24/05/2020
ASCENSÃO: ELEVEMO-NOS!
(pequena reflexão dominical para cristãos e não crentes)
Nas igrejas cristãs do mundo, celebra-se hoje - em quase todas de forma remota - o Domingo da Ascensão de Cristo. A leitura é do finalzinho do Evangelho de Mateus (Mt, 28, 16-20).
Um acontecimento duplamente extraordinário: o Ressuscitado despede-se dos amigos e amigas e ascende aos céus, à invisibilidade. Mas afirma: "estarei com vocês até o fim dos tempos".
Nessa nossa vida terrena, tão breve (quem passou dos 60 ou 70 sabe), vamos nos descobrindo acompanhados daqueles que amamos e já partiram. Acreditamos que eles velam por nós. E isso é um vital co***lo da fé.
Quem não acredita nisso encontra outro jeito de permanência do perdido: a saudade, a evocação de momentos bonitos, de exemplos que ficam. E isso é doce afago da memória.
Ascender é subir, ir além. Teilhard de Chardin (1881-1955), paleontólogo jesuíta que nunca opôs a fé à ciência - o que lhe valeu incompreensões de todo lado - afirmou: "tudo o que sobe converge". Ele acreditava - eu também! - que todo o universo estava destinado a um grande reencontro amoroso. Para ele, Deus é a Energia Primeira que está em toda matéria, e que ascendeu à plena consciência com a inteligência humana.
Na vida de tropeços, de inevitáveis descensos e ascensos, somos vocacionados ao crescimento interior, ao chamado divino do Todo Poderoso Amor, rompendo as cadeias do tempo.
O desafio, aqui e agora, é nos elevarmos sempre. Irmos além das "misérias do cotidiano", das mesquinharias, de tudo que nos apequena e nos torna "egoistinhas do cotidiano": prisioneiros da nossa própria vaidade, apegados ao que é rasteiro. Sem consciência do Outro, das dores e belezas do Mundo. De Deus.
Para quem crê, a Ascensão do Senhor é um chamamento, um desafio. Vamos com Ele, na senda luminosa da Justiça, do Amor e da Paz.
Para quem não crê, o apelo também vale: elevemo-nos sempre, batalhando para superar nossas reconhecidas limitações. "Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Põe o quanto és no mínimo que fazes" (Fernando Pessoa).
Ascensão do Senhor, Giotto (1267-1337)