16/08/2022
(16/08)
Yemanjá ao contemplar Obaluaê criança, balançando e chorando, jogado à maré alta, pode notar a beleza que era sua pele cravejada de pústulas pérolas que cintilam ao toque quente do sol, que nada mais eram que suas chagas ferventes vertendo borbulhas.
Yemanjá descobriu por intervenção de Obaluaê, a beleza advinda do caos e da dor, lhe fez uma roupa de palha trançada, para que as jóias brilhantes que brotam da pele do filho adotivo não viesse a cegar os olhos dos homens.
Mas é com Nanã, sua mãe de ventre, que Obaluaê sustenta o trono da Evolução.
Tudo aquilo que se desconhece, logo se teme, e Nanã temerosa por ter parido a doença ao solo do mundo, com o calcanhar chutara seu filho que caira na areia da praia e fora suavemente arrebatado pelas ondas, pestilento, mal sabia Nanã que inaugurou também a cura, pois posteriormente, das feridas secas de seu filho surgiram pipocas, sementes douradas de milho, que ao avesso dão lugar para flores alvas e macias.
Nanã em seu ato ensina que ao rejeitar o tido como ruim, o bom também é por consequência descartado, pois há intriseca na natureza do Todo, a resignificação da dualidade.
A Evolução, segundo os conselhos de Obaluaê, não se trata de alcance material, e muito menos se dá pela competição interior de se colocar maior que todos, mais espiritualizado, e iluminado.
Evoluir é conhecer-se por completo, saber sentir também sentimentos tidos como negativos, secar as feridas ao invés de fingir que não existem e ver nos defeitos a possibilidade de um processo singular de reconstrução.
Obaluaê, Pai da cura, passa com seu manto de palha pela nossa fronte e nos purifica de tudo aquilo que dê ao nossos olhos um tom finito de tristeza e de fadiga, nos retire a pestilência, e tenha benevolência sobre tudo para com os pobres, aqueles que sofrem as consequências do descaso e a exploração dos ricos para com a Natureza.
Atotô, neste dia as folhas, o vento e até os pássaros rogam silêncio para que a natureza atenta se molde a sua imagem, hoje o véu do além físico é leve e acetinado, e podemos com a força de nossa intuição nós conectar com a passagem do efêmero e contemplar pela frestas do céu, a dança do Infinito.
Fonte da Imagem: http://artistagabrielferreira.blogspot.com/2013/03/orixas.html?m=1