rito, antes dele e daquele 15 de novembro, seja no Brasil ou na África, tudo bem...

Nós, familiares, mas também testemunhas de sua honestidade, de sua humildade e de suas qualidades humanas e mediúnicas incomparáveis, preferimos acreditar que ele foi médium das entidades que “empreteceram” e “acobrearam” o espiritismo de Kardec. Dando destaque, relevância e conquistando o respeito da sociedade, para os espíritos de pretos e de índios, antes dele tão desprezados. Conquistando também o crédito para seus ritos e para suas práticas religiosas e magísticas. Inclusive como estratégia de valorização não só destes espíritos, mas também dos povos aos quais estes se vinculavam. Espíritos que eram e ainda são vistos até os dias de hoje, como atrasados e ignorantes. Sem falar naqueles que os veem como figuras demoníacas. Herança da escravidão a qual estes povos foram submetidos, mas também do racismo e do preconceito a ela atrelado, coisas com as quais, lamentavelmente, ainda somos obrigados a conviver.
E independentemente de opiniões mal construídas, a verdade é que Zélio, orientado por suas entidades e apoiado por inúmeros seguidores, encontrou os meios para que todos que se interessam pela Umbanda, possam praticá-la a com a liberdade que hoje temos. Pelo menos sem a perseguição do Estado, de autoridades policiais, religiosas, de entidades médicas e da mídia em geral.

Diferentemente do tempo em que Zélio iniciou sua jornada, numa missão que fora anunciada pela preta Cândida, frente a quem foi levado antes mesmo de participar da famosa sessão da Federação Espírita de Niterói. Missão que ele abraçou com sinceridade e devoção. Ao fazê-lo abriu espaço p tudo que se faz hoje: umbanda preta, branca, vermelha, amarela, umbanda de todas as cores - plural, inclusiva, acolhedora, universal.

Se aqueles não conseguem entender a importância disso, só posso pedir a Zambi, Deus, Tupã ou Allah que deles tenha piedade, em razão de sua imensa ignorância. Mas q ao mesmo tempo, pedir que continuem a inspirar todos àqueles que entendem a Umbanda trazida até nós pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, veio p construir pontes e não muros, q veio p unir e não separar, q veio p nos curar e não para nos tornar mais doentes. Afinal, separar qualquer um consegue, enquanto que promover a união de muitos é tarefa para poucos.

Um dia, eles, se conseguirem se despir de seus preconceitos, talvez consigam compreender a Umbanda em toda sua grandeza. Que Oxalá permita q eles cresçam e se abram para conhecer a Umbanda que praticamos. Estaremos esperando de braços abertos. Prontos para recebê-los em nossa casa, se assim o quiserem. Tenho certeza que meu bisavô, ladeado por outros de nossa família, incluindo meu querido irmão, que continuam a trabalhar junto a ele em prol da Umbanda, ficará feliz. A despeito de ele ter, pela condição que atingiu, coisas muito mais importantes para fazer.
Coisas que eu, em minha pequenez, mal consigo alcançar.

Termino saudando a ambos, por esta data e por tudo que foram e continuam sendo para mim e para todos que os conheceram!!

Saravá, mano velho!!

Saravá, meu bisavô!!

Feliz aniversário para vocês!!

Que Deus os abençoe e continue a iluminar os seus caminhos!!
Saravá a todos aqueles que lutam para fazer a Umbanda uma religião fraterna e acolhedora!!

De Niterói, São Gonçalo e do Rio de Janeiro para o Brasil e para o Mundo:Hoje,  quando comemoramos no dia 15 de novembro...
16/11/2021

De Niterói, São Gonçalo e do Rio de Janeiro para o Brasil e para o Mundo:

Hoje, quando comemoramos no dia 15 de novembro os 113 anos daquela primeira manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas em Niterói e no dia 16 da primeira sessão e fundação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade em São Gonçalo, a Umbanda, depois de seu período de amadurecimento e da onda inicial de expansão a partir de Neves (1908 – 1940) e de seu crescimento acelerado desde o Rio de Janeiro (1940 -2000) se espalhando pelo Brasil, tomamos ciência a partir da idílica Boca do Mato em Cachoeiras de Macacu (desde os anos 2000) do do revigoramento desta religião que se espalhou por todo o mundo, possibilitando perceber o quão bem alicerçado foi o trabalho feito.
Neste momento, mais do que nunca, podemos ver a força de nossa fé. Mesmo sendo uma religião que sem qualquer órgão central dirigente ou arrecadador de recursos, a Umbanda se faz presente em uma infinidade de municípios espalhados por todos os Estados do país, em quase todos os países das Américas e também se fazendo presente em 5 dos 6 continentes, sendo praticada mesmo em países com hábitos culturais e religiosos tão diversos dos nossos como a Inglaterra, a Alemanha, a Rússia, a Austrália e o Japão.
Enfim, temos centros e filhos da Umbanda espalhados por todo o mundo, num movimento que ainda não parou de crescer a despeito dos seus detratores, apesar do preconceito e da intolerância vivenciamos, até hoje, no nosso dia a dia.
Um movimento impulsionado pela vontade e pela fé de seus filhos, que sem medir esforços continuam a levar a “bandeira” de Humildade, do Amor e da Caridade da Umbanda aos quatro cantos do mundo, cumprindo assim as palavras de tons proféticos emitidas em 1919 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas que, naquela singela casa demolida em 2011, escreveu através da mediunidade de Zélio de Moraes:
“... Tudo passará, meus irmãos muito amados; mas as minhas palavras jamais passarão, queiram ou não os vossos espíritos; porque elas ficarão gravadas no cálice deste recinto e, algum dia, quando ele ruir, o pó se levantará e o vento enviará, por este mundo de Meu Deus, as minhas palavras...”.
A casa ruiu, virou pó, mas o vento de Iansã, se incumbiu de espalhar não somente as suas palavras, mas a Umbanda em suas múltiplas cores, formas e ritos por toda a Terra.
Em meu nome e em nome da família de Zélio de Moraes, agradeço a todos os trabalhadores encarnados e desencarnados da Umbanda, de todas as casas e de todos os recantos do Brasil e do mundo. Pedindo perdão aos todos os trabalhadores espalhados pelo mundo, agradeço em especial aos irmãos da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade que passaram pela nossa casa em seus 113 anos de história e que nos ajudaram a manter viva a chama que um dia foi acesa pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas para iluminar o caminho de todos aqueles que precisarem.
Saravá Umbanda!!

Leonardo Cunha

16/11/2020

“Piedade...
Eis o nome de nossa casa!
Eis o sentimento q nos impele!
Que motiva nossa luta!
Que nos faz querer trabalhar!
Eh a luz que ilumina os nossos caminhos!
Que aplaca as nossas dores!
Eh o colo que nos acalenta nas tristezas!
Que transforma os nossos erros!
Que pacifica os nossos ímpetos!
E impulsiona os nossos sonhos!
Que traz luz às nossas trevas!
Enfim...
Eh o que nos motiva a sermos melhores.
A cada dia!
A cada hora!
Para o bem de todos!
Para o bem do mundo!
Para o nosso bem!
Que Deus, em sua infinita sabedoria, jamais nos permita esquecer o que nos leva a trabalhar na caridade.
Que sejamos sempre,
humildes instrumentos a servir aos guias de nossa casa,
emissários divinos dos desígnios de Deus!!
Que Oxalá e Nossa Senhora da Piedade dos abençoem!
Hoje e sempre!
Amém.“

16 de novembro de 1908 - 16 de novembro de 2020

112 anos de História!
112 anos de Umbanda!
112 anos da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade!

16/11/2020

LIVE COM LEONARDO CUNHA - CANCELAMENTO

Por motivos técnicos, fomos obrigados a cancelar a live com Leonardo Cunha em comemoração ao aniversário da TENSP.
Pedimos desculpas a todos. Em breve divulgaremos uma nova data.

07/07/2020

Queridos irmãos umbandistas, temos uma notícia profundamente triste.
Nosso irmão, Marcelo Cunha, bisneto de Zélio de Moraes, faleceu nesta madrugada, vítima da COVID-19.
Como médico, atuou intensamente para tratar outras vítimas, sempre levando a guia de Tiana consigo.
Foram dias melhorando e outros piorando, trazendo esperança de superação, mas as infecções sucessivas minaram sua resistência.
Ontem, nas orações que diariamente fizemos por ele, foi visto envolto em uma intensa luz azul, que designa a presença do Chefe, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Certamente foi levado de nós sob os cuidados dele.
A esta hora já está no hospital de Aruanda, cuidado por Tiana e Pai Antônio e na companhia de sua avó Zilmea.
Os familiares próximos, sua mãe Lygia, seu irmão Leonardo e a esposa Victória estão tristes, mas resignados.
Neste momento pedimos que os poupem de contatos para que tenham serenidade.

07/05/2020

Adeus Padrinho Juruá

Escrevo este texto ainda entristecido pela notícia recebida, na noite de sábado 02 de maio, da partida de um grande irmão nas lides pela Umbanda, incansável trabalhador em prol dos valores que nos foram passados pelo Chefe, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

A verdade é que precisei de um tempinho para digerir esta, em meio a tantas outras perdas importantes que estamos vendo nesse momento de tanta dor para milhares de famílias brasileiras.

Nossa crença espírita indica que temos não somente que nos conformar com esta e tantas outras partidas que sempre nos aparentam ser precoces, mas também e principalmente entender que essa foi a vontade de Deus. Diante de um fato assim, não posso me esquecer daquilo que ouvi tantas vezes da boca de meu bisavô em uma das frases lapidares trazidas pelo Chefe: “Não cai a folha de uma árvore, sem que seja a vontade do Pai...”.

Certamente Deus em Sua Infinita Sabedoria, entendeu que o nosso querido “Juruá” encerrara sua missão na Terra, por mais que nos faça falta a presença de um companheiro como ele – um verdadeiro soldado – que lutou e trabalhou como poucos pela Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas e pela compreensão e valorização do legado de meu bisavô, Zélio Fernandino de Moraes.

Era, a despeito de muitos outros bons companheiros, nossa principal referência no Estado de São Paulo, praticando a Umbanda mais próxima daquela trazida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas e que até hoje se mantém na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, berço e matriz de nossa religião.

Não tínhamos dúvida em indicar a Casa da Estrela Azul sempre que alguém da Grande São Paulo nos pedia informações sobre algum centro onde as práticas de Umbanda fossem próximas às de nossa casa. Tínhamos, minha mãe e eu, total confiança no trabalho do “Padrinho Juruá”.

Apesar de eu ter morado muitos anos na capital daquele Estado e depois outros tantos anos no seu litoral, só nos conhecemos pessoalmente quando eu já havia voltado a residir no Rio de Janeiro, embora, na verdade, eu já o “conhecesse” através de seus primeiros livros, os quais haviam me causado uma excelente impressão.
Nossas primeiras conversas se deram por intermédio de minha mãe, que já desfrutava de sua amizade há anos. Versavam, quase sempre, sobre temas relativos às suas pesquisas sobre a “Umbanda do Chefe” e sobre uma multiplicidade de dados históricos relativos à Umbanda propriamente dita, além de aspectos da história de nossa família que eram mal explicados ou mal compreendidos pela maioria das pessoas, especialmente por outros pesquisadores.

Com o passar do tempo, passamos a trocar muitas informações, já que suas pesquisas invariavelmente se aproximavam daquelas que eu já fazia há alguns anos. Falávamos principalmente de questões relativas à presença e à força, na Umbanda, da formação de Gabriel Malagrida como padre jesuíta e o impacto desta formação, nas práticas, ritos e na própria devoção aos Santos Católicos da Umbanda original, especialmente na devoção à Maria Santíssima, a qual até hoje fazemos questão de manter na nossa casa que chamamos simplesmente de “Piedade”. Tenda nominada, não por acaso, em devoção a Maria – para nós, a padroeira não somente de nossa casa, mas de toda a Umbanda – e que também empresta seu nome para a prática da caridade nas duas casas fundadas posteriormente por Zélio, sob o seu comando, ainda que no corpo perispiritual do Caboclo das Sete Encruzilhadas: as Tendas Espíritas Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Guia.

Como poucos, Juruá soube perceber e entender a ligação da Umbanda com o catolicismo popular. Aquele até hoje praticado pelos grotões de nosso país, especialmente no Norte e no Nordeste, onde Malagrida foi precursor e um de seus principais agentes. Do mesmo modo compreendeu como poucos a ligação da Umbanda com o Evangelho do Cristo – nosso Norte e direção – como fora explicitado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas em sua primeira manifestação pública, há mais de 110 anos, no dia 15 de novembro de 1908.

A partir deste conhecimento, Padrinho Juruá criou um caminho próprio, mas sempre muito próximo ao nosso, no qual ele valorizava e enfatizava essa ligação. Caminho ao qual chamou de Umbanda Crística, que em nossa avaliação servia para reforçar o profundo elo da Umbanda com Jesus e com Santa Maria, coerente com aquilo que Ele pregava.
Em sua trajetória como homem de fé e dirigente espiritual criou, certamente inspirado pelo astral superior, o culto ao Rosário das Santas Almas Benditas, sendo por isso, muito criticado por outros irmãos umbandistas, talvez por desconhecerem ou por não terem compreendido tais elos, que acusaram-no de querer “catolizar” a Umbanda, como se a Umbanda já não tivesse nascido assim – católica e ao mesmo tempo, ameríndia, africana, espírita e oriental. Em outras palavras uma Umbanda acima de tudo plural ou mestiça, assim como é nosso povo. Uma Umbanda a qual ele, como médium e pesquisador, não só conheceu, mas soube de forma ímpar compreender e se aprofundar com grande maestria.

Trabalhador incansável, produziu uma obra de fôlego, disponibilizada de forma gratuita na internet. Nunca se contentou com informações superficiais acerca de ritos e práticas da Umbanda. Teve, por exemplo, papel fundamental na busca da verdade histórica sobre a pseudo “autorização” que o Caboclo das Sete Encruzilhadas teria dado à Tenda Espírita de São Jorge para o uso de atabaques. Tema polêmico durante anos, hoje esclarecido graças a sua ajuda. Foi dele que recebi, em primeiríssima mão, a gravação em que “Seu” Pedro Miranda, antigo dirigente daquela Tenda, já perto do fim de sua vida relatava em áudio que tal mudança se dera em tempos relativamente recentes, quando meu bisavô não mais estava entre nós.

Sobre a sua obra sempre lhe fazia, em tom de brincadeira, uma única crítica: que ele escrevia seus livros com uma velocidade maior daquela que eu conseguia imprimir para lê-los. Talvez em seu íntimo soubesse que sua estadia na Terra era curta e por isso o tempo urgia. Pesquisou, produziu e trabalhou pela Umbanda como se não houvesse amanhã. Mal sabíamos nós que não haveria mesmo! Pelo menos, não para ele. Para nossa tristeza, saudade e para o nosso “azar”, nosso irmão querido se foi!

Embora compreendamos que tenham sido desígnios de Deus, será difícil não mais podermos estar “de ombros” com ele nas trincheiras pela defesa de nossa fé. Para nós, ele sempre terá partido, cedo demais.

A despeito da tristeza, tive, porém, a honra de tê-lo por alguns anos como amigo querido e fraterno, embora só tenhamos nos encontrado duas únicas vezes e num mesmo fim de semana. De todo modo, foram encontros especialíssimos: na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade em Boca do Mato, na sessão comemorativa dos 109 anos da Umbanda e da TENSP e no Ritual do Amaci, realizado no dia seguinte, o qual ele fez questão de conhecer e participar. Tivemos outros tantos encontros marcados que infelizmente nunca se realizaram, mas que certamente, um dia, ocorrerão em outro plano ao lado de outros grandes umbandistas que do Astral continuam a trabalhar pela Umbanda.

Mesmo com este pouco contato físico, nos identificamos e nos relacionávamos como verdadeiros irmãos. Nossas conversas, por telefone ou por mensagens, nos aproximaram ainda mais, chegando, em determinadas épocas, a serem diárias, sobretudo quando ele estava na iminência de alguma “descoberta” ou quando produzia algum texto sobre um assunto polêmico qualquer, que de publicar sempre fazia questão de me enviar. Tive a sorte ou o privilégio de receber, muitas vezes em primeira mão, textos primorosos sobre o resultado de suas pesquisas. Com o tempo, o irmão de fé, passou a ser também um irmão de alma.

Recebi, muitas vezes também, amostras de seu inconformismo, de sua indignação, com tudo aquilo, que em seu olhar se afastava em excesso da Umbanda que ele aprendera a praticar e a respeitar, principalmente quanto identificava práticas que ele considerava esdrúxulas e/ou incompatíveis com o legado do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Incomodava-se, em especial, com o que entendia como uma influência exagerada ou, mesmo, predomínio, do “vil metal” (nas palavras do Chefe) na Umbanda. O dinheiro, que em sua visão passara em muitas casas a permear as relações entre os dirigentes, médiuns e seus filhos, gerando comercialização ostensiva de nossa fé. Ele telefonava ou mandava mensagens verdadeiramente revoltado “com o que estavam fazendo com a Umbanda”, quase que nos pedindo providências, uma vez que entendia que nós, como herdeiros espirituais e carnais de Zélio, teríamos a autoridade necessária para fazê-lo.

Por mais que entendesse e por vezes até concordasse com seu incomodo, sempre declinávamos de uma postura mais incisiva, lembrando-o daquilo que o Chefe, em uma de suas últimas comunicações públicas e parafraseando o próprio Jesus, nos disse: “Não olheis para a casa de seu vizinho, não julgueis para não serdes julgados”. Esta visão que perpassa o tempo e que até hoje norteia nossa condução à frente da “Piedade”.

Nestas ocasiões, eu sempre lhe dizia: “Juruá, não cabe a nós este papel. Cabe somente a Deus, aos Orixás e aos Guias, mesmo assim se o fizerem por delegação divina. Se alguns agem errado, é por seu livre-arbítrio e responderão a quem de direito, na hora devida. Não a nós! Não nos cabe, até por orientação dos Guias, estimular cisões na Umbanda. Já temos inimigos demais fora dela, para promovermos disputas internas. Este papel, decididamente, não é o nosso! Precisamos promover a união, promover encontros! Precisamos construir pontes e não muros. A Umbanda é uma religião de acolhimento. Não de embates. Até os erros devem ser benvindos, se forem cometidos de coração puro. Fazem parte do processo de aprendizado e assim deve permanecer. Este é o nosso verdadeiro papel: ser o farol, que ilumina os caminhos de todos aqueles que queiram seguir a Umbanda que aprendemos a praticar com o Caboclo das Sete Encruzilhadas, com Pai Antônio e Orixá Malé, continuando a ser divulgadores do trabalho do Chefe e de sua forma de praticar a Umbanda, aprendendo com os que sabem mais, ensinando aos que sabem menos, mas não virando as costas, para ninguém, como o Chefe nos ensinou.

No final das contas ele sempre concordava, embora às vezes, devo admitir, entre resmungos, com os quais, o conhecendo, já me acostumara. De qualquer modo, sempre o admirei por essa luta, por vezes até de forma intransigente, por tudo aquilo que ele considerava certo. Só lamento que não tenha tido a chance de dizer-lhe isso pessoalmente.

Bem sabemos que por conta dessa luta e de suas opiniões fortes, ele colecionou alguns desafetos, mas a força de suas palavras fez, ao mesmo tempo, que fosse muito respeitado na seara da Umbanda e que colecionasse um número infinitamente maior de admiradores. Foi sem dúvida um homem de posturas firmes, mas ao mesmo tempo doce, fraterno e extremamente afetuoso com que precisasse de seus préstimos e/ou da Casa da Estrela Azul.

Como é comum acontecer entre irmãos, também tivemos nossos pontos de discordância, felizmente nunca graves o bastante para que nos afastássemos em definitivo ou para que deixássemos de nos respeitar e admirar mutuamente. Foi uma figura ímpar e um grande ser humano. Sem dúvida, um umbandista que soube praticar a caridade em sua essência.
Um digno herdeiro do legado de Zélio de Moraes!

O perdemos aqui na Terra, levado pela COVID-19. Um grande companheiro de luta que, com toda a certeza, soube fazer de sua vida um admirável exemplo de devoção a Deus e ao próximo. Por outro lado, os céus lograram receber um guerreiro incansável e que muito em breve estará pronto para se juntar a tantos outros trabalhadores da Umbanda de humildade, de amor e de caridade do Caboclo das Sete Encruzilhadas!

Vai com Deus, meu irmão!

Que os filhos de sua casa e seus inúmeros “afilhados” saibam honrar o seu legado e prossigam com o seu trabalho sem dar chance a qualquer desvio de rota.

Que a Umbanda Crística finque raízes profundas nos planaltos de São Paulo de Piratininga, pelo Brasil e não pare jamais de crescer!

Em nome da família da Zélio de Moraes, da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e da Cabana de Pai Antônio, te agradeço, profundamente, pelos seus préstimos e de sua querida mãezinha, a Umbanda.

Que os céus os recebam com loas pelo trabalho que realizou na Terra!

Que Oxalá te abençoe sempre e continue a iluminar os seus caminhos!

LEONARDO CUNHA

Endereço

Rua José Ribamar Pereira Ramos, 271
Cachoeiras De Macacu, RJ
28680-000

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Local De Adoração

Envie uma mensagem para Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade:

Compartilhar