18/05/2025
Com toda certeza em cada igreja há pelo menos uma pessoa que se enquadra em uma das letras da sigla LGBTQIAPN+. Essas pessoas estão no ministério de louvor, cantando ou tocando algum instrumento sendo benção na liturgia do culto.
Essas pessoas estão no diaconato servindo com alegria no ministério de ação social da igreja, amparando necessitados, socorrendo aqueles que precisam. Elas estão no presbiterato, administrando a igreja. Elas estão no pastorado da igreja, mesmo após serem testadas nas diferentes instâncias da igreja não apenas no que diz respeito a sua teologia, mas também a sua sexualidade. Muitos, inclusive, estão casados entristecidos e entristecendo seus cônjuges, condenando-os e a si mesmos a uma existência infeliz.
Muitas dessas pessoas, cresceram no âmbito da igreja. Os irmãos perceberam em alguns os trejeitos e ainda, os acolheram sob suspeita, acreditando no poder de Deus para transformá-los. Muitos deles, a medida em que foram crescendo se perceberam destoando da heteronormatividade e mesmo com conflitos internos decidiram f**ar e experimentar a espiritualidade nos espaços religiosos que acreditavam serem seus.
EI! VOCÊ QUE LÊ ESSE POST! Em sua igreja tem uma pessoa LGBTQIAPN+ e você sabe disso. Se você sempre soube e continua amando essa pessoa após ela ter assumido publicamente sua sexualidade, você realmente entendeu o sentido cristão de acolhimento. Agora, você se enquadra entre aquelas pessoas que sempre souberam, mas que esbravejaram quando a pessoa decidiu assumir sua sexualidade não heteronormativa é para você que nos dirigimos criticamente neste escrito.
As pessoas LGBTQIAPN+ começam a causar suspeitas nos outros membros da igreja. Os irmãos da igreja perguntam indelicadamente "não vai namorar?", "tem uma pessoa do s**o oposto que seria perfeita pra você". A pessoa arguida com tais indiretas sorri de canto e se esquiva gentilmente. Até quando sente que não dá mais para se esquivar e então decide abrir o jogo para amigos e em seguida para a família.
O caos se instaura na igreja quando a sexualidade é publicizada, pois o que é público precisa ser tratado. A liderança se reúne emergencialmente para definir a disciplina, o que fazer? Destituir a pessoa do cargo e ministério? Impedi-la de tomar a ceia? Solicitar ao pastor que exorte e encaminhe para um “psicólogo” cristão que apoie a cura gay? O fato é que para a liderança alguma coisa precisa ser feita porque podem perder as rédeas da situação. Imagine se aquela família tradicional deixar a igreja! Ou se o acolhimento chegar às instâncias superiores da igreja!
A moralidade hipócrita vêm à tona e o ser humano que ansiava ser realmente acolhido tem diante de si três s opções: renegar sua sexualidade por meio do que se chama de "eunucos"; manter sua sexualidade sem, entretanto, desfrutá-la ou converter sua sexualidade. O fim dessa celeuma pode se dar também por três caminhos: a aceitação dos ditames da igreja, a saída/expulsão da igreja, o que acaba sendo uma boa opção se a pessoa encontrar outro espaço mais acolhedor onde não precise se fragmentar como pessoa ou na pior das hipóteses, quando o peso familiar, da igreja e da sociedade em geral se torna insuportável, o suicídio.
Neste 17 de maio, Dia Internacional de Combate a LGBTfobia expressamos nossa solidariedade a todos que são perseguidos por serem quem são dentro e fora dos ambientes eclesiásticos.