02/01/2026
China impõe tarifa de 55% à carne bovina e afeta exportações brasileiras
O Ministério do Comércio da China (MOFCOM) anunciou nesta quarta-feira (31) a imposição de uma tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina que excederem cotas anuais. A medida entra em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terá validade inicial de três anos.
Classificada como medida de salvaguarda, a decisão busca proteger produtores chineses, que alegam prejuízos causados pelo alto volume de carne importada e pela queda dos preços internos.
Brasil é o mais afetado
Como maior fornecedor, o Brasil recebeu a maior cota isenta para 2026: 1,106 milhão de toneladas. Qualquer volume acima desse limite será taxado em 55%. Em 2025 (até novembro), as exportações brasileiras à China já superaram 1,3 milhão de toneladas, o que indica que parte relevante da carne enviada poderá enfrentar a nova tarifa.
Cotas isentas por país (2026)
Brasil: 1.106.000 t
Argentina: 511.000 t
Uruguai: 324.000 t
Austrália: 205.000 t
Estados Unidos: 164.000 t
Repercussão
Analistas avaliam que a medida cria pressão adicional sobre o setor de proteínas no Brasil e pode impactar empresas exportadoras. O Ministério da Agricultura informou que o movimento já era esperado, em razão de uma investigação iniciada pela China em 2024, e que o governo brasileiro pretende negociar ajustes nas cotas ou a redistribuição de volumes não utilizados por outros países.
A decisão chinesa adiciona incertezas ao comércio bilateral e deve influenciar preços, volumes exportados e estratégias das empresas do setor ao longo de 2026.