11/04/2026
II DOMINGO DA PÁSCOA
At 2,42-47; Sl 117; 1Pd 1,3-9; Jo 20,19-31
Veneráveis irmãos e irmãs,
A liturgia deste domingo apresenta-nos a comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.
Na tarde de Páscoa Jesus entra num local com as portas fechadas, onde os discípulos não O esperavam; então Ele toma a iniciativa e apresenta-se. “Veio”, diz João, “e pondo-se no meio deles” (Jo 19-26) Os dois verbos exprimem o que os cristãos sabem que acontece depois na comunidade cristã: quando estão reunidos “no primeiro dia da semana”, na Eucaristia, Jesus vem e f**a com eles. Jesus não esquece ninguém: vem também para encontrar-se com Tomé, o homem de pouca fé, e capacita-o a pronunciar a confissão mais plena de todo o Evangelho: “Meu Senhor e meu Deus.” (Jo 20,28)
No centro do local onde estão reunidos os discípulos, está Jesus com suas chagas (Jo 20,20.27). Ele conserva-as ainda no seu corpo, não porque não tenham tido já tempo para cicatrizar-se, mas porque são Suas para sempre. Elas são o sinal do amor do Pastor que se oferece sem medida e do amor do Pai que dá o seu Filho. São por isso o sinal que Deus oferece à nossa fraqueza para nos conquistar e atrair a Si. Não devemos, portanto, ir procurar a outro lado, mas sim orientar a nossa vida para a contemplação daquele amor ferido de Deus para o acolhimento e fazê-lo nosso, na alegria e na paz.
A igreja primitiva exprime esta convicção com o cântico Maranata, um grito de alegria que pode signif**ar contemporaneamente uma firmação e uma invocação “O Senhor vem” e “Vem, Senhor”! E quando vem, o Senhor enriquece a Igreja com todos os dons concedidos aos discípulos na tarde de Páscoa: a alegria, a paz, o Espírito, a missão.
A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã que a identif**ação de cada crente com Cristo - nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens - conduzirá à ressurreição. Por isso, os crentes são convidados a percorrer a vida com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do "mundo"), de olhos postos nesse horizonte onde se desenha a salvação definitiva.
Desta maneira, O Filho não perde nenhum dos que o Pai lhe deu (Jo 6,39), pelo contrário, torna possível o encontro com Ele a quem o deseja. A Palavra deste domingo, conforta o coração humano que tem diante dos olhos a multiplicidade de dons que Jesus ressuscitado coloca nas nossas mãos e, como que a sintetizar tudo, oferecendo aquela garantia que finaliza a página de deste fim de semana: “Felizes os que acreditam sem terem visto.” (Jo20,29) A quem deseja fortalecer a sua fé é apresentado um Jesus que vai ao encontro da incredulidade de um discípulo que pode ser cada um nós, nas nossas noites escuras da dúvida. E esta procura e resposta não pode fazer-se senão na comunidade cristã.
Neste sentido, na primeira leitura temos, na "fotografia" da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua proposta de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha - com gestos concretos - a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo. Assim seja!