09/09/2022
Com o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras contra a Covid-19 em vários estados – em ambientes abertos, na maioria dos casos –, o consenso geral parece ser de alívio. Afinal, ao menos em algumas situações, não é mais obrigatório usar o item para interagir socialmente. Mas a sensação não vale para todos: especialistas ouvidos pelo g1 apontam que, nos últimos dois anos, a máscara cumpriu funções que vão além de proteger contra o coronavírus. Entre elas esteve o papel de agir como barreira para evitar o julgamento alheio sobre si mesmo e até mesmo para esconder as próprias emoções. Alguns grupos, como as pessoas que têm transtornos de ansiedade, obsessivo-compulsivo (TOC) ou hipocondria., também podem ter dificuldades a mais para lidar com a liberação.
Máscaras significaram mais do que apenas proteção:
Cada pessoa precisa escolher como vai lidar, de agora em diante, com o fato de estar sem a máscara. Essa é uma escolha dela – não necessariamente ela tem que atender à expectativa alheia. Mas, naturalmente, vai causar um pouquinho de angústia de qual é a atitude que eu devo tomar. "Cada um foi usando a máscara a partir da sua história de vida – dos seus traumas, das suas defesas, das suas exigências, expectativas em relação ao outro e a si mesmo", afirma Wilian Fender.
Medo da Covid e transtornos de ansiedade:
O psiquiatra Eduardo Perin, especialista em terapia cognitivo-comportamental pelo Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas da USP, relata que, em seu consultório, as pessoas têm manifestado medo em tirar a máscara, mesmo ao ar livre, por temerem o contágio pela Covid. "As pessoas querem ter certeza absoluta, de 100%, de que elas não vão pegar a doença. E essa certeza realmente não existe. Mesmo com máscara, mesmo com distanciamento, o risco nunca vai ser zero de transmissão", pontua. De forma ainda mais específica, quem sofre com transtornos como ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou hipocondria – pode vir a ter até mais dificuldade com a retirada da máscara e o medo do contágio.
No próprio tempo: "Eu acho que tem que mensurar o nível de sofrimento com relação a isso. Se o sofrimento for muito alto, eu acho que o indicado é, obviamente, procurar uma psicoterapia. Às vezes, a ansiedade está muito alta e não aparece só ali dentro da questão da máscara em si, você vai fazer, obviamente, conforme o seu tempo dita. Você não precisa se pressionar loucamente, mas também não pode se acomodar. Então, você vai, devagarzinho, entendendo o que está acontecendo e fazendo pequenas situações onde se sinta confortável", aponta Yuri Busin.