30/08/2020
Plínio Pacheco
No ano de 1956 Plínio Pacheco chegou à Fazenda Nova, a convite do então diretor e ator Luiz Mendonça, que na época, interpretava o papel de Jesus no espetáculo da Paixão de Cristo. A peça era representada nas ruas da pequena vila, de Fazenda Nova que é distrito do município de Brejo da Madre de Deus, com a participação de camponeses, de pequenos comerciantes locais e também de alguns atores e técnicos que atuavam nos teatros da capital do estado.
Plínio conheceu Diva Mendonça, filha mais nova de Epaminondas Mendonça, criador do espetáculo nas ruas da vila. Plínio e Diva casaram-se, e com o tempo, foram se envolvendo cada vez mais com a produção e coordenação da encenação da Paixão de Cristo.
No ano de 1962, Plínio Pacheco teve uma ideia. Na verdade, um grande sonho, um sonho de pedra. Plínio vislumbrou a construção de uma réplica de Jerusalém em pleno coração do agreste pernambucano. O lugar, assim como a antiga Judeia, possuía muitas rochas, vegetação rasteira, clima semiárido e o espaço de terra escolhido para se levantar a cidade-teatro era emoldurado por montanhas
Em 1963, os cenários começaram a ser erguidos num espaço de 100 mil metros quadrados, equivalente a 1/3 da área murada da Jerusalém da época de Jesus. Plínio Pacheco não só idealizou e construiu a obra em pedra e concreto, mas, também, uma obra literária.
Em 1967, escreveu o texto da peça teatral “Jesus” que seria encenado pela primeira vez em 1968 em Nova Jerusalém já com seus palácios e muralhas iniciados. 45 anos depois, a cidade-teatro, que a cada ano ganha novas intervenções para melhorar as condições de encenação do espetáculo e o conforto do público, já recebeu mais de 2,5 milhões de pessoas, vindas dos quatro cantos da terra para assistir ao megaespectáculo da Paixão de Cristo.
Plínio Pacheco recebeu o título de Cidadão de Pernambuco, em 1971, e em 2000 recebeu das mãos do presidente Fernando Henrique Cardoso a Comenda do Mérito Nacional, por sua contribuição à cultura brasileira.
Plínio Pacheco, era possuidor de um perfil pouco comum. O mesmo apresentava características de um empreendedor, que foi capaz de visualizar em uma pequena peça de teatro amador, na singela vila de Fazenda Nova, localizada em um lugar comum do Agreste Pernambucano, o seu potencial, de maneira que veio se tornar, através de seus esforços e devido as suas qualidades, o maior espetáculo ao céu aberto do mundo, levou 38 anos, a partir de 1962, para ser construída.
Hoje a Paixão de Cristo Nova Jerusalém é tido como o Maior Teatro Ao Ar Livre do Mundo e em sua encenação conta com atores nacionais e suas importância é gigantesca na formação da cultura e da identidade do povo da cidade do Brejo da Madre de Deus.
Plínio Pacheco faleceu em 22 de agosto de 2002, o corpo do militar e jornalista gaúcho foi sepultado no dia 23 de agosto, no Jardim das Orquídeas, à entrada de Nova Jerusalém, cidade-teatro que idealizou e ajudou a construir em Fazenda Nova, no município do Brejo da Madre de Deus. Pacheco morreu, aos 75 anos.