19/08/2026
Na madrugada de 19 para 20 de agosto de 2004, a região da Praça da Sé, no centro de São Paulo, tornou-se cenário de um dos episódios mais brutais de violência contra a população em situação de rua no Brasil.
Pessoas que dormiam nas ruas foram atacadas com barras de ferro e pedaços de madeira. Sete morreram e outras seis ficaram gravemente feridas.
As vítimas estavam dormindo. Eram pessoas vulnerabilizadas, transformadas em alvo justamente por ocuparem um espaço público que também deveria lhes pertencer.
O episódio ficou conhecido como Massacre da Sé.
Organizações de direitos humanos, movimentos populares e pastorais denunciaram o massacre como expressão de uma lógica de violência e exclusão que historicamente atinge quem vive nas ruas. Suspeitas sobre a participação de grupos de extermínio também marcaram as investigações.
Mais de duas décadas depois, a falta de responsabilização efetiva permanece como uma das feridas abertas do caso.
Mas daquela violência também nasceu organização.
A mobilização de sobreviventes, pessoas em situação de rua, movimentos e entidades contribuiu para fortalecer uma articulação nacional que culminaria na construção do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR).
Por isso, recordar o Massacre da Sé não significa apenas olhar para 2004.
Significa perguntar quantas pessoas ainda hoje são agredidas, expulsas dos espaços públicos, tratadas como problema, invisibilizadas ou mortas simplesmente porque vivem nas ruas.
A rua não retira de ninguém sua humanidade.
Moradia é direito. Alimentação é direito. Proteção é direito. Dignidade é direito. E nenhuma vida pode ser considerada descartável.
Que a memória das vítimas do Massacre da Sé permaneça como denúncia da violência e compromisso com uma sociedade na qual ninguém seja abandonado à própria sorte.
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