04/04/2022
Há um lugar para Jesus aí?
Não é raro que as comemorações alusivas a obra de Jesus entre os homens tenha sofrido no decorrer da história, profundas modificações e intrusões de práticas que se tornaram tradicionais, excluindo até mesmo a essência da comemoração. Isso é bem explicito nas festas natalinas por exemplo; quando as luzes, os anjos, o papai Noel, e outros roubam o olhar para o motivo principal da festa. Não tem sido muito diferente na época da Páscoa em que as gerações em sua maioria, não sabem exatamente o que significa essa comemoração. A Bíblia relata que a Páscoa (Pessah, no hebraico) significa o “passar por cima”, quando o Anjo da morte castigou Faraó e seu povo no Egito devido a opressão exercida sobre o povo hebreu por mais de 400 anos. Os Hebreus não foram atingidos porquanto obedeceram a ordem do Senhor de marcar os umbrais da porta de suas casas com o sangue de um cordeiro que deveria ser morto em favor de cada família. Após a libertação do jugo, os filhos de Israel comemoraram a partir de então a Páscoa para relembrar o que Deus fizera por eles. Quando Jesus veio ao mundo para morrer como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, essa obra expiatória, vicária e redentora deveria ser feita na Páscoa, e assim aconteceu. No décimo quarto dia do mês de Abibe, a tarde, esse evento ocorrido no Egito deveria ser relembrado. E Jesus subiu a Jerusalém, já sabendo que seria entregue nas mãos dos pecadores para ser crucificado, em cumprimento das profecias. O sinal de que era Ele o Cordeiro de Deus é que ficaria três dias e três noites no seio da terra, assim como Jonas ficou três dias e três noites no ventre do grande peixe. Após a comemoração da páscoa, os hebreus começavam no dia posterior (dia 15 de Abibe) a festa do Pães Azimos, e por conseguinte havia um Shabat (feriado Religioso). Passado o Shabat, alguns líderes visitaram Pilatos para pedir a guarda do sepulcro até o terceiro dia, pois temiam que o corpo fosse roubado, já que Jesus havia dito que iria ressuscitar e eles não acreditavam. Então, mesmo com a guarda, ninguém pôde impedir, que na noite do terceiro dia o Filho Unigênito de Deus ressurgisse com a vida, e assentado fora do sepulcro na madrugada do terceiro dia (primeiro dia da semana) dissesse as mulheres que foram ungir o corpo: “Porque buscais entre os mortos aquele que já ressuscitou?”
Elas então foram enviadas a Pedro e aos demais apóstolos para anunciar-lhes a ressurreição gloriosa.
Tive o privilégio de algumas vezes visitar Jerusalém e estar no Monte da Caveira, no Jardim do Getsemani, e dentre outros lugares entrar na caverna onde o Senhor foi depositado. Há uma Escritura em inglês para todos os povos: “HE IS NOT HERE, FOR HE IS RISEN / ELE NÃO ESTÁ AQUI PORQUE JÁ RESSUSCITOU”
As tradições também ofuscaram muito a lembrança do Sacrifício na Cruz, e a razão da Ressurreição. Cerimonias pomposas que a despeito de serem lindas e atraentes, por vezes escondem as dores dos corações vazios e angustiados. Escondem também as falsificações do amor devido a Cristo.
Nesse momento atípico da história da humanidade, aqueles que creem em Jesus fortalecem a fé no que Ele disse: “Os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade...”
Haverá menos chocolate, menos recursos financeiros, menos viagens, menos “coelhinhos”, menos tradição, etc. Porém, acredito, um pouco mais de reflexão, de reverência e de memória do verdadeiro significado da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Haverá mais lugar para Jesus. Uma páscoa cheia do Amor de Jesus a todos.
Pr. Paulo Gonçalves
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